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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Dá para se aposentar com R$ 1 milhão? Veja o rendimento em 4 aplicações

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

25/06/2021 04h00

Se você está investindo para viver melhor quando se aposentar, é bem importante já ter uma referência de quanto vai precisar juntar para ter o padrão de vida que deseja. Muita gente tem na cabeça de que R$ 1 milhão renderia o suficiente para você viver depois de se aposentar. Será?

Na coluna de hoje você vai ver quanto rende por mês R$ 1 milhão aplicado em diferentes tipos de investimentos. E na sexta que vem (dia 2), mostrarei quanto você precisaria investir, em cada uma dessas aplicações, para chegar ao milhão em 10, 20 e 30 anos.

Lembrando que não estou recomendando esses investimentos. Apenas estou compartilhando com você minhas experiências como investidor, e lhe apresentando cenários para você pensar e tomar as suas próprias decisões de investimento.

Tesouro Direto: R$ 3 mil a R$ 6 mil por mês

Se você está buscando renda passiva e baixo risco, a princípio o Tesouro Direto seria o ideal. Principalmente se for algum título que pague juros semestrais, porque nesse caso a cada seis meses você veria um dinheiro pingando na sua conta.

No entanto, o Tesouro Direto rende pouco atualmente. Se você tiver R$ 1 milhão no título chamado Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2055, terá um ganho de R$ 37 mil por ano, aproximadamente, o que dá cerca R$ 3.088 por mês.

Existe outro tipo de título público que rende um pouco mais, o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2035. Aplicando R$ 1 milhão nesse papel, você teria R$ 77 mil por ano, uma média de R$ 6.500 mensais.

Mas é preciso saber que o Tesouro Prefixado não acompanha a inflação. Ou seja, daqui a dez anos, o papel vai estar rendendo os mesmos R$ 6.500 mensais, enquanto o seu plano de saúde, supermercado e condomínio provavelmente terão aumentado muito.

Ações para valorização: -R$ 3.500 a +R$ 15 mil por mês

Investir em ações pode gerar renda de duas formas: pelo aumento do preço do papel e pelos dividendos pagos. Nenhuma delas pode ser prevista com precisão.

Sendo assim, vou usar algumas referências. O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas da Bolsa de Valores, subiu, em média, 20% ao ano desde junho de 2016. Isso significaria um ganho de R$ 177 mil por ano, ou R$ 14,8 mil ao mês, já descontado o Imposto de Renda.

Por outro lado, nos cinco anos anteriores, de junho de 2011 a junho 2016, o Ibovespa teve um rendimento médio de -4,19% anuais. Assim, quem aplicou R$ 1 milhão teve uma perda média de R$ 3.500 por mês no valor do seu patrimônio.

Então, para se ter uma ideia melhor, é preciso analisar prazos mais longos. Nos últimos dez anos, a variação do Ibovespa foi de 7,49% anuais, o que daria um rendimento médio mensal de R$ 5.300 por mês.

Só que o rendimento varia muito de uma ação para outra. Os papéis do Magazine Luiza (MGLU3) renderam 44% ao ano desde junho de 2011, ou seja, R$ 31 mil por mês em média, já descontado o IR.

Magalu é um caso extremo do lado positivo. Quem investiu em ações da Oi (OIBR3) perdeu 98,5% do patrimônio desde 2012, quando o papel começou a ser negociado. De R$ 1 milhão passou a R$ 15 mil.

Por isso, o Ibovespa é apenas uma referência. Para investir em ações, o que eu faço é estudar os fundamentos de diferentes empresas, escolher as que considero melhores e esperar uma crise geral do mercado para comprá-las a preço baixo.

Ações para dividendos: R$ 11 mil por mês

As ações que pagam dividendos de forma mais previsível são as de concessionárias de serviços públicos, como é o caso da Taesa (TAEE11). Atualmente, o retorno em dividendos (DY, na sigla em inglês) dessa empresa está em 13,43% ao ano. Assim, R$ 1 milhão rende em média R$ 11 mil por mês.

Você deve ter notado como os dividendos de ações são excelentes para quem já acumulou um bom patrimônio e quer apenas extrair dele uma renda passiva.

Há um mês eu compartilhei nesta coluna uma lista de oito empresas com retorno em dividendos atualmente acima de 10% ao ano.

Fundos imobiliários: R$ 9.500 por mês

Os fundos de investimento imobiliário (FIIs) são o meu ativo preferido para obter renda passiva. Gosto mais do que dos dividendos de ações, porque o preço daqueles papéis oscilam menos e, atualmente, os que não são diretamente prejudicados pela pandemia estão pagando muito bem.

Vamos pegar como exemplo o fundo BBPO11, do Banco do Brasil, que eu guardo com muito carinho na minha carteira. Seu retorno em dividendos está em 11,36% ao ano, o que dá cerca de R$ 9.500 ao mês para um investimento de R$ 1 milhão.

Este é um FII que reúne as próprias agências do BB. Comprar uma cota significa tornar-se dono de uma fração dos imóveis ocupados pelo banco. Parte do dinheiro que a instituição financeira pagar nos aluguéis de seus prédios cai na conta corrente de quem tem BBPO11.

Isso significa que é um investimento bastante previsível. O seu inquilino é o maior banco estatal do país, que lucrou R$ 13,9 bilhões em 2020. Qual é a chance de ele ficar inadimplente?

Como escolher

Vendo tudo isso, a tendência é a gente ficar pensando, pensando, e não conseguir escolher nunca.

Se você está começando, sugiro que experimente cada uma dessas formas de investimento citadas aqui. Assim você vai entender a dinâmica de cada uma delas e sentir o impacto emocional de acompanhá-las.

Ninguém aprende a dirigir um carro só na teoria. Em algum momento você vai ter que pisar no acelerador. Para não se machucar, basta começar devagarinho.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL