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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

5 indicadores para checar antes de comprar qualquer ação na Bolsa

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

11/06/2021 04h00

Antes de comprar qualquer ação na Bolsa de Valores com objetivo de longo prazo, é importante verificar o histórico da empresa nesses cinco indicadores básicos que você vai ver abaixo.

Se alguém está recomendando um papel, e a companhia está indo mal em algum desses itens, vale a pena procurar saber por que o analista recomenda a compra mesmo assim.

Essa lista serve para você ganhar confiança e senso crítico na escolha de ações.

1. Lucro operacional (Ebitda)

É preciso ter cuidado ao olhar para o lucro de uma empresa. Primeiro porque podem existir fatores não recorrentes influenciando a receita da companhia.

Por exemplo, se uma indústria vende uma de suas fábricas, o dinheiro que entra ajuda a engordar o lucro, mas isso não quer dizer necessariamente que a empresa esteja bem. Ao contrário: no limite, ela pode estar nas últimas, abrindo mão de ativos importantes para pagar dívidas.

Ao analisar o histórico de lucro, se achar algum ponto fora da curva (tanto para cima quanto para baixo), pesquise se naqueles trimestres ocorreu algum fator extraordinário afetando a empresa ou o setor.

Vale a pena prestar atenção especificamente ao lucro operacional, ou seja, aquele que é gerado pelo próprio trabalho da empresa, excluindo eventuais ganhos ou perdas da companhia com aplicações financeiras.

Um indicador muito usado para o lucro operacional é o chamado Ebitda (sigla em inglês para "lucro antes dos juros, impostos, depreciações e amortizações").

2. Margem Ebitda

O Ebitda, sozinho, pode não refletir muito bem a capacidade da empresa de gerar lucro e, portanto, de proporcionar ganhos ao acionista a longo prazo.

Uma companhia pode ter um Ebidta muito mais alto do que sua concorrente, simplesmente por ser uma empresa maior. Mas isso não quer dizer que ela, hoje, gera caixa com mais eficiência.

Por isso, é importante dividir o Ebitda pela receita líquida da companhia, cujo resultado é uma porcentagem chamada de margem Ebitda.

Uma empresa com alta margem Ebitda é aquela que, em comparação com o seu setor, é capaz de transformar uma grande parte da sua receita em dinheiro no bolso.

Se ela for capaz de se manter assim a longo prazo, a tendência é de oferecer cada vez mais retorno ao acionista.

3. ROE

O ROE (Return On Equity, em inglês), que é o retorno sobre o patrimônio, é outro indicador amplamente utilizado por analistas, calculado pelo lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido, cujo resultado é também um valor percentual.

Esse número mostra a capacidade de uma companhia de extrair lucro a partir dos recursos que ela tem.

Uma margem Ebitda alta acompanhada de um ROE baixo indica que a empresa está conseguindo transformar em lucro uma boa parte da receita, mas sua receita ainda é pequena.

Já se ela mantém esses dois indicadores em nível alto de forma duradoura, tende a aumentar os ganhos para o acionista a longo prazo.

4. Endividamento (DL/Ebitda)

Outro item a ser analisado em uma ação é o endividamento. Uma empresa pode ter uma margem Ebitda razoável, mas ao mesmo tempo ter uma dívida tão grande que vai atrasar muito o momento em que ela poderá oferecer bons proventos aos acionistas.

Uma forma de verificar o endividamento é dividir a dívida líquida pelo Ebitda. Esse indicador é amplamente utilizado e você pode encontrá-lo gratuitamente em sites especializados.

5. Retorno em dividendos (DY)

Por fim, se o seu interesse é receber dividendos o quanto antes, logicamente você vai investigar o retorno em dividendos, ou DY na sigla em inglês.

Uma forma de verificar esse indicador é somar os proventos por ação distribuídos nos últimos 12 meses e dividir o resultado pelo preço atual da ação.

É importante, no entanto, que se olhe para os dados históricos da empresa, para ver se ela paga dividendos de forma consistente.

Também vale notar que, se você pensa em viver de dividendos em um futuro distante, comprar uma ação que ainda não tem um bom DY pode ser até mais vantajoso, pois quando ela começar a pagar o preço estará muito alto.

Preço e risco

Vale a pena acrescentar mais um ponto: nenhum dos indicadores acima tem grande serventia se o preço da ação for desconsiderado.

Às vezes, a empresa vai muito bem nos itens listados acima e em diversos outros, mas, no momento, o preço da sua ação pode estar muito alto.

Essa, evidentemente, é a parte mais difícil de acertar, pois, se fosse fácil, o investimento na Bolsa não teria risco (e, portanto, teria um retorno baixo).

Mas uma coisa que se pode fazer (e é o que eu faço) é comprar ações de boas empresas (aquelas que vão bem nos indicadores acima, entre outros) quando todo o mercado está em forte queda.

Nos momentos de crise generalizada, muitos investidores vendem boas ações apenas por desespero. Ao comprá-las, você estará oferecendo liquidez (dinheiro) ao mercado e ainda por cima adquirindo ativos nos quais você acredita.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL