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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

8 fundos imobiliários que pagam mais dividendos do que ações na Bolsa

Exclusivo para assinantes UOL Economia+
Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

04/06/2021 04h00

Fundos de investimento imobiliário (FIIs) em geral são menos arriscados que ações de empresas, por isso espera-se que eles tenham também um retorno um pouco mais baixo. No entanto, existem FIIs hoje que estão com retornos em dividendos muito maiores do que a maioria das ações da Bolsa. Na coluna da semana passada, eu mostrei as oito ações que mais pagaram dividendos nos últimos 12 meses.

Na coluna de hoje, eu compartilho oito fundos com os maiores retornos em dividendos (DY, na sigla em inglês) no mesmo período —já lhe adianto: os dividendos dos FIIs são maiores que os da maioria das ações que mais pagaram proventos nos últimos 12 meses

Foram incluídos na lista somente papéis que têm oferecido proventos de forma estável. Não entram aqueles que estão com DY alto porque pagaram dividendos expressivos no passado e agora reduziram o ritmo.

8. Capitania Securities II (CPTS11)

  • Retorno em dividendos: 10,65% em 12 meses
  • Renda mensal de quem tem R$ 100 mil nesse FII: R$ 887,50

O retorno em dividendos do fundo Capitania Securities II acumulado nos últimos 12 meses foi de 10,65%. Isso quer dizer que os proventos pagos por cota desse fundo no período, somados, equivalem a 10,65% do que o valor atual da cota.

Dito de outra forma, quem investir R$ 100 mil nesse ativo tende a receber cerca de R$ 900 por mês até maio de 2022, caso o fundo continue pagando proventos no mesmo ritmo dos últimos 12 meses.

O Capitania Securities II é um fundo do tipo chamado "de papel", pois em vez de comprar diretamente os imóveis, ele adquire papéis, como cotas de outros FIIs. Atualmente, seu portfólio está distribuído principalmente entre fundos que detém imóveis comerciais, lajes corporativas e fábricas.

7. Banestes Recebíveis Imobiliários (BCRI11)

  • Retorno em dividendos: 11,19%% em 12 meses
  • Renda mensal de quem tem R$ 100 mil nesse FII: R$ 932,50

O fundo Banestes Recebíveis Imobiliários aumentou em 42% os proventos pagos em 2021 até o momento, em comparação com o mesmo período do ano passado, e o seu patrimônio líquido quintuplicou desde 2019.

O BCRI11 também é um fundo de papel. Ele investe em outros também de papéis, o que dificulta localizar qual é o perfil dos imóveis que estão possibilitando esse rendimento. Sabe-se, no entanto, que ele é um fundo de gestão ativa, ou seja, procura superar um determinado índice de referência.

6. BB Progressivo II (BBPO11)

  • Retorno em dividendos: 11,36% em 12 meses
  • Renda mensal de quem tem R$ 100 mil nesse FII: R$ 946,67

O BB Progressivo II investe em imóveis localizados principalmente nos estados de São Paulo e de Minas Gerais, e no Distrito Federal. Ele é classificado como um fundo de lajes corporativas.

O pagamento de proventos é bem regular e previsível, o que agrada investidores que já têm um bom patrimônio e não querem aumentá-lo, mas apenas receber uma renda mensal. Desde 2020, ele tem oferecido proventos de no mínimo R$ 1,05 por cota e no máximo R$ 1,10.

5. BB Progressivo (BBFI11B)

  • Retorno em dividendos: 12,43% em 12 meses
  • Renda mensal de quem tem R$ 100 mil nesse FII: R$ 1.035,83

Logo à frente do BB Progressivo II aparece, na nossa lista, o BB Progressivo, com características muito semelhantes. Ele também investe em lajes corporativas e paga proventos de forma bastante regular.

Em outubro e novembro de 2020, excepcionalmente, ele ofereceu dividendos em patamar 40% abaixo da sua média mensal, o que depois acabou sendo compensado por um aumento em dezembro e nos quatro primeiros meses de 2021.

4. Habitat II (HABT11)

  • Retorno em dividendos: 12,59% em 12 meses
  • Renda mensal de quem tem R$ 100 mil nesse FII: R$ 1.049,17

O fundo Habitat II já não tem uma previsibilidade tão boa no pagamento de proventos quanto os dois fundos do tipo BB Progressivo. Em junho do ano passado, por exemplo, ele pagou apenas R$ 0,60 por cota, enquanto em abril e maio de 2021, o valor foi de R$ 1,80.

É um FII recente, que pagou seus primeiros proventos em setembro de 2019, por isso pode não agradar os investidores que buscam mais estabilidade. O HABT11 é mais um fundo de papel que investe em outros FIIs de papel. Seu patrimônio líquido vem crescendo substancialmente, passando de R$ 233 milhões em 2019 para os atuais R$ 544 milhões.

3. REC Recebíveis (RECR11)

  • Retorno em dividendos: 12,92% em 12 meses
  • Renda mensal de quem tem R$ 100 mil nesse FII: R$ 1.076,67

O FII Rec Recebíveis Imobiliários aumentou em 45% os proventos pagos por cota nos cinco primeiros meses de 2021, em comparação com o mesmo período do ano passado. Com isso, o retorno em dividendos aumentou para 12,92%.

O RECR11 é um fundo de papel que investe em certificados de recebíveis imobiliários (CRI). Quem aplica nesse FII está indiretamente montando uma carteira diversificada de recebíveis. O Rec Recebíveis tem hoje mais de 50 CRIs na sua carteira, cada um deles reunindo recebíveis de diversos imóveis.

2. Hectare (HCTR11)

  • Retorno em dividendos: 16,86% em 12 meses
  • Renda mensal de quem tem R$ 100 mil nesse FII: R$ 1.405,00

O DY do Hectare é bastante alto em comparação com a maioria dos FIIs, mas é preciso levar em conta que se trata de um fundo relativamente novo, que distribuiu proventos pela primeira vez em julho de 2019.

A distribuição de proventos é mais irregular do que a maior parte dos fundos desta lista. Em março de 2020, por exemplo, os dividendos foram de R$ 1,92 por cota. Dois meses depois, caíram para R$ 0,94 e em dezembro do ano passado chegou a R$ 2,51. É um tipo de investimento para quem aceita uma certa instabilidade nos rendimentos.

1. Urca Prime Renda (URPR11)

  • Retorno em dividendos: 19,05% em 12 meses
  • Renda mensal de quem tem R$ 100 mil nesse FII: R$ 1.587,50

O retorno em dividendos do fundo Urca Prime Renda acumulado nos últimos 12 meses foi de 19,05%. Quem tem hoje R$ 100 mil nesse ativo tende a receber em média cerca de R$ 1.600 por mês até maio de 2022, caso o fundo continue pagando proventos no mesmo ritmo dos últimos 12 meses.

O URPR11 também deve ser visto com cuidado por ser um fundo recente, pois começou a pagar proventos somente em abril do ano passado. É outro exemplo de fundo de papel. Seu portfólio é composto de sete CRIs, cada um com recebíveis diretos ou indiretos de diversos imóveis.

O Urca Prime Renda é um ativo para quem aceita correr um risco maior, não só por ser muito recente, mas também por distribuir proventos de forma bastante irregular. Nos últimos 12 meses, os dividendos variaram entre R$ 0,81 e R$ 3,24.

Importante

Esta coluna não é uma recomendação de compra nem de venda de ativos. Eu apenas compartilho aqui alguns dados que podem ajudar os leitores a escolherem melhor seus investimentos, cada um de acordo com o seu perfil de risco.

Os dados sobre o retorno potencial de um investimento de R$ 100 mil, apresentados em cada item deste texto, não são garantidos e podem variar tanto para mais quanto para menos, ou mesmo cair a zero. É um risco do qual nenhum FII está livre.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL