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Inflação caiu; como ficam seus investimentos na poupança, Tesouro ou CDB?

12/08/2022 04h00

Sabia que os seus investimentos podem ter sido afetados, de uma forma ou de outra, pela deflação registrada no Brasil?

Em julho, o principal índice de preços do país, o IPCA, teve uma queda de 0,68%. Além disso, diversos analistas acreditam que haverá uma nova queda em agosto.

Abaixo eu explico como isso prejudica ou favorece aplicações como poupança, Tesouro Direto, CDB, LCA e LCI.

Olhe sempre a rentabilidade real

Antes de começar, é preciso ter em mente que a rentabilidade de um investimento pode ser considerada em termos absolutos ou pode descontar a inflação. A primeira forma é chamada de rentabilidade nominal, e a segunda, real.

Se um investimento rendeu 2%, essa é a sua rentabilidade nominal. Mas se, no período, a inflação foi de 1,5%, dizemos que a rentabilidade real foi de 0,5%.

No mais das vezes, o que interessa, de verdade, para o investidor é a rentabilidade real. É ela que mede se você ganhou ou perdeu poder de compra.

Agora, vamos ver caso a caso como as aplicações se comportam em um cenário de deflação.

Poupança

Se você tem dinheiro na poupança, saiba que ele nunca diminui. Nem com inflação, nem com deflação. O que acontece é que, frequentemente, a poupança tem uma rentabilidade abaixo da inflação.

Em junho, por exemplo, ela rendeu cerca de 0,69%, enquanto a inflação foi de 0,67%. Ou seja, naquele mês, se você tinha dinheiro na poupança, ela apenas fez com que você não perdesse poder de compra.

Já em julho, o rendimento da poupança foi quase igual, cerca de 0,71%. Mas, como tivemos uma deflação de 0,68%, na prática quem tinha dinheiro na caderneta teve um ganho de mais de 1% no seu poder de compra.

Nota sobre a inflação: o IPCA, como qualquer índice de preços, é uma referência genérica. Os preços no supermercado que você frequenta podem ter subido mais do que a média, por exemplo.

Por conta disso, não encare esse ganho de 1% no poder de compra como algo preciso. O essencial é saber que a média dos preços no país caiu, enquanto a rentabilidade da poupança subiu.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic, como diz o nome, acompanha a taxa básica de juros do país, a chamada Selic. Como a taxa Selic não diminui com a deflação, o rendimento desse título não é prejudicada a curto prazo.

Em julho, o Tesouro Selic rendeu cerca de 0,8%, já descontado o Imposto de Renda. Assim, de considerarmos o cenário de deflação, o poder de compra de quem aplicou nesse título aumentou em torno de 1,5%.

Se a deflação persistir por muito tempo, é possível que o Banco Central volte a reduzir os juros, reduzindo a rentabilidade do Tesouro Selic. Mas esse cenário é pouco provável no momento.

Ainda assim, mesmo se o BC reduzisse fortemente a taxa de juros, saiba que você não teria rentabilidade negativa com o Tesouro Selic; teria apenas uma rentabilidade menor do que a atual.

Tesouro Prefixado

O cenário de deflação é o melhor dos mundos para quem aplicou no Tesouro Prefixado. Por definição, a rentabilidade nominal não muda.

Se você investiu nesse título quando a rentabilidade estava em 12% ao ano, não importa o que aconteça com o IPCA, seu dinheiro vai render 12% ao ano, menos o Imposto de Renda.

Se o IPCA subisse 13%, por exemplo, você teria uma rentabilidade real negativa. Mas, por outro lado, quando temos deflação, a sua rentabilidade real aumenta.

Tudo isso só vale se você mantiver o título até a data de vencimento. Se resgatar antes, o seu ganho vai depender de como está a procura pelo seu título no mercado.

Por conta disso, não faz sentido calcular qual teria sido a rentabilidade real desse título em julho, especificamente. O importante é saber que, quanto mais baixa for a inflação acumulada até a data de vencimento, melhor para o investidor.

Tesouro IPCA

Ao contrário do que muitos pensam, a deflação melhora a rentabilidade real do Tesouro IPCA. Como esse título acompanha a inflação, em geral as pessoas acham que, caso o IPCA fique negativo, o rendimento desse título vai piorar.

Em termos nominais, sim, há uma piora; mas o rendimento real fica maior. Isso acontece porque, em caso de deflação, não há Imposto de Renda sobre o papel.

Por exemplo, hoje esse título está rendendo cerca de IPCA mais 0,45% ao mês. Se a inflação fica em 1% no mês, a rentabilidade real fica em 0,23%, já descontado o Imposto de Renda.

Já em um caso de deflação de 0,68%, como ocorreu em julho, a rentabilidade bruta ficaria negativa (-0,23%), mas a real ficaria positiva em 0,45%.

CDB, LCA e LCI

Os investimentos de renda fixa como CDB, LCA e LCI seguem a mesma lógica do Tesouro Direto.

Se o CDB, a LCA ou a LCI for pós-fixado, ele terá um impacto equivalente ao do Tesouro Selic. Já se eles forem prefixados, seguirão a lógica do Tesouro Prefixado. Se forem indexados ao IPCA, acompanharão o Tesouro IPCA.

Resumindo

Se olharmos para a rentabilidade nominal, temos a impressão de que os investimentos indexados ao IPCA, como o Tesouro IPCA, teriam uma perda. Ao mesmo tempo, os pós-fixados e o prefixados não teriam mudança.

Na prática, no entanto, quando olhamos a rentabilidade real, nenhuma aplicação de renda fixa é prejudicada pela deflação, se compararmos a um cenário com inflação. Vale dizer que as prefixadas, particularmente, tendem a ter um ganho mais expressivo que as demais, em épocas de quedas de preços na economia.

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