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Empresas do setor elétrico oferecem boa renda extra com dividendos; veja

As empresas de transmissão de energia têm maior destaque; entenda baixo o porquê - Getty Images/iStock
As empresas de transmissão de energia têm maior destaque; entenda baixo o porquê Imagem: Getty Images/iStock
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06/04/2022 11h00

Um dos setores favoritos dos investidores que prezam por uma estratégia focada no recebimento de dividendos —isto é, proventos derivados de lucros de companhias listadas na Bolsa, que são repartidos entre os investidores— é o elétrico. Empresas de energia elétrica figuram, frequentemente, entre as melhores pagadoras, o que pode oferecer uma boa renda extra a quem investe nelas.

Diante disso, quais os diferentes segmentos de atuação existentes dentro do setor? Qual a importância de saber disso antes de definir o melhor investimento? Felipe Bevilacqua, analista da Levante Ideias de Investimentos, tira essas dúvidas logo abaixo e diz, ainda, qual companhia pode ser uma ótima opção para você adicionar em sua carteira.

Geração, transmissão e distribuição: qual a diferença?

O setor de energia elétrica engloba, de maneira geral, três segmentos distintos de atuação: geração de energia, transmissão e distribuição, segundo Bevilacqua.

Geração: companhias que investem na construção e operação da infraestrutura necessária para captar a energia fornecida pelas mais diversas fontes, sejam elas renováveis, fósseis ou nucleares.

Transmissão: empresas que conduzem a energia produzida pelas geradoras até as distribuidoras. Esse processo se dá por meio de cabos aéreos revestidos com materiais isolantes e presos a torres por todo o trajeto.

Distribuição: companhias que distribuem a energia por suas linhas, fazendo com que ela chegue ao consumidor final com segurança. Também são responsáveis por fazer a medição do consumo de energia e calcular o valor da conta de luz.

"Tendo isso em mente, é importante saber que existem companhias que atuam em mais de um segmento, até mesmo em função da complementaridade dos processos envolvidos em cada um deles", diz o analista da Levante.

Pagadoras de dividendos

De acordo com Bevilacqua, as companhias de energia elétrica contam com uma série de vantagens que tornam o setor mais previsível e rentável do que a média. Isso, portanto, permite que essas empresas figurem entre as melhores pagadoras de dividendos da Bolsa de Valores brasileira (B3).

Dentre essas vantagens, ele destaca os longos prazos dos contratos e concessões estabelecidos entre as companhias e o poder público, e a constante demanda por energia elétrica, que tornam as receitas do setor mais previsíveis.

"Além disso, os serviços prestados por tais empresas tendem a configurar monopólios naturais, ou seja, situações nas quais é muito difícil —ou até impossível— a entrada de novos concorrentes em uma determinada região", declara. "Esses fatores tornam o modelo de negócios das empresas do setor altamente rentável e lucrativo".

Por fim, devido à dificuldade de reinvestir uma parcela significativa de seus lucros em novas operações, devido a limites regulatórios, ambientais e de demanda, as empresas de energia tendem a distribuir a maior parte de seus lucros na forma de dividendos.
Felipe Bevilacqua, analista da Levante

O setor de energia no Brasil

O Brasil possui uma matriz elétrica majoritariamente limpa e renovável, com destaque para a forte parcela de energia produzida por usinas hidrelétricas. De acordo com dados do Balanço Energético Nacional (BEN), 83% da energia elétrica consumida no país em 2019 era proveniente de fontes renováveis, enquanto a média global é de 27%.

Por conta da vasta bacia hidrográfica brasileira, 65,2% da energia consumida no Brasil era proveniente de fontes hidráulicas em 2020, ainda de acordo com dados do BEN. Tal fato torna toda a rede elétrica brasileira mais vulnerável ao desabastecimento dos reservatórios das usinas em períodos de seca, como foi observado na crise hídrica de 2021.

Dessa forma, uma série de geradoras de energia têm investido na diversificação de seus portfólios, sempre priorizando fontes limpas, como a energia eólica e a solar.

"Também devido a esses fatores, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada em relação ao restante do mundo no que diz respeito ao movimento de transição energética, que consiste na substituição de fontes poluentes e não renováveis por matrizes limpas e renováveis", afirma Bevilacqua.

Isa Cteep  - LUIS JAIME ACOSTA - LUIS JAIME ACOSTA
Logo da colombiana Isa, controladora da Isa Cteep, fotografado em Medellín
Imagem: LUIS JAIME ACOSTA

Isa Cteep e as vantagens do segmento de transmissão

A Isa Cteep (TRPL4) é a maior empresa privada do segmento de transmissão de energia elétrica no Brasil. Presente em 17 estados, ela responde pela transmissão de 33% da energia consumida no país. São Paulo é o estado no qual a companhia possui a maior presença, sendo responsável por 94% da transmissão de energia na região.

Desde sua privatização em 2006, a companhia é controlada pelo grupo colombiano Isa, o maior em transmissão de energia da América Latina, que detém 90% do capital votante e 36% do capital total da Isa Cteep.

"Como dito anteriormente, companhias do setor de energia elétrica contam com uma série de vantagens devido à natureza do seu ramo de atuação. Ainda assim, o segmento de transmissão é favorecido por algumas peculiaridades, que o tornam menos suscetível aos riscos que afetam as geradoras e distribuidoras", diz o analista.

Em primeiro lugar, ele afirma que, por não atuar no segmento de geração, os custos envolvidos nesse processo e os riscos de desabastecimento não exercem forte influência sobre os resultados das transmissoras.

Além disso, os contratos de transmissão são definidos previamente e possuem um valor fixo. Ou seja, mesmo que o contratante não utilize toda a capacidade contratada, ele pagará o valor integral.

Devido a esses fatores, as transmissoras de energia normalmente conseguem pagar bons dividendos mesmo quando o cenário é negativo para o setor de energia como um todo.

"Em 2021, a Isa Cteep pagou R$ 3,58 por ação em proventos, o que representa um dividend yield (rendimento do dividendo) de 14,76%, número alto mesmo para o segmento de transmissão", declara.

Vale investir em empresas de energia elétrica

"Se você investe pensando no recebimento de dividendos, ações de empresas do setor de energia elétrica precisam fazer parte da sua carteira de investimentos", diz Bevilacqua.

Para ele, o segmento de transmissão se destaca por estar imune à boa parte dos riscos aos quais o setor está sujeito, especialmente se tratando da possibilidade de desabastecimento dos reservatórios das hidrelétricas, no caso do Brasil.

Acesse aqui o relatório completo da Levante sobre dividendos do setor elétrico.

Carteiras conforme o perfil

Para quem ainda não pegou as recomendações de investimentos, elas estão a seguir:

- Carteira para quem não aceita risco algum

- Carteira para quem tem perfil mais conservador, mas aceita um pouquinho de risco

- Carteira para quem é mais moderado

- Carteira para quem aceita mais risco

- Carteira para quem aceita alto risco

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Este material foi elaborado exclusivamente pela Levante Ideias e pelo analista Felipe Bevilacqua (sem qualquer participação do Grupo UOL) e tem como objetivo fornecer informações que possam auxiliar o investidor a tomar decisão de investimento, não constituindo qualquer tipo de oferta de valor mobiliário ou promessa de retorno financeiro e/ou isenção de risco . Os valores mobiliários discutidos neste material podem não ser adequados para todos os perfis de investidores que, antes de qualquer decisão, deverão realizar o processo de suitability para a identificação dos produtos adequados ao seu perfil de risco. Os investidores que desejem adquirir ou negociar os valores mobiliários cobertos por este material devem obter informações pertinentes para formar a sua própria decisão de investimento. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, podendo resultar em significativas perdas patrimoniais. Os desempenhos anteriores não são indicativos de resultados futuros.