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Fundo cambial rende 43% no ano; ainda vale entrar e apostar no dólar?

Exclusivo para assinantes UOL Economia+

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

10/11/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Fundos de investimento que acompanham dólar estão com rendimento de 43% em 2020
  • Desempenho desse fundo é o segundo melhor do mercado brasileiro, segundo a Anbima
  • Veja casos em que investir em fundo cambial vale a pena mesmo após valorização

A valorização do dólar está alimentando o bom desempenho dos fundos cambiais, que estão com ganhos de 43,3% no ano, segundo dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), muito acima de fundos de renda fixa e de fundos de ações.

Para quem já tem dinheiro aplicado nessas carteiras, vale comprar mais ou é o caso de se desfazer do investimento para garantir o lucro até aqui? Para quem não pegou o bonde, ainda dá para entrar? Em ambos os casos, depende de qual é o seu objetivo, dizem especialistas.

Descubra a seguir o que é melhor fazer com seu dinheiro.

O que é fundo cambial?

É um produto que aplica em moedas ou ativos que acompanham cotações de moedas.

O gestor pode adquirir as moedas físicas, mas o mais comum é a negociação na Bolsa, a B3, de contratos que seguem os preços dessas moedas. Há contratos que representam o dólar à vista e contratos com diferentes prazos de vencimento no futuro.

Em quais moedas o fundo cambial investe?

A mais usada pelos gestores brasileiros é o dólar, que representa a maior economia do mundo e é a moeda mais usada em trocas internacionais.

Mas há fundos cambiais que investem em outras moedas, como euro. E fundos cambiais que compram outros ativos que de alguma forma seguem o dólar, por serem cotados na moeda americana, como metais (ouro e prata).

Quais os objetivos?

  • Proteção: Fundos cambiais que investem em moedas fortes, como o dólar, funcionam como um porto seguro em momentos de volatilidade dos mercados, como está acontecendo em 2020.

O fundo cambial costuma ter uma correlação negativa com a Bolsa. Quando a Bolsa cai, o dólar usualmente sobe, e o fundo cambial mitiga a perda.
Marcos de Callis, estrategista da Hieron Patrimônio Familiar e Investimentos

  • Diversificação: São uma forma de investir em ativos que não dependem da economia brasileira, o que permite que o investidor aproveite oportunidades em países que estão com desempenho melhor que o nosso.

Como investimento de longo prazo, faz sentido ter uma parte da poupança em moeda forte.
Ronaldo Guimarães, sócio diretor do banco digital Modalmais

  • Viagens ou compras em dólar: Para quem planeja viajar ou comprar um produto com preços em moeda estrangeira, separar uma parte do dinheiro e aplicar em fundo cambial funciona como uma garantia. O objetivo não é lucrar, mas manter o poder de compra daquela reserva separada para um objetivo específico.

"O fundo cambial serve para adequar o passivo, em caso de viagem, por exemplo. É uma forma fácil de ter a proteção, sem ter que sair do Brasil", diz o responsável por renda fixa e multimercados da BNP Asset Management, Gilberto Kfouri.

Vale a pena entrar nessa agora?

  • Se o objetivo for segurança: Se a ideia é separar uma fatia da carteira para proteção ou para pagar uma despesa em dólar no futuro, fundos cambiais continuam sendo uma alternativa válida, mesmo após a alta deste ano, dizem especialistas.

O aplicador sempre tem que ter alguma forma de proteção na carteira. Pode ser com dólar, ouro ou prata. Em momentos mais incertos, cabe mais proteção, enquanto em momentos mais estáveis, pode haver menos proteção.
Rodrigo Knudsen, gestor da Vítreo DTVM

  • Se o objetivo for diversificar: O momento pode não ser o melhor para começar essa aplicação. Segundo gestores, o dólar até pode seguir em alta, mas o risco de que a moeda passe por um ajuste e caia --impactando os fundos cambiais-- não pode ser descartado.

"Estamos com um patamar de real muito desvalorizado. Eu até começaria a entrar na ponta contrária [vender dólar] ", diz o economista-chefe da Frente Corretora de Câmbio, Fabrizio Velloni.

Já aplico em fundo cambial. Compro mais?

  • Se o objetivo for segurança: A sugestão de especialistas é manter o percentual que esse produto tinha em relação à carteira antes da pandemia. Isso pode significar até vender parte da aplicação.

Por exemplo, quem tinha 10% da carteira aplicados em fundos cambiais no início do ano, agora deve ter mais de 14% nesse ativo, visto que ele subiu 40% este ano e outros investimentos renderam menos ou até se desvalorizaram. A dica então seria vender esses 4% excedentes, para recompor o equilíbrio da carteira.

  • Se o objetivo for diversificar: Aqui há espaço para ampliar o produto, se o foco for o longo prazo.

"O aplicador pode aumentar de forma tática, por conta do risco ou de oportunidades", afirma o sócio da Inove Investimentos, Rafael Antunes.

Preste atenção a três coisas antes de escolher

Antes de escolher um fundo, especialistas recomendam que você considere esses pontos:

  • Prazos dos ativos: Fundos que aplicam em contratos de dólar na Bolsa com prazos mais curtos, de um mês, por exemplo, tendem a acompanhar a variação da moeda americana mais de perto. Já fundos que operam com contratos futuros de longo prazo e que apostam em ativos que segue também juros tendem a apresentar maior volatilidade.
  • Impostos: Os fundos sofrem cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e de Imposto de Renda, sobre a rentabilidade das carteiras.

A alíquota depende de o fundo ser de curto prazo (22,5%, para aplicação até 180 dias, e de 20% para saques após esse período) ou de longo prazo (tabela regressiva, variando de 22,5% para até 180 dias a 15% para saques após 720 dias).

  • Taxas de administração: Fundos cambiais mais tradicionais, que acompanham apenas o dólar, tendem a ter taxas de administração mais baixas, inferiores a 0,3%.

Já carteiras que buscam superar a variação do dólar investindo em outros ativos, como contratos futuros de juros em dólar, podem ter taxa de administração maior e, ainda, cobrar taxa de performance, sobre o rendimento do fundo.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.