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Nova fase da Via, dona da Casas Bahia, não convence investidores; entenda

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Carolina Pulice

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/04/2021 17h38

A mudança de nome de uma das maiores empresas de comércio do país, a Via Varejo (dona da Casas Bahia e do Pontofrio), levantou questionamentos no mercado financeiro sobre o futuro da companhia. A empresa, agora chamada Via, anunciou a mudança de nome e logo, e seu slogan passou a ser "imagine caminhos".

Embora o anúncio parecesse promissor, o mercado não reagiu de maneira completamente otimista, e as ações da companhia fecharam a terça-feira com queda de 5,3%, valendo R$ 11,16. Nesta quarta (28), a empresa (VVAR3) não recuperou as perdas do dia anterior e fechou com alta de 0,49%.

Entenda por que a empresa ainda gera desconfiança dos investidores e se vale o investimento.

Tendência de queda não é recente

Não é de hoje que a empresa tem mostrado tendência de queda na Bolsa, principalmente no último ano, em que a economia brasileira foi duramente afetada pela pandemia e milhões de famílias diminuíram seu consumo. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o consumo das famílias apresentou queda de 5,5% no ano anterior em comparação com 2019, maior queda em cinco anos.

A empresa vem num processo de turnaround [ou seja, ela voltava a crescer], mas foi fortemente impactada pela pandemia [no ano passado]. A mudança de nome é como se fosse mais uma etapa desse processo de digitalização, com mais melhorias.
Pedro Lang, head de renda variável da Valor Investimentos

A Via, que além de deter a Casas Bahia também é dona do Pontofrio (que passou a se chamar Ponto), tenta se colocar no mercado como uma marca digital, e não somente física. De acordo com a casa de análises Nord Research, a ideia é superar a "imagem de empresa antiga".

A companhia confirmou tal análise dizendo em seu comunicado que "a Via não é mais uma empresa de varejo, e que já está indo além".

"No último ano, a empresa se reinventou, rompeu e unificou as barreiras físicas e digitais das lojas, sites e apps, também se associou a startups que deram ainda mais velocidade ao sistema logístico e tecnológico, rejuvenesceu a marca Casas Bahia e mudou toda a plataforma de marketplace, acelerando a entrada de novos sellers diariamente", afirmou a empresa.

Nova fase é tentativa de mostrar recuperação

Em 2020, a companhia apresentou ganho de 12,7% em sua receita líquida, de R$ 28,9 bilhões, e recuperação do lucro líquido para R$ 1 bilhão, após registrar prejuízo de R$ 1,4 bilhão no ano anterior.

Para analistas, a mudança de nome representa, portanto, uma tentativa de mostrar que a empresa recuperou seus desafios e tende a crescer no futuro. Porém, mesmo com a mudança, a companhia ainda não é a escolha favorita das casas de investimento.

"A Via (VVAR3) não é a nossa top pick para o segmento de varejo online, mas é uma empresa muito relevante do setor", afirma Vitor Carvalho, analista de equities da Investmind.

De acordo com o analista, a empresa ainda precisa incrementar o modelo de marketplace, com mais indivíduos vendendo em sua plataforma, e ofertar uma maior variedade de produtos.

Esse é um processo que ainda deve durar mais um ou dois anos até que ela consiga alcançar seus pares do setor. Ainda preferimos nos manter observando o desempenho do papel.
Vitor Carvalho, analista de equities da Investmind

Para aquele investidor que deseja apostar na companhia, a dica dos analistas é ficar atento ao segmento de comércio, uma vez que a pandemia atingiu de maneira muito importante o consumo, e a economia brasileira tende a se recuperar somente no médio e longo prazo.

"Tem que ter seletividade e visão de longo prazo, para poder investir em empresas nesse segmento, e com a Via não é diferente" completa Pedro Lang, da Valor Investimentos.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.