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6 investimentos que estão perdendo para a inflação; não é só a poupança

Exclusivo para assinantes UOL

Camila Mendonça

Do UOL, em São Paulo

14/05/2021 04h00

A inflação desacelerou em abril, para 0,31%, mas avançou no acumulado dos últimos 12 meses, de 5,2% para 6,76%. No ano, a inflação acumula alta de 2,37%. "A inflação diminui o poder de compra. Um produto que você comprou por R$ 1.000 há 12 meses você já não consegue comprar agora com os mesmos R$ 1.000", explica Lucas Madaleno, planejador financeiro da LM Finanças Pessoais.

Para quem investe, a lógica é a mesma. Se você olha apenas a rentabilidade nominal, aquela que está sendo mostrada no seu aplicativo da corretora ou no home broker (sistema das corretoras através do qual você compra e venda de ações), você pode não enxergar que está tendo rentabilidade negativa.

Para mostrar na prática o peso da inflação nos investimentos, Madaleno fez as contas, a pedido do UOL, para mostrar quais são os investimentos que, hoje, estão perdendo para a inflação —a poupança está na lista, mas não é a única. Confira quais são esses investimentos e entenda onde investir para se proteger dessas perdas, segundo especialistas.

Em 2021, nem o Ibovespa escapou

Considerando a inflação acumulada no ano de 2021, nem mesmo o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores, conseguiu entregar retorno real, acima da inflação. Embora a poupança leve a fama de fazer os investidores perderem dinheiro, quem está no topo da lista da rentabilidade real negativa é o Ifix, índice de fundos imobiliários da Bolsa.

Para os mais conservadores, que apostam na renda fixa, só é possível quase empatar com a inflação em CDBs que pagam acima de 407% do CDI e LCIs que rendam pelo menos 315% do CDI, segundo cálculos do planejador financeiro.

A reportagem tentou encontrar, entre as principais corretoras e plataformas de comparação de investimentos de renda fixa, CDBs e LCIs que paguem acima desses percentuais, e encontrou apenas um CDB de banco médio, que promete rentabilidade de 197,58%, com vencimento em 10 anos, sem liquidez. Entre as LCIs, o máximo encontrado foi de 45,87% do CDI, com vencimento em quatro anos.

Os dois ativos encontrados não têm rating, ou seja, não são avaliados por agências de risco —são investimentos, portanto, de alto risco, apesar de serem de renda fixa.

Veja no gráfico quanto você perdeu se tivesse investido R$ 1.000 em seis investimentos, considerando a rentabilidade acumulada de 2021 —do início do ano até a última quarta (12).

Em 12 meses, 4 investimentos perdem para a inflação

Veja o gráfico abaixo, os investimentos que perdem para a inflação, considerando o acumulado dos últimos 12 meses. Nessa comparação, o Ibovespa e o Ifix entregam rentabilidade real positiva para o investidor.

Como se proteger da inflação?

Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, a inflação tem um peso diferente dependendo do prazo de investimento.

Para o curto prazo, até um ano, a preocupação com a inflação pode ser muito menor, e você compensa o mês investindo um pouco mais de dinheiro. No médio prazo, de um até uns três anos, você pode se preocupar mais, e deve buscar investimentos atrelados à inflação. Para o longo prazo, e para projetos maiores, como compra de um imóvel, aposentadoria, independência financeira, não olhar para inflação pode ser fatal.
Lucas Madaleno, planejador financeiro

Roberto Costa Agi, planejador financeiro da Planejar, ainda ressalta que, embora a inflação oficial do País seja o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cada pessoa tem uma inflação individual. As classes mais baixas, por exemplo, sentem uma inflação muito acima dos 6,76%, porque gastam grande parte da renda em alimentos —justamente o grupo que tem apresentado as maiores altas de preços.

Segundo o planejador, é preciso olhar para a sua inflação individual e tentar reduzi-la antes de investir. Fazer esse controle e tentar diminuir esses gastos pode ajudar a aumentar a fatia para os investimentos.

É ver onde dá mesmo para cortar. Se eu precisar mudar a minha cesta de bens e serviços onde eu consigo mexer? Fazer essa conta é chato, mas essa é a base do orçamento financeiro --esse passo é o primeiro antes de qualquer investimento.
Roberto Costa Agi, planejador financeiro

Investimentos que rendem acima da inflação

O caminho para quem quer fugir da rentabilidade negativa é justamente atrelar os investimentos ao índice de inflação, considerando as expectativas futuras. Segundo o último Boletim Focus, do Banco Central, o mercado projeta uma inflação de 5,06% até o final de 2021, de 3,61% em 2022, e de 3,25% em 2023 e 2024. Sabendo disso, o investidor deve buscar alternativas que rendam mais do que isso, segundo Costa Agi.

Primeiro tem de ter uma mudança de mentalidade: ainda tem muita gente com ativos indexados à Taxa Selic. Tem ativos que são indexados ao IPCA mesmo e existem outros que se valorizam à medida que a inflação sobe. O primeiro passo é olhar para o Tesouro IPCA, para aquela caixinha de investimentos de médio e longo prazo.
Roberto Costa Agi

Há ainda, segundo o especialista, CDBs indexados ao IPCA, e debêntures incentivadas (isentas de Imposto de Renda), que pagam acima da inflação esperada para o ano. Até para quem investe em ações há alternativas para tentar se proteger.

O mais importante quando vemos um momento de inflação é tentar se posicionar em empresas que têm algum poder de passar preços para frente, empresas que têm muitas exportações, por exemplo.
Felipe Bevilacqua

As empresas que corrigem o seu produto ou serviço pela inflação, como empresas de energia, planos de saúde, têm receita de certa forma protegida da inflação, e por consequência, os seus dividendos também ficam protegidos. Fundos imobiliários também, por conta de muitos aluguéis que são reajustados pelo IGPM, que subiu mais que o IPCA.
Lucas Madaleno

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.