PUBLICIDADE
IPCA
+0,83 Mai.2021
Topo

Investimento ou golpe: 9 sinais de que oferta tentadora é uma cilada

Denúncias recebidas pelo órgão regulador do mercado no Brasil cresceram 76,6% em 2020 ante 2019 - Getty Images/iStockphoto
Denúncias recebidas pelo órgão regulador do mercado no Brasil cresceram 76,6% em 2020 ante 2019 Imagem: Getty Images/iStockphoto
Exclusivo para assinantes UOL

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

18/05/2021 04h00

Resumo da notícia

  • Cresce número de golpes contra investidores no Brasil, segundo órgão regulador
  • Com queda de juros e redes sociais, golpistas exploram investidor ambicioso e desavisado
  • Veja 9 sinais de que proposta é um golpe e o que fazer se cair na armadilha

Os golpes estão crescendo no mundo dos investimentos no Brasil. Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), as denúncias recebidas pelo órgão regulador do mercado cresceram 76,6% em 2020 ante 2019, atingindo 325 casos. E desse total, 175 foram de esquemas de pirâmide.

Segundo profissionais de mercado, golpistas estão sempre tentando tirar dinheiro dos investidores, mas recentemente dois fatores estão alimentando mais essa onda. Os juros baixos e o crescimento das redes sociais.

"Os juros baixos têm ampliado o público que pode investir em mais produtos e também a quantidade de empresas de mercado. Mas esse ambiente também atrai oportunistas e golpistas", afirma Daniel Maeda, superintendente de relações com investidores institucionais da CVM. Confira quais são os nove sinais de que aquela oferta de rentabilidade pode ser, na verdade, um golpe.

Por que os golpes estão crescendo?

Aplicações tradicionais de renda fixa historicamente proporcionavam ganhos sem riscos ao brasileiro. Mas com a queda dos juros, quem estava acostumado a isso ficou insatisfeito e começa a buscar algo que tenha bom rendimento, que seja fixo e sem riscos. O que não existe hoje.
Valter Police, diretor de planejamento financeiro da Fiduc

Veja abaixo nove indícios de que a oferta de um novo investimento pode ser um golpe.

1. Oferta vem de pessoa física

Golpes são praticados por pessoas que sequer têm empresas. É mais fácil para o golpista e deixa menos rastros. Por isso, a maioria dos golpes no mundo dos investimentos parte de pessoa física. O investidor deve sempre pesquisar se a pessoa que está oferecendo a aplicação é um profissional certificado e qualificado. Veja aqui como buscar essas informações.

2. Proposta para poucos

Outro indício de que uma proposta de investimento não passa de um golpe é que juntamente com ela vem um comentário destacando que essa oferta é para poucos e que você foi selecionado.

Mesmo que a dica venha de uma pessoa conhecida ou famosa, é importante checar. A pessoa também está sendo enganada ou o famoso que faz propaganda está fazendo isso para faturar sem ter informações sobre o produto.
Gabriela Mosmann, analista de investimentos (CNPI) da Suno Research

3. Empresa desconhecida

Se a proposta de investimento chegou através de uma empresa da qual você nunca ouviu falar, o primeiro passo é: desconfie. O segundo passo é pesquisar. Ainda mais se for empresa que acabou de ser criada. Consultou no Google e não encontrou nada ou quase nada dessa marca, é melhor evitar.

4. Retorno garantido

Não existe investimento com retorno garantido além daquelas aplicações com proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), criado pelo governo para reembolsar aplicadores que têm dinheiro em uma instituição financeira que tenha quebrado ou falido. Fora isso, não existe retorno garantido.

5. Ganho oferecido muito maior que a taxa básica de juros do país

A taxa básica de juros, a Selic, está hoje em 3,5% ao ano. Esse índice é a base de cálculo para muitas aplicações de renda fixa. Se a oferta promete retorno fixo e bem superior a esse patamar, desconfie. Compare o ganho oferecido também a produtos parecidos em bancos ou corretoras conhecidas. E se esse produto não existe em instituições financeiras de mercado é mais um motivo para desconfiar.

6. Garantia de aplicação sem risco

Para entregar mais que o ganho de aplicações tradicionais de renda fixa, o gestor vai ter que aplicar em algo que corre risco, como ações ou fundos imobiliários. Pode até render mais, mas existe sim o risco de variação negativa em alguns momentos. Se alguém promete ganhos altos sem riscos é indício de golpe.

7. Urgência para o depósito

Golpes sempre pedem urgência ao aplicador. O golpista diz que se o investidor não fizer a transferência naquele momento, a oportunidade será desperdiçada. É apenas uma forma de pegar o seu dinheiro o quanto antes e sumir.

8. Depósito em conta de terceiros

Se a oferta de investimento pede que a pessoa coloque o dinheiro em uma conta de terceiros é um sinal de golpe. Quando alguém vai investir, o dinheiro sempre vai para uma conta no nome dela mesma. Se ela for transferir dinheiro de sua conta para uma nova instituição financeira, a conta que vai receber o depósito será aberta antes e em nome desse mesmo CPF.

Você não precisa colocar dinheiro na mão de terceiros para aplicar em bitcoins, por exemplo. Nas plataformas de investimento, a pessoa sempre transfere o dinheiro de uma conta dela para outra conta dela mesma.
Jansen Costa, sócio-fundador da Fatorial Investimentos

9. Bônus por indicar pessoas

Oferta de investimento que promete bônus ou ganhos extras para a pessoa que indicar mais clientes é forte indício de pirâmide. Veja aqui como funciona esse crime financeiro.

Não existe comissão para investidor que indicar outros investidores. Esse é um sinal de pirâmide. Nenhum investimento de verdade, incluindo os de criptomoedas, oferece bônus por indicação de outros clientes.
Tasso Lago, especialista em criptomoedas e fundador da Financial Move

Como se prevenir e o que fazer se cair no golpe?

Se mesmo com algumas evidências a pessoa decidir arriscar o dinheiro em um negócio que apresente um ou mais desses indícios acima, algumas medidas simples podem ser tomadas para o investidor, ao menos, tentar recuperar parte do prejuízo e colocar o golpista na mira da justiça.

Salve imagens da tela: é bom o investidor sempre tirar prints das telas do dispositivo que usa para a aplicação -smartphone, computador ou notebook- e manter registros de todos os valores aplicados e das conversas feitas.

Guarde comprovantes: outro documento que vale é o de transferência. Se em reais, o comprovante de transação bancária. Caso a transação seja realizada em criptomoedas, a pessoa deve guardar o comprovante das Hashes -similar ao comprovante de transação bancária no sistema tradicional, só que na blockchain.

Acompanhe de perto: mantenha contato sempre com o profissional ou a empresa que ofereceu o investimento. Cheque o saldo constantemente e questione qualquer alteração no valor. Qualquer dificuldade para sacar - pedido de um prazo além do que estava combinado para o saque - é também um indício de que há algo errado com essa aplicação.

Se a pessoa foi vítima de um golpe, primeiramente, deve buscar as autoridades reguladoras, como a CVM, denunciando o caso. É importante também fazer um registro na delegacia da região ou numa delegacia especializada. Feito isso, é interessante buscar um profissional especializado nesta área. Artêmio Picanço, advogado especialista em mercado de capitais, blockchain e golpes financeiros na Picanço F. Braga Advogados

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.