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Você pode investir em estrangeiras como McDonald's e Coca e ganhar em dólar

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

31/05/2021 04h00

A efervescência na Bolsa de Valores nos últimos anos e a alta persistente do dólar faz com que ações que pagam dividendos na moeda norte-americana sejam muito procuradas pelo investidor brasileiro.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o investidor não tem acesso direto a esses papéis, mas pode recorrer aos BDRs (Brazilian Depositary Receipts), certificados relacionados a ações estrangeiras. Nem todo BDR paga dividendo, e quando paga é uma parte dos dividendos pagos aos acionistas do país de origem da empresa.

O UOL ouviu especialistas e analistas de mercado para entender como funciona o pagamento de dividendos de ações estrangeiras, e descobriu 12 ações que pagam dividendos em dólar. Confira abaixo quais são elas.

Empresas de alimentação e bebidas são destaques

Entre as empresas que pagam dividendos aos seus acionistas e, por consequência, aos donos dos BDRs no Brasil, algumas delas têm apresentado um aumento consistente de distribuição do lucro ano após ano, segundo Murilo Breder, analista de renda variável da Easynvest.

Uma delas é a Coca-Cola, que há 58 anos aumenta os dividendos repassados aos seus acionistas e que deve repassar dividendos de 3,1% neste ano. Breder destaca que as ações da Coca estão descontadas e devem passar por uma valorização ao longo de 2021 "por conta da reabertura do mercado, com a vacinação aumentando pelo mundo", afirma. O mercado internacional pesa para a empresa, pois cerca de 75% da receita dela vem de fora dos Estados Unidos.

No setor alimentar, o analista destaca McDonald's e Starbucks como BDRs com retornos interessantes. A rede mundial de fast-food deve entregar 2,2% de dividendos a seus acionistas, enquanto a cafeteria tem expectativa de distribuir 1,6% dos seus lucros.

Setor de saúde também é oportunidade

No setor de saúde, Breder destaca a Pfizer e seus 4% de dividendos para 2021. Outra boa aposta do setor é a Johnson & Johnson, que deve render dividendos de 2,4% e tem um histórico cinquentenário de aumento de distribuição de dividendos aos acionistas, segundo o analista.

Tanto Johnson & Johnson quanto a Pfizer surfam na valorização pós-vacina, mas, segundo Breder, a primeira leva vantagem ao longo do tempo porque "tem métricas melhores de rentabilidade e mix de produtos maior que o da Pfizer".

Banco e telecomunicações estão no radar

Outra empresa que deve pagar bons dividendos a seus acionistas é o banco JP Morgan, que tem expectativa de distribuição de dividendos de 2,8% para 2021. Desde o final do ano passado, as empresas do sistema financeiro voltaram a crescer nos Estados Unidos e a possibilidade do aumento dos juros eleva a expectativa sobre o setor.

"Se a inflação tiver vindo para ficar nos Estados Unidos, o Fed (banco central norte-americano) vai ter que subir os juros talvez mais rapidamente do que estava esperando. Por isso, acho bem interessante apostar em bancos americanos", afirma Breder.

Com a alta da taxa de juros, a exigência por dividendos maiores cresce para superar a remuneração dos investimentos em renda fixa. Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, indica buscar ações que devem fechar 2021 com dividendos maiores que o patamar atual da taxa básica de juros, que está em 3,5%.

AT&T e Verizon estão entre boas pagadoras de dividendos, e devem distribuir 7% e 4,5% neste ano, respectivamente. Ambas as empresas de telecomunicação estão sendo beneficiadas pelas licitações para oferta do serviço 5G.

Confira abaixo 12 empresas que devem pagar dividendos em dólar neste ano.

Impostos pesam nos dividendos em dólar

Esteter afirma que essas empresas fazem parte de um seleto grupo de ações que o investidor consegue colocar na carteira e receber bons proventos via BDRs. Ele ressalta, porém, que olhar apenas para o percentual de dividendos de empresas estrangeiras não é suficiente, é preciso verificar os impostos que incorrem sobre o investimento, que podem corroer os rendimentos, e, por outro lado, a conversão em dólar, que eleva os ganhos.

"Os impostos pesam, mas a gente está falando de dividendo dolarizado, que, quando pinga aqui, precisa ser multiplicado por cinco ou seis", ressalta ao mencionar o patamar em que a moeda norte-americana tem oscilado em comparação ao real.

Essa tributação começa já no exterior. O investidor que compra certificados de ações norte-americanas, por exemplo, terá um desconto na fonte de 30%, cobrado pelo governo local. Além disso, há o desconto de 3% a 5% cobrado pela empresa que emite o BDR aqui no Brasil. Com isso, o valor total que um investidor da B3 poderá receber pelos dividendos de uma empresa norte-americana é cerca de 65% dos dividendos.

Além disso, os dividendos recebidos via BDR estão sujeitos ao recolhimento mensal de imposto, diferentemente dos dividendos pagos por empresas brasileiras, que são isentos de tributação. "Sempre que houver um crédito de dividendos em conta corrente pessoal, mesmo que no exterior, o investidor deve declarar e recolher o imposto", afirma Luiz Eguchi, diretor de Impostos da consultoria tributária Mazars.

O pagamento de tributo segue uma tabela progressiva, porém, só está sujeito à contribuição o investidor que, naquele mês, tiver conseguido acumular rendimento superior a R$ 1.903,98 com seus BDRs. Acima disso, a tributação é feita entre 7,5% e 27,5%, conforme a tabela.

Há opções de investimentos em euro

Matheus Pacheco, analista de equities da Órama, destaca que há, na B3, BDRs que pagam dividendos em moeda estrangeira que não seja o dólar. "É o caso da Telefónica (TNLC34), sediada na Espanha. Neste caso, os dividendos são denominados em euro, contudo, o investidor receberá os recursos em real".

Porém, a maioria dos BDRs é denominado em dólar, mesmo em casos de empresas que não são norte-americanas, mas cujo BDR chega às mãos do investidor brasileiro como uma espécie de certificado do certificado, como é o caso da AstraZeneca.

"Uma empresa intermediária norte-americana compra a ação e emite o chamado ADR (American Depositary Receipts). Este certificado será transformado em um novo certificado no Brasil", explica Breder.

Portanto, sendo a empresa norte-americana ou não, os dividendos são, quase sempre, distribuídos em dólar. E, ainda que os dividendos das empresas emissoras de BDRs sejam baixos, a remuneração é catapultada pela valorização da moeda norte-americana frente ao real, e os ganhos podem ficar acima dos investimentos em renda fixa, ou mesmo acima dos dividendos de empresas brasileiras que oferecem percentuais maiores.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.