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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Veja 5 empresas que renderam 1.000% na Bolsa em dez anos

Exclusivo para assinantes UOL
Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

07/05/2021 04h00

Já pensou em multiplicar o seu patrimônio por 10 em apenas uma década? Poucas empresas conseguiram oferecer esse retorno aos seus acionistas.

Na coluna de hoje, eu compartilho com você uma lista de cinco ações muito conhecidas e negociadas que subiram mais de 1000% nos últimos dez anos.

Veja abaixo a lista, com os comentários do analista de investimentos Ricardo Schweitzer. Os dados são da plataforma Economatica.

    5. Raia Drogasil (RADL3)

    • Alta de 1.136% em dez anos
    • Alta média de 28,59% ao ano

    Entre os fenômenos da Bolsa, a Raia Drogasil é um dos poucos casos em que o crescimento foi consistente ao longo dos últimos dez anos. Você vai ver que a maioria das empresas dessa lista dá um grande salto em algum momento e depois se mantém em um ritmo de crescimento razoável.

    De acordo com o analista Ricardo Weitzer, o bom desempenho das ações RADL3 não vem de resultados não recorrentes, mas sim da eficiência operacional da companhia. "É uma empresa que sabe encontrar bons pontos de varejo, implementar as lojas a um bom custo e trabalhar com boa produtividade", afirma o especialista.

    4. Equatorial Energia (EQTL3)

    • Alta de 1.177% em dez anos
    • Média de 29,01% ao ano
    A Equatorial teve aquisições de companhias que geraram bastante valor para as ações nos últimos dez anos, segundo Schewitzer. O trabalho da empresa, aliás, é justamente comprar negócios mal geridos ou estatais e melhorar a gestão.
    O preço das ações reflete o sucesso da Equatorial nessa empreitada, diz o analista. Uma das principais compras foi a da Cemar (Companhia Energética do Maranhão), em 2018, que hoje se chama Equatorial Energia Maranhão.

    3. Weg (WEGE3)

    • Alta de 1.410% em dez anos
    • Média de 31,19% ao ano
    As ações da Weg, fabricante de equipamentos elétricos, teve uma trajetória de alta consistente nos últimos dez anos, mas o grande salto se deu a partir de 2019. Em maio daquele ano, os papéis eram negociados a menos de R$ 10 e hoje estão em torno de R$ 33. O motivo não está relacionado a nenhum evento específico, e sim à própria capacidade operacional da companhia, segundo Schweitzer.

    2. Magazine Luiza (MGLU3)

    • Alta de 4.059% em dez anos
    • Média de 45,18% ao ano
    As ações do Magazine Luiza estão na Bolsa desde 2011, mas vinham caindo sistematicamente até 2016, quando chegaram a ser negociadas ao equivalente a R$ 0,05. Em 2014 e 2015 a empresa estava "em uma situação delicada", segundo Schweitzer, então resolveu se reestruturar, investindo na sua digitalização.
    O mercado começou a notar os resultados em meados de 2016. Desde então, o preço do papel avançou em um ritmo sem precedentes, com uma breve queda apenas em março de 2020, com o início da pandemia da covid-19.

    1. Unipar (UNIP6)

    • Alta de 4.791% em dez anos
    • Média de 47,55% ao ano
    As ações da empresa química Unipar andaram de lado de 2011 até 2017. No entanto, de maio de 2017 até hoje, o preço dos papéis passou de menos de R$ 5 para os atuais R$ 78. De acordo com Schweitzer, a empresa sempre teve bons números, mas estava fora do radar do mercado. Os analistas não estavam enxergando o potencial da companhia.
    A controladora da Unipar tentou fechar o capital em agosto de 2017, mas os demais investidores não aceitaram a proposta. Mais do que isso, o megainvestidor Luiz Barsi, que era um dos principais acionistas entre os minoritários, chegou a dizer que a oferta era uma "ofensa".
    Barsi argumentava que o preço proposto pelos controladores para fechar o capital, de R$ 7,50 por ação, era 64% menor do que o valor indicado no laudo de avaliação elaborado pelo Santander como valor justo. No fim das contas, os investidores ouviram Barsi e não aceitaram a proposta da empresa.
    Naquele momento, o mercado acordou para esse ativo, que até hoje sobe sem parar e já dobrou de preço em relação ao patamar pré-pandemia.

    Bônus: duas ações que passaram de 1.000% em menos de quatro anos

    As duas empresas abaixo nem sequer estavam na Bolsa há dez anos, mas não poderiam deixar de serem citadas. Banco Inter e Locamerica são dois fenômenos da história recente da Bolsa. Veja os números e os comentários do analista Ricardo Schweitzer.

    Locamerica (LCAM3)

    • Alta de 1.149% em nove anos
    • Média de 28,72% ao ano
    As ações da Locamerica, empresa de locação e revenda de veículos, começaram a subir de forma expressiva somente a partir de 2017, ano da fusão com a Unidas, que não tinha ações listadas. Desde então, a alta dos papéis se deve aos bons resultados operacionais da companhia, sem nenhum evento não recorrente que justifique, de acordo com Schweitzer.

    Banco Inter (BIDI4)

    • Alta de 2.299% em três anos
    • Média de 37,41% ao ano
    O Banco Inter é a repaginação do Intermedium, que era, como diz o nome, um banco médio. A repaginação, no entanto, não foi superficial, e sim bastante profunda. O banco se digitalizou, mudou o público-alvo e hoje procura trazer o maior número possível de clientes, a um custo baixo ou nulo. O objetivo é oferecer produtos para esses clientes em uma espécie de shopping digital.
    "Esse é um modelo que, na minha opinião, ainda não se provou, mas o mercado acredita que eles vão conseguir tantas formas de monetização a ponto de justificar esse preço da ação", afirma Schweitzer.

    Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

    ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL