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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bitcoin: 5 erros para você não cometer ao investir pela 1ª vez

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Sílvio Crespo

Sílvio Crespo é sócio do Grana, aplicativo que automatiza o IR de investimentos na Bolsa. Como jornalista de economia, ganhou diversos prêmios, inclusive o de melhor blog de economia do Brasil, concedido pela Case New Holland, pelo antigo blog Achados Econômicos, no UOL. Paralelamente, hoje cursa psicologia na USP.

23/04/2021 04h00

O preço do bitcoin hoje está 38 vezes maior do que na época em que comprei a criptomoeda pela primeira vez, em maio de 2017.

Desde então, esse ativo me proporcionou um rendimento incomparável com qualquer outra aplicação financeira. Ainda assim, ganhei bem menos do que poderia, por causa de quatro erros que cometi.

Nesta coluna eu digo quais foram esses quatro erros e explico também mais um, que eu não cometi, mas que gera perdas inimagináveis para quem comete. Leia a coluna para garantir que você também não vai cometer.

Os cinco erros são:

1. Não estar suficientemente certo de que o bitcoin é investimento de longo prazo

Muita gente gosta de ficar tentando acertar o momento exato de comprar e de vender. No entanto, o que aprendi nesses quatro anos é que, se você realmente entendeu o que significa o bitcoin e qual o seu potencial de valorização a longo prazo, não vale a pena ficar comprando e vendendo.

Se você, de fato, acredita nas criptomoedas como ativos que podem vir a ter grande relevância na poupança mundial, qualquer ganho que você possa ter tentando comprar na baixa e vender na alta se torna irrelevante.

Minha maior dor em relação a isso está no fato de que eu sabia do potencial de longo prazo do bitcoin, mas, ainda assim, me desfiz de boa parte do que eu tinha quando houve uma forte queda em 2018.

Vejo as criptomoedas como uma novidade realmente transformadora da economia mundial. Algo que faz parte de uma mudança de patamar do capitalismo. A história desde as revoluções Francesa e Industrial tem sido, com altos e baixos, sobre o avanço do capitalismo e sobre a redução das fronteiras econômicas.

As criptomedas possibilitam remessas internacionais de forma paralela ao Estado e com mais eficiência. Se é mais eficiente, acredito eu, em longo prazo tende a prevalecer, apesar das diversas oscilações ao longo dessa trajetória.

Nesse contexto, o bitcoin, por ser o criptoativo mais conhecido até agora, por ser descentralizado e por ter uma quantidade limitada (somente 21 milhões de unidades), tem uma chance enorme, ao que tudo indica até o momento, de se tornar um dos principais ativos de reserva do mundo.

Assim como a criação das moedas nacionais no final da Idade Média (e o fim das moedas feudais) foi crucial para o desenvolvimento do capitalismo, a criação de uma moeda mundial não vinculada a nenhum Estado pode representar, a meu ver, a transição para uma nova etapa da sociedade global.

Devo ressaltar, no entanto, que isso não é uma recomendação de compra. Estou apenas compartilhando a minha visão e os motivos pelos quais eu continuo investindo em bitcoin.

2. Não estar disposto a perder tudo

Esse foi o meu segundo erro. No começo, eu fiz certo: só investi em bitcoin um dinheiro que eu sabia que podia perder.

Sim, porque, com todos os argumentos que dei acima, ainda tenho ciência de que existe chance de o bitcoin um dia não valer mais nada. Por exemplo: e se uma outra criptomoeda, ainda não existente, se mostrar superior ao bitcoin em todos os aspectos? Como podemos ter certeza de que o avanço tecnológico nunca tornará o bitcoin obsoleto?

Se você esquecer que o bitcoin não é infalível, existe o risco de você investir mais dinheiro do que poderia perder. Nesse caso, quando houver uma queda muito significativa (por exemplo, de 80%), você provavelmente vai perder noites de sono. E só vai voltar a dormir depois que vender uma parte significativa.

3. Investir tudo de uma vez

O bitcoin oscila muito, e isso é normal. Chega a cair ou subir 20% em poucos dias - às vezes em menos de um dia. Se você tem R$ 1.000 para investir e coloca tudo hoje, é possível que, na semana que vem, você esteja com o equivalente a R$ 500. Será que você vai estar tranquilo?

Por isso, o ideal é comprar a criptomoeda aos poucos. Se separou R$ 1.000 para investir, você pode colocar R$ 100 hoje, R$ 100 amanhã, R$ 100 depois de amanhã, e assim por diante.

Dessa forma, se o bitcoin cair amanhã, você vai ficar até feliz por estar comprando a um preço menor. E se subir também ficará satisfeito por ter comprado no dia anterior.

4. Vender quando cair

Se você fez direitinho as lições 1, 2 e 3 acima, você não tem por que vender bitcoin quando cair. Afinal, você acredita na criptomoeda a longo prazo, você só colocou ali um dinheiro que não vai tirar suas noites de sono e não investiu tudo de uma vez.

Quando fico com vontade de vender, eu repenso os motivos que me levaram a acreditar no potencial de longo prazo do bitcoin e vejo se alguma informação nova me convence do contrário.

5. Não se preocupar com a custódia

Este erro, felizmente, eu não cometi: o de não se preocupar em garantir uma forma de recuperar o acesso aos bitcoins sempre que necessário.

Parece óbvio que é necessário guardar as senhas em diversos locais, não contar só com a memória etc. Mas a custódia do bitcoin é tão mais difícil do que a de qualquer outra aplicação, que pode chegar uma hora em que você fique de saco cheio e comece a dar pouca importância a isso.

Mas não se esqueça que algumas pessoas perderam milhões por não conseguirem recuperar o acesso aos seus bitcoins. Sempre tenha certeza de que você terá uma segunda e uma terceira forma de acessar os bitcoins.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL