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Google, Apple e Microsoft têm lucro recorde: em qual delas investir?

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Mitchel Diniz

Colaboração para o UOL, em São Paulo

29/07/2021 04h00

Os últimos resultados das gigantes de tecnologia surpreenderam. Microsoft, Apple e Alphabet, controladora do Google, bateram recorde de lucros e vendas no segundo trimestre deste ano. O crescimento acontece em cima de uma base de comparação fraca, já que os resultados do segundo trimestre do ano passado foram afetados pela pandemia, mas ainda assim, superaram as expectativas.

Como fica agora para quem quer investir nessas empresas? As "big techs", como são conhecidas, têm ações negociadas nos Estados Unidos e aqui no Brasil podem ser acessadas na B3 via BDRs (recibos de ações negociados no exterior). Mas será que ainda dá tempo de aproveitar o crescimento das companhias? Ou as ações já estão caras demais? Veja abaixo o que disseram os analistas ouvidos pelo UOL.

Dona do Google quase triplicou de lucro

"As empresas continuam demonstrando uma capacidade única de melhorar seus resultados trimestre após trimestre mesmo já sendo as maiores do mundo", afirma Enzo Pacheco, analista da Empiricus.

O lucro da Alphabet, controladora do Google, ficou em US$ 18,5 bilhões no segundo trimestre. O resultado quase triplicou em relação ao mesmo período do ano passado, quando a empresa lucrou US$ 6,96 bilhões.

O crescimento das receitas chamou a atenção dos analistas. A Alphabet arrecadou US$ 61,88 bilhões entre abril e junho, com destaque para os ganhos com publicidade.

O Youtube cresceu quase 84%, gerando mais de US$ 7 bilhões em receita no período. Os ganhos com o serviço de nuvem, considerado um importante braço de crescimento da companhia nos próximos anos, avançaram 53,9% para US$ 4,6 bilhões.

"O Youtube é uma importante vertente de crescimento para a empresa no segmento de streaming e agora com redes sociais, competindo com os stories do Instagram e com o Tik Tok", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities.

Vendas do iPhone impulsionaram resultados da Apple

No mesmo trimestre, o lucro da Apple chegou a US$ 21,7 bilhões e quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa teve um crescimento de dois dígitos em todas as suas linhas de negócio e em todas as regiões onde atua.

O principal destaque do balanço trimestral foram as vendas do iPhone, que bateram US$ 39,6 bilhões, quase 50% a mais que no mesmo período do ano passado. Foi praticamente metade do que a empresa faturou entre abril e junho (US$ 81,4 bilhões).

"É reflexo do 'superciclo' do 5G, que está só começando. Nos mercados onde já existe essa funcionalidade, as pessoas estão trocando seus aparelhos por novos iPhones", afirma Enzo Pacheco.

No atual semestre, porém, a expectativa é de que a produção de iPhones seja menor por conta da falta de semi-condutores no mercado global. A escassez da matéria-prima, que é utilizada na fabricação de equipamentos eletrônicos, chips e pela indústria automotiva, deve impactar diretamente a produção de diversas indústrias.

Microsoft lucra mais com serviço de nuvem

Entre abril e junho, o lucro da Microsoft aumentou 47% para US$ 16,5 bilhões. Apesar da cifra menor que as demais big techs, o resultado também foi recorde para a companhia. O faturamento da empresa fundada por Bill Gates cresceu 21% no período, para US$ 46,2 bilhões.

Com mais pessoas trabalhando de casa durante a pandemia, a demanda pelos serviços de nuvem turbinaram as receitas da empresa. O segmento de nuvem inteligente da empresa, que inclui a plataforma Azure, cresceu 30% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.

"O 'cloud service' foi a principal força propulsora da companhia nos últimos trimestres", diz Pacheco, da Empiricus. As receitas com publicidade na rede social Linkedin também surpreenderam, crescendo 46% no período.

Em qual das gigantes investir?

Segundo os analistas, mesmo estando entre as maiores empresas do mundo, as "big techs" ainda têm potencial de crescimento e de geração de valor para o acionista.

O estrategista-chefe da Avenue explica que Google e Apple são mais caras que a média do mercado, mas ainda têm mais potencial de crescimento do que outras empresas do setor de tecnologia.

"O setor de tecnologia incorpora maior expectativa de crescimento no preço das ações", afirma Castro Alves.

Dentre as três empresas, ele prefere as ações da Alphabet, dona do Google. Castro Alves chama atenção para o fato de que a empresa tem mais de US$ 100 bilhões em caixa, o que dá segurança para pagar dívidas e investir em novos projetos.

"O acionista também paga menos pelo crescimento da empresa, o que pode tornar a Alphabet a mais barata entre as três", afirma Alves.

Enzo Pacheco, da Empiricus, também destaca o caixa da Apple como algo a ser considerado pelos investidores.

"Mesmo tirando todo o endividamento da empresa, a Apple ficou com aproximadamente US$ 72 bilhões de caixa líquido. Isso pode ser alocado em novos projetos ou devolvido para os acionistas", afirma.

Pacheco explica que Microsoft é a mais cara entre as três big techs e que dá preferência a Alphabet e Apple na recomendação.

"Não seria minha primeira opção, estaria em terceiro lugar, mas a gente gosta e tem na carteira. Essas empresas caras também costumam entregar mais do que o restante do mercado e a gente gosta da tese de investimentos", afirma o analista.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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