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Como a alta dos juros afeta os CDBs? Veja como escolher o melhor

Com alta da Selic, veja o que considerar na hora de escolher o melhor CDB - Sitthiphong/iStock
Com alta da Selic, veja o que considerar na hora de escolher o melhor CDB Imagem: Sitthiphong/iStock
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

03/08/2021 03h59

A taxa básica de juros, a chamada Selic, está em alta pela primeira vez desde 2016 e isso está puxando para cima o rendimento de diversas aplicações de renda fixa, incluindo os CDBs, oferecidos por bancos.

Veja abaixo como a alta da Selic está influenciando os ganhos desse investimento e como escolher a melhor opção dentre os diferentes tipos desse produto, de acordo com orientação de profissionais de mercado.

Por que os juros estão subindo?

A Selic começou o ano em 2% ao ano e está agora em 4,25% ao ano, após dois encontros do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, órgão do governo que se reúne a cada 45 dias para decidir sobre a taxa de juros. O próximo encontro será nesta terça-feira (3) e quarta (4). E o mercado espera que a Selic suba para 5,25% ao ano este mês e até 7% ao ano ainda em 2021.

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando os preços de produtos e serviços de uma economia começam a subir, o aumento dos juros encarece o crédito, desestimulando o consumo e tornando mais interessante para as pessoas aplicarem o dinheiro em vez de gastar.

Como isso afeta os CDBs?

Quando a Selic sobe, influencia o cálculo do CDI (Certificados de Depósito Interbancário), que por sua vez define o rendimento de várias aplicações, como a caderneta de poupança, os títulos do Tesouro Selic e os CDBs. Esses produtos então passam a render mais.

Quanto um CDB deve render no mínimo agora?

Segundo profissionais de mercado, a resposta a essa pergunta depende do tipo de CDB no qual a pessoa quer investir —e isso depende dos objetivos do investidor.

Mas em linhas gerais, os analistas dizem que o aplicador pode começar essa escolha dividindo os CDBs em dois grandes grupos, em termos de liquidez —ou seja, da facilidade para resgatar o dinheiro.

CDBs sem liquidez diária: os CDBs sem liquidez diária são aqueles que o investidor precisa esperar o vencimento do contrato para resgatar. Por exemplo, se o CBD for de um ano, a pessoa só vai ter o rendimento combinado se esperar até essa data para tirar o dinheiro. Se precisar sacar antes, o aplicador perde o ganho, ficando apenas com aquilo que havia aplicado inicialmente, sem nenhum rendimento.

Segundo profissionais de mercado, é possível encontrar boas opções de CDBs com rendimento bruto entre 120% a até 150% do CDI com prazos mais longos.

Com a Selic no patamar atual, já encontramos títulos bastante interessantes, como alguns prefixados que estão rendendo algo entre 11% e 12% ao ano, para um prazo de cinco anos, e também é possível encontrar títulos pós-fixados rendendo algo em torno de 148% do CDI, além de outros títulos rendendo IPCA + 5,70% para cinco anos.
Francis Wagner, presidente-executivo da plataforma de comparação de investimentos App Renda Fixa

CDBs com liquidez diária: são CDBs que podem ser resgatados a qualquer momento sem que o aplicador perca parte do rendimento. No caso de liquidez diária para reserva de emergência, qualquer valor acima de 100% do CDI já é interessante para ficar acima da poupança e do Tesouro Selic, segundo consultores financeiros.

Como comparar as taxas

É comum os bancos definirem o rendimento de um CDB a partir da referência do CDI. Assim, o investidor vai encontrar CDBs que rendem 100% do CDI ou 110% do CDI, por exemplo.

Então, se o CDI está atualmente na casa de 4,2% ao ano, um CDB que rende 100% do CDI vai dar ao aplicador 4,2% ao ano. Já um CDB que rende 110% do CDI vai dar ao aplicador os 4,2% e mais um extra, de 10%, ou seja, algo como 4,6% no total.

No caso de CDBs prefixados também é comum o banco informar a taxa final de rendimento do título. Nesse caso, o investidor não precisa fazer a conta. Mas vale comparar o rendimento com o CDI de qualquer forma, para checar o ganho com outras opções de mercado.

Qual o melhor CDB então?

A lista do melhor CDB vai depender do objetivo que o investidor tem ao colocar o dinheiro nesse tipo de investimento, destacam profissionais de mercado.

O CDB é um produto bastante procurado por investidores de perfil mais conservador, por ser similar à poupança em termos de liquidez e baixo risco, além de ter garantia do FGC. Mas não existe um CDB que seja melhor para todo mundo porque isso depende do objetivo e da tolerância ao risco de cada aplicador.
Luciane Almeida, especialista em investimentos e educação financeira do PagBank

O primeiro passo para escolher o melhor CDB é definir o objetivo dessa aplicação.

Para reserva de emergência: aqui o CDB precisa ser de liquidez diária, pois o objetivo dessa aplicação é estar disponível para ser sacado a qualquer momento sem penalidade e com muito baixo risco.

Para metas além de um ano: nesse caso, o aplicador pode escolher entre CDBs com vencimentos de um ano para cima. Há muitas opções com prazos de até cinco anos e mesmo papéis que vencem apenas em 2028 ou 2029. Quanto mais longo o prazo de vencimento do CDB, geralmente é maior a taxa oferecida pelo banco que emite o papel.

No curto prazo, o CDB adequado é recomendado para a reserva de emergência quando oferece liquidez diária e é emitido por instituições com boa classificação de risco. No longo prazo, o CDB com vencimento acima de um ano ajuda a equilibrar a carteira do aplicador em relação à fatia de aplicações que têm maior risco.
Luciane Almeida, especialista em investimentos e educação financeira do PagBank

Prefixado ou pós-fixados?

Pós-fixados: segundo profissionais de mercado, com a Selic em alta, o mais recomendado neste momento são os títulos pós-fixados. Isso porque esses papéis vão aumentar a rentabilidade conforme a taxa básica de juros for subindo.

Entre as opções dos CDBs pós-fixados estão aqueles que têm um rendimento fixo mais a variação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial de inflação do governo. Então, se a inflação seguir em alta, o dinheiro do investidor continuará protegido.

Prefixados: já os títulos prefixados são mais recomendados em um cenário de queda da inflação e da Selic, o que não é o cenário atual do Brasil, destacam analistas. Existem títulos prefixados que oferecem até de 12% a 13% ao ano de rendimento bruto. Mas são opções que valem para quem pode deixar o dinheiro parado por todo esse tempo. E, mesmo assim, há o risco de mudanças na economia tornarem baixo no futuro esse ganho que hoje parece interessante.

Há uma grande dificuldade por parte do investidor de ponderar qual o valor correto ou mais preciso em termos do CDB prefixado. Se você prefixa a 4% ao ano, por exemplo, mas a inflação já está a 8% ao ano no IPCA, isso faz você perder dinheiro. No caso de um pós-fixado, você consegue caminhar junto com o mercado.
Bernardo Pascowitch, fundador do buscador de investimentos Yubb

Como escolher o banco do CDB?

Como a concorrência está aumentando, além dos bancos tradicionais há também bancos digitais e fintechs ganhando muito espaço com a oferta de CDBs. É importante o investidor checar se o emissor do CDB é de confiança e tem bom histórico na praça para evitar o risco de calote.

Os CDBs têm a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que devolve o dinheiro do aplicador caso a instituição financeira que emitiu o CDB quebrar. Essa garantia vai até R$ 250 mil por CPF.

O aumento da concorrência é bom para o investidor porque quanto mais aberto é o mercado mais opções surgem para o investidor.
Bernardo Pascowitch, fundador do Yubb

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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