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Você pode alugar fundos imobiliários e ganhar mais; veja se vale a pena

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Vinicius Pereira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

06/08/2021 04h00

Os fundos imobiliários (FIIs) são utilizados por investidores como uma opção para receber uma espécie de aluguel mensal livre de IR (Imposto de Renda). O que pouca gente sabe, no entanto, é que é possível alugar essas cotas de FIIs para outros investidores e assim obter uma renda extra,
que pode chegar a 6% ao ano.

A modalidade, de certa forma comum com ações, é permitida aos donos de cotas de fundos imobiliários desde o fim do ano passado. Assim, quem é investidor desses fundos pode emprestar as cotas para outro investidor durante um período determinado e receber um pagamento em troca. Mas será que vale a pena? Entenda abaixo o que dizem especialistas ouvidos pelo UOL.

Quem aluga e quem coloca para alugar

No mercado, o dono dessas cotas de FIIs colocadas para alugar é chamado de "doador", e quem pega as cotas emprestadas é o "tomador".

O objetivo do doador, que mantém a visão positiva para o papel no longo prazo, é receber a taxa cobrada por esse aluguel.

Já o tomador acredita que o preço daquele fundo imobiliário vai cair e, por isso, topa pagar esse valor para geralmente poder apostar na queda do ativo e ganhar na diferença de compra e venda.

"Essas posições doadoras são uma forma de o investidor que quer manter suas posições no longo prazo obter ganhos adicionais através de uma taxa cobrada desse aluguel", diz Aldo Filho, analista da Aware Investments.

Aluguel de FIIs ainda não é comum

Como o aluguel de cotas de FIIs ainda é um mercado pequeno, nem todos os fundos estão disponíveis para essa modalidade ou possuem demanda dos tomadores. Além disso, as taxas também podem variar de acordo com fundo ou tempo.

"As taxas estão na média de 5% a 6% ao ano. Porém, quando o tomador aluga, ele geralmente faz um movimento de compra e venda curto e ele pagará pelo dia que ele está com os seus fundos alugados, não pelo ano todo", afirma Bruna Amalcaburio, analista de investimentos da Top Gain.

Essa taxa é definida pelas condições de mercado, ou seja, se há pouca oferta de aluguel para um papel e a procura está grande, a taxa sobe. Se há muita oferta e pouca procura, a taxa cai.

Além disso, a operação não é automática. Por isso, quem deseja colocar suas cotas para alugar precisa entrar em contato com a corretora e preencher um formulário autorizando essa operação.

Vale a pena alugar?

De acordo com Juliana Pedroza, sócia da gestora Habitat Capital Partners, o investidor que deseja alugar suas cotas precisa entender que a grande vantagem é receber uma remuneração extra.

"Para o investidor de longo prazo, que investe com foco nos rendimentos, é uma oportunidade de aumentar os ganhos, visto que não há impacto no recebimento dos dividendos e o aluguel se tornará uma renda extra ao detentor do fundo", disse.

Mas, segundo Aldo Filho, da Aware Investments, o investidor que deseja se tornar um "doador" deve ficar atento aos riscos envolvidos, principalmente em relação à perda da liquidez.

"O principal risco para quem é o doador é a pressão vendedora que os investidores que acreditam na queda possam fazer quando alugam o papel derrubando, assim, sua cotação no mercado. Outra desvantagem para o doador é que caso deseje vender sua posição, ela estará 'travada' enquanto o contrato de aluguel não for finalizado", afirma.

De acordo com Bruna Amalcaburio, da Top Gain, o pequeno investidor não pode olhar apenas o retorno esperado, já que com poucas cotas, a perda de liquidez pode não valer a pena.

"Geralmente esse valor é bem baixo ao pequeno investidor. Para quem tem poucas cotas geralmente não compensa, mas para quem tem mais cotas e acredita no fundo, talvez compense. Quando você entra como doador, quem vai tomar essas cotas vai querer jogar o mercado para baixo, então, você ajudará, de certa forma, na queda desse papel", diz.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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