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Tesouro Direto: qual a melhor opção para você? Veja taxas e vencimentos

Lucky336/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Lucky336/Getty Images/iStockphoto
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Sarah Alves

Colaboração para UOL

18/08/2021 04h00

Está planejamento investir, mas não sabe por onde começar? O Tesouro Direto pode ser uma boa opção, já que é uma porta de entrada para novos investidores — e, além de tudo, é considerado um dos investimentos mais seguros do país.

No entanto, quem já tentou investir em Tesouro Direto sabe que há uma variedade de títulos, com vencimento, rentabilidade, e preços diferentes. Fica difícil entender qual o melhor para você investir. Veja abaixo tudo o que você precisa saber sobre cada título do Tesouro Direto, escolha o melhor para você, e saiba como começar a investir.

O que é Tesouro Direto?

O Tesouro Direto surgiu em 2002 em uma parceria do governo federal com a B3, a Bolsa de valores oficial do Brasil, para facilitar o investimento de pessoas físicas aos títulos públicos. Para investir, basta ter uma conta em alguma corretora de valores. A maioria hoje não cobra para você abrir uma conta.

"Quando uma pessoa compra um crédito [do Tesouro Direto], basicamente nós estamos financiando o governo. Umas das formas que o governo tem de se beneficiar, além dos impostos, é via Tesouro Direto", afirma Antonio Van Moorsel, sócio da Acqua-Vero Investimentos.

Na prática, quando você compra um título público, você empresta dinheiro ao governo. O valor é direcionado para melhorias na infraestrutura (em áreas como saúde e educação, por exemplo) e, depois, devolvido ao investidor com juros.

Um dos principais atrativos do Tesouro Direto é o fato de oferecer títulos com baixo valor inicial de investimento — a partir de R$ 31 — e alternativas que indicam exatamente a quantia a ser resgatada, o que gera confiança para investidores mais conservadores.

Além disso, os riscos gerais são considerados baixos, porque os títulos estão atrelados ao Tesouro Nacional. "Sempre que se fala em risco do Tesouro Direto, eu não falo no sentido de calote, perder tudo", afirma Van Moorsel.

Quais são os tipos de títulos do Tesouro Direto?

Dentro do Tesouro Direto, os investimentos estão divididos em três grandes grupos de títulos: Tesouro Prefixado, Pós-Fixado (Tesouro Selic) e Híbridos (Tesouro IPCA). Cada um dos títulos possui estratégias diferentes. Veja abaixo:

Tesouro Prefixado

Na modalidade prefixada, os investidores sabem exatamente quanto vão ganhar ao final do período de aplicação.

"É um título que já traz em si o retorno monetário. Nesse caso, o que a pessoa tem é o risco inflacionário", afirma Juliana Inhasz, professora do Insper Instituto de Ensino e Pesquisa.

Segundo ela, esses títulos não asseguram poder de compra, já que isso é determinado pela oscilação da inflação.

"Se a gente tiver preços de produtos que sobem muito, isso pode tornar esses títulos pouco atraentes. O risco não é a perda de dinheiro, mas sim de perda do poder de compra", diz.

Se o investidor decidir resgatar o valor antes da data de vencimento, a negociação deve ser via mercado secundário, ou seja, pela compra e venda entre os próprios investidores. Neste caso, a quantia pode ser menor que a investida. Por isso, para esse título, existe risco de perda de dinheiro se o investidor não ficar com o papel até a data de vencimento.

Há ainda títulos prefixados com juros semestrais. Nessa modalidade, os investidores recebem pagamentos a cada seis meses — conhecidos como cupom. "Na prática, para o investidor, a diferença é conseguir se programar. É muito mais uma escolha estratégica em ir dividindo os retornos ao longo do tempo ou concentrar tudo no final", afirma a professora do Insper.

Pós-fixado (Tesouro Selic)

Já os títulos pós-fixados não oferecem com exatidão o lucro, pois estão atrelados à taxa Selic. "Os ativos vão acompanhar a Selic. Quanto mais ela sobe, mais esse título remunera o investidor", afirma o sócio da Acqua-Vero Investimentos.

Neste caso, um benefício é que as aplicações evitam grandes perdas de poder de compra. Também apresentam liquidez, inclusive para pessoas jurídicas, na venda de ativos. Mas, segundo Van Moorsel, a rentabilidade pode deixar a desejar para investidores "mais agressivos".

Hoje, os títulos do Tesouro Selic com maior vencimento estão datados para março de 2027.

Híbridos (Tesouro IPCA)

Por último, os títulos híbridos estão atrelados à inflação. O pagamento da aplicação se baseia no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), índice de inflação oficial do país, com adicional de uma taxa de juros prefixada. O Tesouro IPCA é recomendado para quem deseja fazer investimentos a longo prazo, como planejamento da aposentadoria.

Como os ativos relacionam duas taxas, eles são considerados mais voláteis em casos de resgates antecipados.

"Se o investidor precisa resgatar antes do prazo de vencimento, ele pode ter algum prejuízo devido às variáveis mercadológicas", afirma Antonio Van Moorsel. Há opções de investimento com prazo final para agosto de 2026, maio de 2035 e maio de 2045, por exemplo.

Na modalidade, também estão disponíveis investimentos com juros semestrais, indicados para quem deseja complementar a renda. Para esta alternativa, há opções com vencimento em 2030, 2040 e 2055.

Quais as diferenças nos vencimentos do Tesouro Direto

O vencimento do título é um ponto crucial para a escolha do ativo. Segundo os especialistas ouvidos pelo UOL, o primeiro passo é entender qual a finalidade do investimento. Assim, o tempo da aplicação deve combinar com o período para a conclusão do objetivo (seja comprar a casa própria, pagar um intercâmbio ou pensar em uma reserva de aposentadoria, por exemplo).

Também é importante ponderar a margem de juros, ou seja, de lucro. Afinal, quanto mais longe a data de vencimento do ativo, maior será a remuneração, já que o risco do investimento perante às alterações de mercado é maior.

Quais as taxas?

Quem começar a investir no Tesouro Direto deve ter atenção às cobranças que os títulos implicam. A taxa de custódia, paga a cada seis meses, é o valor cobrado pela B3 para a manutenção dos títulos e suas movimentações. A quantia corresponde a 0,25%, ao ano, do valor da aplicação.

Bancos e corretoras também cobram uma taxa de serviço ou administração, que varia de acordo com a instituição — veja a lista completa aqui. Normalmente, a cobrança é anual, porém há modalidades que optam pelo débito por operação. Apesar da existência dessa taxa, hoje, a maioria das grandes corretoras não cobram para investimentos em Tesouro Direto.

E o Imposto de Renda?

Os valores do Tesouro Direto estão sujeitos à cobrança de Imposto de Renda, assim como acontece em outros investimentos de renda fixa. No acerto, há aplicação de alíquotas regressivas sobre os rendimentos. Veja as taxas:

  • Aplicações com prazo de até 180 dias: 22,5%;
  • Aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias: 20%;
  • Aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias: 17,5%;
  • Aplicações com prazo acima de 721 dias: 15%.

Ou seja, quanto maior o tempo investido, menor será o pagamento da alíquota.

Há ainda cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), caso o investimento seja resgatado em menos de 30 dias. Nessas situações, o valor é cobrado apenas sobre os rendimentos e não sobre o montante total dos ativos.

Como começar a investir no Tesouro Direto?

O processo para investir no Tesouro Direto é totalmente online. Para começar, é possível fazer simulações de valores e checar o retorno de acordo com cada título. Em geral, é preciso transferir a quantia para a conta pessoal criada nas corretoras ou banco e, depois, formalizar a transferência para o sistema do Tesouro Direto.

De acordo com a professora Juliana Inhasz, ter atenção às perspectivas do mercado é essencial para escolher a categoria de investimento.

"Muitas vezes, percebemos que a inflação vai ser baixa e, aí, podemos optar por um título que remunere por juros. Se a inflação for mais alta e se a pessoa está pensando em objetivos de longo prazo, os títulos em inflação são mais interessantes", comenta.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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