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Investidores começam na Bolsa com R$ 352; que ações comprar com esse valor?

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

19/08/2021 04h00

Uma cafeteira de cápsulas ou uma camisa da seleção brasileira. O valor aproximado desses produtos corresponde à média dos investimentos feitos por quem começa na Bolsa de Valores. De janeiro a junho, o valor médio aplicado por quem estava começando na B3 foi de R$ 352, o menor da história, segundo dados da Bolsa.

Esse capital de entrada tem caído progressivamente por conta, principalmente, da chegada de investidores mais jovens ou com menor renda. Mas em quais empresas investir com esse valor? Veja abaixo o que disseram os especialistas ouvidos pelo UOL.

Antes de qualquer coisa, a reserva

Quase 90% dos 3,2 milhões de CPFs com contas na B3 aportam em ações de empresas, mas analistas ouvidos pelo UOL destacam que esse montante de entrada deve ser apenas uma parte do capital aplicado. Antes de colocar dinheiro na Bolsa, é preciso constituir uma reserva de emergência em aplicações menos arriscadas, de onde é possível resgatar o dinheiro com facilidade, caso seja necessário.

Essa reserva de segurança precisa corresponder de seis a 12 meses dos gastos médios mensais dos investidores, e precisa estar em ativos seguros, e de fácil resgate —a tal da liquidez diária. São títulos como Tesouro Selic, CDBs de liquidez diária ou até mesmo aquelas contas de bancos que rendem o CDI, desde que a instituição financeira da sua conta tenha proteção do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

Depois de criar esse colchão de liquidez, o próximo passo é identificar quais ações têm mais potencial para fazer crescer, ao longo do tempo, o valor daquela cafeteira, que foi abandonada no carrinho da loja virtual.

Setores atraentes para investir R$ 352

Apesar das outras modalidades disponíveis, as ações de empresas são o que realmente capturam a atenção do investidor da Bolsa. Historicamente, os grandes bancos são muito procurados, tanto pelos mais experientes quanto pelos estreantes.

Para Fabio Louzada, economista e CEO da Eu Me Banco, escola de investimentos, as ações dos bancos podem ser uma boa para quem deseja assumir poucos riscos.

"Os bancos são mais consolidados e pagam dividendos. Então, para quem quer algo mais conservador, é uma ótima opção, sim", afirma. Os dividendos são um percentual dos lucros que algumas empresas pagam a seus acionistas.

Ele destaca que, entre as ações bancárias, a do Banco do Brasil é a que pode registrar altas maiores porque ela está depreciada devido à instabilidade política. Mas pode também registrar uma queda maior do que a de bancos privados, em especial, Itaú e Bradesco, exatamente pelo mesmo motivo.

Louzada indica que o investimento feito em ações de bancos privados seja todo direcionado a uma mesma ação.

"Esses bancos têm uma correlação muito forte. Então, se eu quero diversificar, não vale a pena eu colocar Itaú e Bradesco na minha carteira, só um ou outro", afirma.

Para quem busca um risco um pouco maior, Louzada aponta as ações do Magazine Luiza, que estão descontadas com relação ao valor do primeiro semestre. "A empresa está investindo muito em crescimento, diversificando muito seus negócios, o que aumenta o risco, mas também a possibilidade de retorno", diz.

Outra sugestão de Louzada é o Banco Inter (BID4), instituição financeira de Belo Horizonte que tem apresentado crescimento exponencial desde novembro do ano passado, com algumas oscilações.

"Se eu quiser correr mais riscos, aí eu vou para as chamadas 'small caps' [empresas pequenas com alto potencial de crescimento], como os bancos menores. O Banco Inter é um exemplo, com possibilidade de um retorno maior, porém, com risco mais alto também", diz.

Ações para comprar com R$ 352

A lista* é baseada em alguns dos papéis mais comprados por quem entrou na Bolsa no primeiro semestre deste ano, e nas dicas dos especialistas.

Bradesco (BBDC4)
5 ações por R$ 22,95 cada = R$ 91,80

Banco do Brasil (BBAS3)
4 ações por R$ 29,44 cada = R$ 117,76

Magalu (MGLU3)
3 ações por R$ 19,31 = R$ 57,93

Banco Inter (BIDI4)
3 ações por R$ 20,35 = R$ 61,05

Total: R$ 351,49
* Os valores são referentes ao fechamento do dia 17.08

Ações gringas também estão na lista, mas são mais caras

Além de ações propriamente ditas, o investidor estreante pode começar aportando parte dos seus R$ 352 em opções como os BDRs, que são certificados de ações de empresas estrangeiras.

Murilo Breder, analista do Nu Invest, ressalta que essas opções podem ajudar o investidor brasileiro a aportar em setores que não existem no Brasil.

"Com ativos dolarizados em carteira, como BDRs, o investidor poderá minimizar o impacto diante de ventos contrários no mercado nacional", afirma.

Evandro Bertho, cofundador da Nau Capital explica que os BDRs são uma opção de diversificação dentro do mundo das ações, mas destaca o fato de o investimento ser mais caro exatamente por ser dolarizado, o que diminuiu a possibilidade de diluir o aporte em vários certificados.

Uma ação da Walt Disney Company, por exemplo, considerando o fechamento do último dia 17, custa R$ 62, três vezes o preço de uma ação do Banco Inter. Um BDR da Tesla está em R$ 110.

Além disso, há cobrança de impostos que não incidem sobre investimentos em empresas nacionais.

"O Imposto de Renda pode ser tributado no país de origem e também localmente, apurado sobre os eventuais dividendos recebidos por BDR com base na tabela progressiva mensal", diz Bertho.

Fundos de ações

O sócio da Nau Capital diz que uma boa opção para diversificar o investimento em ações na Bolsa sem ter que pagar nada em dólar e evitando imposto sobre dividendos é recorrer aos fundos de ações, e até mesmo fundos que acompanham índices da Bolsa, os ETFs.

"Geralmente, são opções com alta liquidez e custo baixo. Um exemplo é o SMAL11, que entrega ao investidor uma exposição a 95 ativos e tem taxa de administração de apenas 0,5% ao ano", explica Bertho.

Outro fundo de ações que permite diversificação a baixo preço é o BOVA11, que replica o Ibovespa, ou seja, a média da Bolsa de Valores. Este fundo em específico pode ser acessado com valores próximos a R$ 12 por cota, explica Bertho.

Para quem deseja correr menos risco e não tem tempo para operar as ações individualmente, escolhendo cada papel, os fundos de ações podem ser a melhor opção, mas Bertho alerta para a necessidade de haver uma reserva de segurança em investimentos de renda fixa.

"Fazer uma carteira depende de perfil de risco, entre outros fatores. Por isso, o ideal é o investidor acumular um patrimônio maior que esses R$ 352 para depois pensar em diversificação em diferentes classes de ativos", afirma.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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