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IR sobre dividendos não muda estratégia do investidor, dizem analistas

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Vinicius Silva

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/09/2021 18h25

A reforma do Imposto de Renda (IR), aprovada nesta quinta-feira (2) pela Câmara dos Deputados, prevê a criação da cobrança de 15% sobre lucros e dividendos, hoje isentos. Se aprovada no Senado, essa mudança pode afetar o preço das ações de empresas famosas por distribuir seus lucros aos investidores, mas não deve fazer com que a estratégia dos investidores mude.

Segundo especialistas ouvidos pelo UOL, apesar de a notícia ser negativa para o investidor que tem estratégia focada no recebimento de dividendos, a taxação é comum no restante do mundo. Veja abaixo o que muda para o investidor, e se os dividendos podem cair em desuso no mercado financeiro.

Estratégia de focar em dividendos continua válida

"De uma forma geral, essa aprovação não muda a atratividade de uma estratégia que vise empresas que paguem bons dividendos. Continuamos com atratividade, pensando principalmente no médio e longo prazo, e na questão de reinvestimento de proventos e acumulação de patrimônio. Nada disso muda com uma eventual aprovação da tributação de dividendos [no Senado]", afirma Guilherme Tiglia, sócio da Nord Research.

Para Rodrigo Moliterno, chefe de Renda Variável da Veedha Investimentos, a aprovação da alíquota de 15%, que chegou a ser ventilada como 20%, acabou por ser menos prejudicial do que o esperado.

"A alteração de 20% para 15% na alíquota do imposto sobre dividendos não vai fazer o investidor mudar a estratégia dele de investimento. As empresas vão continuar distribuindo e, para o investidor, será melhor dado que o imposto está reduzido [frente ao projeto original do Governo]", afirma.

Para os especialistas, as empresas devem continuar pagando dividendos, ainda que a proposta de taxá-los passe pelo Senado —próximo passo do texto da reforma do IR.

Preços das ações podem passar por reajuste

Apesar de a estratégia se manter positiva, as empresas da B3 famosas por distribuírem dividendos podem passar por um reajuste no preço de suas ações, dado que os agentes do mercado devem embutir a taxação no valor da empresa listada.

"O impacto no bolso do investidor é direto e, querendo ou não, os investidores que buscam essa estratégia miram o recebimento de dividendos e essas ações tornam o setor menos atrativo", afirma Romero Oliveira, chefe de Renda Variável da Valor Investimento.

O que fazer agora?

Apesar de a estratégia de focar em dividendos continuar atrativa, a possível queda nos preços dos papéis das empresas e uma taxação de 15% nos dividendos distribuídos podem fazer com que o mercado passe por momentos de estresse no curto prazo.

Na sessão desta quinta-feira (2), a Bolsa já sentiu esse estresse e caiu 2,28%.

Para Luis Sales, estrategista-chefe da Guide Investimentos, no entanto, esses momentos não devem fazer com que o investidor saia vendendo tudo, mas sim estude eventuais oportunidades de compra para seguir com o foco na renda passiva.

"Claro que haverá um reajuste de preço no mercado, mas não vemos motivos para um pânico ou para vender as ações. Por mais que sejam empresas mais consolidadas, elas apresentam crescimento no lucro e essa perda deve ser recompensada por isso no futuro", afirma.

Além disso, as companhias também devem se adaptar à nova tributação.

"Também se espera que as empresas, de alguma maneira, se adaptem a alguma regulamentação, e é possível que vejamos o movimento de recompra de ações, que é uma outra maneira de remunerar o acionista sem essa carga tributária maior", afirma Oliveira, da Valor Investimentos.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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