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Itaú aposta em fundo de hidrogênio; entenda esse mercado e se vale investir

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Raphael Coraccini

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/09/2021 04h00

Em meio à crise hídrica, outras fontes de energia começam a ganhar mais espaço na mesa das soluções e também nas Bolsas, e o hidrogênio é uma delas. As melhores expectativas apontam para um crescimento de 700% no uso de fontes energéticas de hidrogênio nos próximos 30 anos, segundo estudo do Hydrogen Council, iniciativa focada neste mercado e liderada por CEOs de empresas líderes em energia, transporte, indústria e investimentos.

As opções para investir em energia atrelada ao hidrogênio estão quase todas lá fora, mas grandes gestoras começam a diversificar o portfólio de olho na busca crescente por alternativas limpas de energia. Neste mês, o Itaú lançou o YDRO11, fundo que vai acompanhar a rentabilidade de um índice de hidrogênio que se valorizou 228% nos últimos quatro anos. Entenda abaixo esse mercado e se vale a pena investir nele.

Fundo acompanha índice da Bolsa dos EUA

O fundo de hidrogênio YDRO11 acompanha a valorização do índice S&P Kensho Hydrogen Economy, da Bolsa norte-americana. Esse índice mede o desempenho de algumas empresas estrangeiras especializadas na produção, armazenamento e transporte de hidrogênio.

O S&P Kensho Hydrogen Economy passou por uma valorização de 228% desde julho de 2017, quando foi criado. Ele saiu de 100 mil pontos para os atuais 228 mil pontos. Neste ano, porém, o índice não registrou crescimento. Em janeiro, estava no mesmo patamar que o registrado agora, mas chegou a atingir um pico de 369 mil pontos em fevereiro.

A taxa de administração do fundo do Itaú é de 0,50%, com tributação de 15% de Imposto de Rebda sobre o ganho de capital. A aplicação mínima inicial da cota é R$ 50.

Hidrogênio é promissor, diz Itaú

Renato Eid, superintendente de estratégia beta e integração ESG do Itaú Asset, afirma que o potencial do hidrogênio como fonte promissora de energia renovável está também na capacidade de ser integrado a outros sistemas de energia limpa que estão em crescimento, como o eólico.

"Num momento em que a ocorrência de eventos climáticos extremos são uma realidade, a busca por tecnologias e fontes de energias renováveis como soluções para a descarbonização cresce e, nesse contexto, o hidrogênio tem potencial de ser protagonista", afirma.

Um estudo realizado pelo Hydrogen Council e publicado neste ano apontou que, até 2050, o hidrogênio será responsável pela geração de 25% da energia necessária globalmente, frente aos atuais 4%. No auge, essa fonte deve gerar receitas em torno de US$ 2,5 trilhões, 17 vezes mais do que o registrado no ano de 2019, segundo um levantamento da Bloomberg.

Opções para o investidor são limitadas no Brasil

No Brasil, 65% da matriz elétrica ainda é hidráulica, segundo a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e o hidrogênio sequer aparece como uma das fontes. Por isso, o investidor que quiser apostar nesse mercado encontra poucas opções no país.

Além do recente fundo do Itaú, há também o fundo Vitreo Hidrogênio FIA, da Vitreo. O fundo é atrelado ao MSCI All Country World, que serve como referência (benchmark) para esse investimento. O fundo, lançado em 10 de agosto deste ano, conta com empresas dedicadas ao desenvolvimento de fontes renováveis, com destaque para o hidrogênio, mas também para o urânio.

Diferentemente do S&P Kensho Hydrogen Economy, o MSCI All Country World não é um índice específico sobre empresas de hidrogênio, mas de ações globais. O índice foi lançado em agosto de 2017 e desde então passou de 474 mil pontos para 728 mil pontos, uma valorização de 53% desde seu lançamento. Neste ano, a valorização foi de 8%.

A Vitreo afirma que há um acompanhamento não apenas do desempenho das ações do MSCI, mas do cumprimento dos critérios de sustentabilidade, com foco especialmente no emprego de urânio e hidrogênio na construção de novas fontes de energia renovável.

Segundo George Wachsmann, sócio e chefe de gestão da Vitreo, a ideia para o lançamento de um fundo de hidrogênio é a "busca de novas formas de energia, energia limpa e ESG, acelerada pela atual crise energética global".

O fundo tem uma taxa de administração de 0,9% e mais 10% de taxa de performance sobre o que exceder o índice de referência. Também há a incidência de 15% de Imposto de Renda sobre os rendimentos. O valor mínimo para adquirir uma cota é de R$ 100.

Fundos de hidrogênio oscilam muito, diz analista da Empiricus

Apesar de os números e o cenário colocarem o hidrogênio como promissor, para os investidores ele é uma opção arriscada de aplicação.

Para Matheus Spiess, analista da Empiricus, fundos como o YDRO11 são boas opções de investimento, mas oscilam muito e, por isso, devem ficar reservados a uma parte bem reduzida da carteira — aquela que será dedicada aos investimentos mais arriscados.

Além do caráter volátil do investimento, as taxas de administração cobradas pelos fundos, a oscilação do dólar e a cobrança do Imposto de Renda precisam ser consideradas pelo investidor antes da aquisição das cotas.

O analista avalia que o melhor momento para entrar no mundo das soluções energéticas em hidrogênio é agora, mas ele ressalta que o investidor mais ponderado, que não deseja atrair muitos riscos, precisa carregar o investimento por, no mínimo, três anos.

Investimento é opção para longo prazo

Spiess ainda destaca que a grande oportunidade está no longo prazo, quando a evolução do preço desses ativos deve apresentar um crescimento sustentado. Mas ele também avalia como possível a valorização nos próximos 12 meses por conta da agenda climática em discussão no momento entre as principais economias globais.

"Pode fazer sentido um movimento especulativo nos próximos 12 meses. Na COP26 (Conferência do Clima), em novembro, a ONU (Organização das Nações Unidas) vai discutir as fontes renováveis, e o hidrogênio está entre elas. O assunto faz parte do plano quinquenal da China e do plano de infraestrutura do Joe Biden [presidente dos EUA]. Então, é uma discussão aquecida, e que deve ganhar mais força", afirma.

Como as opções de investimentos nesse segmento são estrangeiras, é importante prestar atenção também ao dólar. Spiess diz que os ativos de hidrogênio podem ajudar o investidor a diversificar e dolarizar seus investimentos. Para o especialista, o dólar não deve alavancar nem rebaixar o rendimento desse ou de qualquer outro ativo porque está mais estável agora.

Quanto menor o preço do hidrogênio, melhor

O principal motor de valorização dos ativos relacionados a hidrogênio é a progressiva redução do valor da matéria-prima, ao contrário do que acontece hoje com o minério de ferro, por exemplo, que impulsiona o valor das ações das empresas conforme o preço dele sobe no mercado.

Como o hidrogênio ainda está procurando lugar no mercado, quanto mais barato estiver, maior e mais rápida a adesão de empresas e governos a esse tipo de solução energética.

"Até 2030, a expectativa é que os US$ 6 por quilo do hidrogênio cheguem a algo próximo US$ 2,50, uma redução considerável que seria muito positiva para esse mercado. Grande parte disso deve ser uma contribuição significativa da redução do custo da energia eólica. O hidrogênio estaria numa segunda etapa do desenvolvimento das tecnologias renováveis. Por isso, o investimento é de longo prazo", diz.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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