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Brasileiro ainda não entendeu a dinâmica da Bolsa, diz especialista

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Juliana Portugal

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/10/2021 04h00

A Bolsa brasileira registrou no primeiro semestre desde ano 3,8 milhões de investidores cadastrados, o que representa um crescimento de 43% na comparação com o mesmo período do ano passado. O número, que poderia ser um sinal positivo, ainda não pode ser considerado um motivo de comemoração, de acordo com Gustavo Cerbasi, professor de finanças e maior referência em educação financeira do Brasil.

"Posso estimar que metade dessas pessoas está investindo de forma muito especulativa, achando que a Bolsa é um mercado de apostas, talvez por serem muitos jovens, sem experiência, e por não vivenciaram as subidas e descidas da Bolsa para entenderem que é parte do jogo", afirmou o especialista, que esteve presente no Guia do Investidor UOL, série de eventos quinzenais e gratuitos para quem quer aprender a cuidar melhor do dinheiro. Leia abaixo como ser um investidor que investe de forma assertiva, segundo Cerbasi.

Investidor brasileiro é mais especulador, diz especialista

Para Cerbasi, o grupo de brasileiros que pode ser considerado investidor de verdade é bastante seleto. A maioria, diz, entra na Bolsa na euforia, quando ela está em alta.

Em 2019, o número de pessoas aplicando na renda variável chegou a marca de 1 milhão pela primeira vez. Naquele período, a Bolsa atingiu índices históricos, ultrapassando a marca dos 100 mil pontos.

Segundo o especialista, são poucos os que reservam uma parte da renda para formar patrimônio e investir. Quando pensa em patrimônio, o brasileiro aposta em comprar um imóvel, acreditando que ele vai ter uma valorização lá na frente.

"O imóvel pode ter uma valorização lá na frente, porém, ela pode não acompanhar a inflação. Com isso, muitas famílias estão perdendo patrimônio sem perceber, ao depositar o dinheiro num imóvel ou na poupança", afirma.

Além disso, diz, os brasileiros ainda lidam com seu orçamento de maneira muito despretensiosa e impulsiva. Um exemplo desse comportamento é a compra da casa própria. Segundo Cerbasi, assim que a renda aumenta, logo vem a ideia de entrar num financiamento e destinar de 30% a 40% do salário para comprar um imóvel.

"Cria-se com esse pensamento um fortalecimento da cultura de desequilíbrio, que faz com que todo mundo acredite que está fazendo a coisa certa quando, na verdade, está fazendo a coisa errada", diz.

Para investir de forma assertiva é preciso fazer planos

Segundo Cerbasi, investir de forma assertiva é começar pelos planos e não pelos investimentos. O especialista reforça que o investidor iniciante deve ter claro quais são suas metas de curto, médio e longo prazo: fazer um curso livre, uma pós-graduação, investir na educação dos filhos, preparar os filhos para a universidade, etc.

"A partir da definição dos planos é necessário ajustar o padrão de vida. E o que observamos, na média, é o brasileiro primeiro definindo os gastos e, depois, torcendo para nada dar errado para viabilizar os planos."

Ao fazer isso, afirma Cerbasi, a tendência é de o pequeno investidor se frustrar e abandonar o planejamento, pois há também fatores externos que influenciam na dinâmica do desenvolvimento dos planos como inflação, imprevistos, acidentes, entre outros.

De acordo com Cerbasi, os brasileiros contam hoje com um amplo acesso a materiais de educação financeira e a entrada na Bolsa é mais fácil.

Em meio a esse excesso de informação, contudo, o especialista pede cautela.

"Nos últimos 20 anos, a educação financeira passou de oportunidade a moda. Por virar moda, surgem algumas ameaças que colocam o investidor em risco. Quando todo mundo fala sobre o assunto, há o perigo da desinformação", afirma.

Por isso, uma das formas de ser um investidor mais assertivo é não acreditar na primeira recomendação que vê na internet. É preciso buscar informação em canais oficiais, como da sua corretora, e com especialistas certificados.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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