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Banco Inter vai à Bolsa dos EUA, mas ações caem 30% no Brasil; entenda

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Vinícius de Oliveira

Colaboração para UOL, em São Paulo

07/10/2021 19h41

O Banco Inter anunciou nesta quinta-feira (7) sua reorganização societária que resultará na interrupção das negociações de suas ações na Bolsa brasileira e na estreia em Bolsa nos EUA. A notícia fez com que as ações do banco (BIDI11) disparassem 12%, negociadas a R$ 46,56. Esse aumento, porém, não foi suficiente para reverter a queda de 9% que os papéis do banco sofreram apenas nesses primeiros dias de outubro.

Essa queda não foi isolada. Em setembro, as ações ordinárias do Inter (BIDI3) desabaram 33,7%, as preferenciais (BIDI4) caíram 27,4% e a cesta de ações (BIDI11), que reúne ações ordinárias e preferenciais, caiu quase 30%. Por que as ações da empresa estão caindo? A saída da Bolsa brasileira tem a ver com isso? Leia abaixo o que disseram especialistas ouvidos pelo UOL.

Prévia de resultados não segurou queda

Na última segunda (4), o banco divulgou uma prévia de resultados operacionais do terceiro trimestre e destacou que alcançou 14 milhões de clientes e teve crescimento anual de 125% em transações financeiras por meio de cartão de crédito.

Apesar dos dados positivos, as ações da companhia encerraram o dia com queda de quase 14% na segunda.

Segundo analistas, um dos motivos para a queda em setembro foi a notícia de que o banco digital estava aumentando seus provisionamentos, reserva de dinheiro que as empresas têm para quitar as dívidas que estão por vir. Quando um banco aumenta seus provisionamentos, ele espera que haverá um aumento na inadimplência dos seus clientes.

Por meio de comunicado, divulgado no último dia 28, o Inter negou que "faria provisionamento extraordinário em seu balanço patrimonial". Apesar dos esclarecimentos, as ações seguiram com forte queda, e encerraram o dia 28 com recuo de quase 12%.

Aumento dos juros afetou empresa

Além da questão dos provisionamentos, que fizeram os últimos dias do mês de setembro serem negativos para a empresa, há outros fatores que contribuíram para recuos ao longo do mês. Segundo Viviane Vieira, operadora de renda variável da B.Side Investimentos, um dos motivos é o aumento dos juros.

Em setembro, o Banco Central aumentou a taxa de juros básica, a Selic, de 5,25% ao ano para 6,25% ao ano.

Em linhas gerais, grandes bancos se beneficiam desse aumento. O mesmo não acontece com bancos digitais, segundo a especialista.

"Empresas como o Banco Inter, que ainda precisam gerar valor, se dão melhor em terrenos de juros baixos", afirma.

Além disso, ela ressalta que o mercado passou por um momento de venda geral de ativos ligados a empresas de tecnologia.

"Por ser um banco digital, o Banco Inter está sofrendo com isso também", diz.

Preços estão sendo ajustados, diz especialista

"É preciso lembrar que, em um período de três anos, a alta das ações do BIDI11 foi muito expressiva. Algo em torno de 400% [entre abril de 2018 e julho de 2021]. Boa parte dessa alta foi estimulada por ser uma empresa muito mais tecnológica do que um banco. De certa forma, já era esperado que em algum momento viesse uma queda de preço", afirma Gian Montebro, assessor de investimentos da iHub Investimentos.

Para ele, há também motivos conjunturais que têm puxado as ações do Banco Inter para baixo.

"De uns meses para cá, tivemos um cenário impactado por briga entre poderes, problemas relacionados aos precatórios, extensão do auxílio emergencial, impacto no teto de gastos e uma preocupação legítima com a inflação", afirma.

Segundo o especialista, todos esses fatores contribuíram para a queda da Bolsa em geral. O Ibovespa, principal índice da B3, caiu 6,57% em setembro e acumula perdas de 6,75% no ano. "Todos os papéis sofreram com essa queda", diz.

"As preocupações, em geral, estão mais ligadas a um risco sistêmico do mercado, do que na empresa em específico", afirma Viviane Vieira.

Queda pode ser motivo de saída da Bolsa brasileira?

De acordo com Viviane Vieira, a saída do Banco Inter da B3 não tem a ver com a recente "desvalorização exagerada" dos papéis.

"Isso se deve a uma reorganização societária da empresa, que recebeu compromisso de investimento da Stone. Eles só estão dando continuidade ao processo agora", afirma.

O banco divulgou em fato relevante que concluiu os estudos de reorganização societária e contratou bancos para assessorar a listagem dos seus papéis no mercado norte-americano. Após a conclusão desse processo, apenas recibos dos papéis (BDRs) serão negociados na B3.

Tenho ações do Banco Inter, e agora?

Segundo o comunicado, o Inter vai manter o registro de companhia aberta na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) pelo prazo de, ao menos, 12 meses.

A empresa ainda disse que os acionistas poderão substituir os papéis que têm hoje por ações da holding Inter Plataform, que estará listada em Bolsa nos EUA, por BDRs que serão negociados na Bolsa brasileira ou por dinheiro.

A empresa disse que dará mais detalhes sobre como isso ocorrerá e afirmou que assegurará aos acionistas a mesma participação proporcional que eles detêm atualmente no capital social da empresa.

"As ações vão ser negociadas em outro país e em BDRs [recibos que representam ações de empresas listadas no exterior] para investidores brasileiros. Os acionistas de BIDI irão receber os BDRs ou, caso prefiram, o montante em reais equivalente ao preço da ação", afirma Viviane.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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