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Ela só começou a investir depois de abrir a própria gestora

Camila Almeida é sócia-fundadora da Habitat Capital Partners - Divulgação
Camila Almeida é sócia-fundadora da Habitat Capital Partners Imagem: Divulgação
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/10/2021 04h00

No mercado financeiro, há quem diga que quem trabalha no setor deve conhecer todos os produtos e ativos disponíveis, beneficiando não só os clientes, como a própria carteira de investimentos. Mas essa máxima nem sempre é verdadeira. A história de Camila Almeida, 30, sócia-fundadora da Habitat Capital Partners, gestora especializada em fundos imobiliários, com mais de R$ 540 milhões sob gestão, mostra isso na prática.

Em 2010, aos 19, ela cursava engenharia de produção quando foi aprovada para uma vaga de estágio no HSBC. "Eu gostava de matemática e fui fazer engenharia. Todo mundo cai nessa pegadinha. Mas antes eu já pensava em trabalhar no mercado financeiro, mesmo sem ter ideia sobre como funcionava. A minha mentalidade era trabalhar em banco", diz.

Ela conta que ingressou no banco sem entender sobre produtos básicos de investimentos. Na instituição, era responsável pela parte corporativa, especificamente na área de câmbio. Com o tempo, começou a entender mais sobre renda fixa. "O mercado financeiro era outro mundo, mas eu aprendi", afirma.

Camila Almeida estará no próximo Guia do Investidor UOL para falar como escolher o melhor fundo imobiliário para você. O evento acontece no dia 26, às 11h, nas páginas do UOL, do UOL Economia e na página de Investimentos.

Começou a investir quando abriu própria gestora

Dois anos mais tarde, já no final da graduação, apareceu a oportunidade para estagiar na área de private banking do JP Morgan, em Curitiba (PR). "Eu falo que foi um pouco de sorte, porque a unidade em Curitiba não existe mais", diz.

Após ser efetivada, passou também pelas unidades de Miami e Nova York, nos Estados Unidos, durante os quase cinco anos em que esteve no banco norte-americano.

Foi quando ela conheceu Marcelo Kayath, atual CEO da Habitat, que estava começando a dar os primeiros passos para a construção da gestora. Camila foi convidada para ajudar a estruturar a parte de fundos imobiliários logo após sair do JP Morgan.

Segundo ela, o que ajudou na construção tanto do seu lado investidor, quanto do lado empreendedor, foi a ascensão de bancos digitais e a pulverização do modelo de agentes autônomos em todo o país.

"Quando criamos a Habitat, em 2017, não tinha essa liquidez em Bolsa. Os juros estavam altos, então o dinheiro ficava parado. Ou você tava na poupança, ou contava com alguém ajudando a investir o dinheiro", afirma.

Entre meados de 2016 e o começo de 2017, a taxa básica de juros girava entre 14,25% e 12,25% ao ano, patamar bem inferior ao atual, de 6,25% ao ano.

'Não queria investir porque estava estressada investindo para os outros'

O primeiro investimento de Camila Almeida foi em renda fixa e aconteceu só depois de ela ter passado por HSBC e JP Morgan. O investimento se deu com um bônus, no valor de R$ 15 mil, que havia recebido.

"A Camila investidora demorou um pouco para nascer. Surgiu junto com a Habitat, que foi quando eu comecei a abrir o olho. Foi junto com esse movimento de abertura do mercado", afirma.

Antes disso, a mentalidade era de quem enxerga o mercado financeiro como algo distante.

"Meu pensamento era realmente assim: 'por que vou me dar ao trabalho, se aquilo vai render R$ 5 a mais ao final do mês?'. Depois veio uma fase em que a Camila não queria investir o próprio dinheiro porque estava estressada investindo o dinheiro dos outros", diz.

Hoje, ela já não pensa assim. E da mesma forma que faz na Habitat, ela também faz pensando na própria carteira: observa diversos aspectos dos ativos, que vão muito além da rentabilidade.

"Eu abro o relatório, olho aquele fundo, e começo a estudar. Não vou colocar recursos apenas por ser uma gestora 'X'. É importante entender a estratégia. Eu busco relacionar isso e o valor de mercado", afirma.

Dicas para quem está começando

A orientação de Camila Almeida para quem está interessado e quer começar no mundo dos investimentos é justamente observar os dados contidos nos fundos.

"Trazendo para o fundo imobiliário, os relatórios trazem muita informação mesmo. Você consegue saber exatamente o que tem na carteira, diferentemente de um fundo multimercado, por exemplo. Há casas que são transparentes e realmente ajudam o investidor", afirma.

Um erro fatal que deve ser evitado é investir em ações ou fundos de renda variável e acompanhar as oscilações dia após dia, na expectativa de que o ativo alcance um pico de alta para realizar a venda.

"Acho que todo mundo já teve um momento de ficar olhando todo dia. Eu já passei por isso. Hoje, esqueço e fico mais tranquila. Já tive a época de vender no prejuízo porque me desesperei. Também já comprei depois do momento ideal", conta. Por isso a importância de avaliar, com calma, as informações dos relatórios.

Ela ainda explica que o investidor precisa entender o seu perfil de risco. "Se eu colocar ali (em determinado fundo), eu estou 'ok' em perder alguma coisa? Se eu perder um pouco, vai causar dor de cabeça? O fundamental é buscar conhecimento, perfil de risco, acesso à informação e buscar ajuda com agentes especializados", diz.

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Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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