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Como investir para comprar um carro à vista e pagar mais barato nele?

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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/11/2021 04h00

Comprar um carro à vista sai bem mais barato do que financiar. Em simulação feita pelo UOL no site de um grande banco, foi usado como exemplo o financiamento de R$ 60 mil para a compra do modelo Hyundai HB20 1.0 Sense.

Nessa situação, o cliente precisa dar uma entrada de R$ 6.000 e pagar parcelas de R$ 1.449,73 ao longo de 60 meses. No final, o carro de R$ 60 mil terá custado R$ 92.938,80, ou seja, 55% a mais do que se o pagamento tivesse sido feito à vista.

Especialistas recomendam juntar todo o dinheiro para quitar de uma vez ou, pelo menos, ter a maior parte do valor para dar de entrada e pagar um financiamento curto. Veja a seguir os investimentos indicados para quem quer juntar dinheiro e comprar um carro por um preço menor do que o financiado.

A economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianotto, é categórica: poupe dinheiro e fuja de financiamentos.

A atitude exige disciplina, principalmente porque o veículo é um bem de valor elevado e exige recursos extraordinários. "Poupar é a regra de ouro sempre."

Se o financiamento for inevitável, a dica é evitar os contratos pós-fixados, já que os juros variam ao longo do tempo, o que torna a dívida imprevisível.

Mas qual é o melhor produto financeiro para quem quer ter um carro na garagem?

Paula Zogbi, analista de Investimentos da Rico, explica que o investimento ideal para esse fim vai depender do prazo que o dinheiro ficará aplicado para a compra do carro.

Compra em um ano

Se o objetivo é fazer a aquisição no curto prazo, dentro de um ano, ela sugere aplicações de renda fixa, pós-fixadas e com liquidez diária —como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), o fundo de investimento DI e a letra de Crédito Imobiliário (LCI).

A renda variável pode oferecer um risco inadequado para o objetivo, principalmente se a compra do carro for por uma necessidade, por exemplo, de trabalho. Existe a possibilidade de perdas no investimento e pode faltar dinheiro na data prevista para fechar o negócio.

Compra em dois a três anos

"Se o investidor planeja a compra do carro num prazo maior, de dois a três anos, é possível encontrar alternativas mais arrojadas na renda fixa, sem a liquidez diária. É importante alinhar o prazo de investimento e a data do resgate", disse Paula.

A partir de quatro anos

Aqueles que têm um cenário mais de longo prazo, a partir de quatro anos, segundo a analista da Rico, podem "apimentar" a carteira, com fundos multimercado. "Apesar do risco, existe também a possibilidade de acelerar os ganhos para comprar um carro de um modelo melhor."

A economista-chefe da Reag Investimentos propõe investimentos de baixo risco para esse objetivo, com retornos esperados acima da inflação.

Classes de ativo com muito risco, que prometem retornos altos, também podem resultar em perdas altas. Por outro lado, a especialista descarta a poupança para quem deseja economizar para comprar um veículo.

Quanto renderia cada investimento

Segundo simulações feita por Simone, o investidor teria os seguintes resultados após 60 meses com aporte mensal de R$ 1.000 (os números consideram valores de hoje, mas eles seriam corrigidos pela inflação e teriam o mesmo poder de compra após os 60 meses):

  • Caderneta de poupança: R$ 66.839,19
  • Tesouro prefixado: R$ 74.827,90
  • Tesouro Selic: R$ 68.751,10
  • CDB: R$ 71.146,81
  • Tesouro IPCA+: R$ 73.078,44

Lembre-se de outras despesas

Para quem quer se planejar financeiramente para a compra de um carro, Piter Carvalho head de Mesa da Valor Investimentos, lembra que é importante levar em consideração outras despesas, como o seguro, a documentação, o estacionamento e o combustível.

"Às vezes o comprador se esquece de acrescentar outros valores à despesa que ele passará a ter com a aquisição de um veículo e acaba tendo de lidar com um orçamento muito apertado", afirmou.

Quem não tem tempo para juntar recursos e fazer a compra do carro à vista porque precisa usá-lo para trabalhar, por exemplo, pode recorrer ao consórcio, segundo Carvalho.

"Mas é só se precisar mesmo, se for algo urgente. Num caso assim, a pessoa conta com a chance de ter a carta contemplada antes do final do prazo do consórcio e usar o dinheiro para fechar negócio", afirmou.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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