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Com inflação alta, que investimentos evitam a perda de dinheiro em 2022?

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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/01/2022 04h00

A inflação em 2021 foi alta (passou de 10% no acumulado em 12 meses até novembro). Para 2022, o boletim Focus, elaborado pelo Banco Central a partir de consulta com economistas do mercado, prevê uma inflação menor, mas ainda elevada, de 5,55%.

O UOL conversou com especialistas para entender quais investimentos se tornam vantajosos no próximo ano nesse cenário. Confira a seguir.

Como investir em uma situação instável?

Segundo André Barretto, CEO da n2, plataforma de orientação financeira, podem ser boas opções os títulos públicos, como o Tesouro Direto —atualmente, há títulos pagando acima de 10% ao ano. Outra opção é a renda fixa privada, como CDBs, LCIs e LCAs.

Diante de um cenário incerto no próximo ano, ele diz que o mais recomendável é buscar ativos que superem a inflação.

"A inflação não vai cair para 5% do dia para a noite, há um processo para que isso aconteça", afirmou Barretto.

Dessa forma, se o investidor entrar em uma aplicação com o pagamento de 100% do CDI —algo bastante comum oferecido pelos bancos digitais—, o investidor pode reduzir o seu poder de compra no futuro. O mesmo serve para a poupança.

Tesouro IPCA+

Laís Costa, especialista em renda fixa e fundos globais da casa de análises Empiricus, recomenda o Tesouro IPCA+ (também conhecido como NTN-B), um título pós-fixado cujos ganhos são compostos por uma taxa no momento da compra mais a variação pelo IPCA.

Além disso, ela indica também as debêntures, que são títulos de dívidas emitidas no mercado. Há também os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e do Agronegócio (CRAs), que são considerados mais arrojados do que o Tesouro Direto.

"Esse cenário de IPCA acima da meta reforça a nossa ideia de que é necessário ter um percentual da sua carteira sempre em ativos indexados ao índice da inflação", afirmou ela.

Para os investidores que buscam retornos maiores na renda fixa, a analista da Empiricus indica as debêntures incentivadas, também conhecidas como debêntures de infraestrutura. Esses títulos são emitidos para projetos em setores específicos, como logística, aviação, energia ou transporte.

Mas, se por um lado o investidor pessoa física tem como benefício a isenção do Imposto de Renda sobre o retorno, por outro ele não conta com o respaldo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante até R$ 250 mil por CPF para outras classes de ativos de renda fixa —um risco que precisa ser levado em consideração.

Eleições complicam cenário

Para o economista-chefe do Modalmais, Alvaro Bandeira, o próximo ano tende a ser muito complicado por causa das eleições.

"O lado político afeta os mercados como um todo, numa situação em que o Brasil vai crescer muito pouco ou zero, e ainda com inflação e desemprego altos", afirmou.

Bandeira prevê inflação perto do teto da meta para 2022, algo na casa dos 5%. Dessa forma, uma forma para os investidores se protegerem é guardar um pouco dos recursos na renda fixa. Mas é possível encontrar boas opções no mercado de ações.

Neste sentido, o economista-chefe do Modalmais recomenda empresas exportadoras, mineradoras e os grandes bancos brasileiros, setores considerados mais resistentes a problemas tanto internos quanto externos. Ele menciona especificamente duas companhias: a Petrobras, que tem a receita pareada em dólar, e a Vale.

Allan Pedroso, sócio da Inside Research, diz que, se a opção for a renda variável, a compra de papéis de empresas dos setores financeiro e de seguros pode ser bom negócio. "São companhias que se beneficiam de um mercado de juros mais altos", afirmou.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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