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‘Comecei a investir após os 50 anos para realizar o sonho da aposentadoria’

A médica cardiologista Maria Moura passou a investir aos 50 anos e diz ter realizado seus sonhos - Acervo pessoal
A médica cardiologista Maria Moura passou a investir aos 50 anos e diz ter realizado seus sonhos Imagem: Acervo pessoal
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/02/2022 04h00

A médica cardiologista Maria Moura, 61, passou a investir só após os 50 anos. Ela achava que fazer investimentos era coisa de rico. Hoje diz que realizou seu sonho de organizar as finanças e garantir uma aposentadoria tranquila.

A maior parte dos investidores na Bolsa de Valores brasileira é de jovens (26 a 35 anos). Os que têm entre 46 e 55 anos estão em terceiro lugar. Se você começar mais tarde a investir, é bom tomar algumas precauções e se planejar bem. Veja a seguir o que especialistas recomendam.

"Realizei o sonho de organizar as minhas finanças"

A médica cardiologista Maria Moura, 61, passou a investir após os 50 anos. Suas primeiras atitudes para economizar pensando nos lucros futuros começaram em 2011, aos 50 anos, quando decidiu fazer uma previdência privada.

Mas foi só em 2018, por incentivo do filho —que trabalha em uma gestora de investimentos—, que ela começou a aplicar seu dinheiro. Por ter um perfil mais arrojado, deu os primeiros passos com títulos de renda fixa em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e apostou em algumas ações, como das empresas Petrobras (PETR4), Banco do Brasil (BBAS3) e Taesa (TAEE11). A renda variável (no caso, composta pelas ações) correspondia a cerca de 10% do seu patrimônio.

Nessa mesma época, Maria também começou a rever e anotar os gastos na ponta do lápis. Reduziu as tarifas pagas com cartões de crédito, assim como reviu as contas de televisão a cabo e telefone. "Quando você vai ficando mais velho, passa a se preocupar com o futuro. É uma carga de trabalho grande e, com o passar do tempo, você vai cansando", conta.

Além de ser encorajada pelo filho mais velho a investir, Maria começou a ter contatos com influenciadores digitais —como podcasters e youtubers— que falam sobre finanças, a exemplo de Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe!.

Também fez cursos para aprender a ler os relatórios das ações, dos fundos imobiliários e do Tesouro Direto (títulos públicos emitidos pelo governo).

Eu nunca fui muito a fundo por conta daquele pensamento de que investimento é só para gente rica --e não é! Eu quebrei essa ideia.
Maria Moura, 61, médica cardiologista

Durante a pandemia, ela precisou usar boa parte da sua reserva de emergência para bancar o pagamento dos salários dos colaboradores de uma clínica da qual é sócia.

Atualmente, ela tem 25% do patrimônio em renda variável, dividido entre ações —de Banco do Brasil (BBAS3), Taesa (TAEE11), Klabin (KLBN11), Petrobras (PETR4) e Banco Inter (BIDI4)— e ETFs, para diversificar a carteira ao investir em Bolsas no exterior (Exchange Traded Funds, que são fundos de índices que refletem o desempenho de Bolsas de Valores, como o Ibovespa).

Para quem quer investir, Maria dá uma dica. "Não se intimide. Realizei o sonho de organizar as minhas finanças e saber que terei uma aposentadoria tranquila", declara.

Tenha uma reserva de emergência

Os analistas são unânimes para quem quer começar a investir, independentemente da idade: o primeiro e mais importante passo é construir uma reserva de emergência.

"O ideal é ter uma reserva de 6 a 12 meses dos gastos com produtos mais conservadores. A partir daí, é buscar investimentos mais arrojados e com menor liquidez [disponibilidade imediata de resgate do dinheiro]", afirma o planejador financeiro e sócio da Alta Vista Investimentos, Roberto Agi.

Para Regina Prataviera, planejadora financeira pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), a primeira regra para quem passa a investir depois dos 50 anos é disciplina.

"O investidor vai precisar fazer um maior esforço para a poupança e também terá de trabalhar com um horizonte um pouco mais longo para a utilização dos recursos, já que começou a investir mais tarde", diz Regina.

Ela destaca, ainda, que é necessário fazer um bom controle de gastos. "A gente só consegue isso colocando tudo no 'papel'. É preciso registrar —seja no Excel, em um caderninho ou com o auxílio de aplicativos—, para saber quais gastos não fazem sentido", declara a planejadora financeira.

Como recomendação, a coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-EAESP), Claudia Yoshinaga, indica manter o hábito de poupar e investir de forma duradoura.

Por inúmeros motivos, essas pessoas não guardaram dinheiro durante a vida e agora começaram a se preocupar. É importante não deixar essa prática de lado.
Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV-EAESP

Tenho 50 anos e quero investir. Por onde começar?

Segundo Claudia, o aumento da expectativa de vida da população alterou completamente o panorama dos investimentos.

"No passado, a gente talvez pudesse dizer que a pessoa seria mais conservadora [para investi]. Mas hoje com 50 anos não dá para dizer se a pessoa viverá mais 10, 35 ou 40", afirma a especialista.

Mesmo assim, ela diz que quem está começando agora deve colocar na balança as responsabilidades e compromissos financeiros. Isso porque os mais jovens podem, eventualmente, recuperar o dinheiro caso façam uma aposta errada.

Assim, a coordenadora da Eaesp/FGV entende que uma boa opção para quem começar nessa idade são os títulos de renda fixa, como CDBs, Tesouro Direto ou fundos DI (fundos atrelados à taxa básica de juros Selic ou taxa de crédito privado, chamada de CDI)

Depois, com o ganho de experiência, ela declara que é possível partir para ações, fundos de investimento (como o multimercado) ou mesmo criptomoedas.

Com a taxa básica de juros, a Selic, em 10,75% ao ano, a renda fixa se torna bastante atrativa, aponta Agi, sócio da Alta Vista. "A gente tem títulos públicos com o pagamento de taxas muito altas, que chegam a 5% ou 5,5% acima da inflação. Na medida que for aumentando a poupança, é possível ter ações brasileiras e no exterior", diz Roberto Agi.

Mas isso não significa que quem tem 50 anos ou mais não pode correr riscos, ressalta a sócia da B.Side Investimentos, Fernanda De Rousset.

Como a pessoa já está mais perto da aposentadoria do que uma pessoa de 30 anos, por exemplo, e provavelmente pode estar em um estágio mais maduro da vida, o investidor de 50 anos precisa tomar menos risco. Mas isso não significa que não possa ter uma parcela da carteira em renda variável.
Fernanda De Rousset, sócia da B.Side Investimentos

Como um produto mais arriscado para este perfil, ela indica os fundos de investimentos —assim como Claudia—, em que gestores profissionais são responsáveis por direcionar as aplicações dos investidores.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.