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Como juntar R$ 100 mil em até dois anos? Veja planos conforme seu perfil

Especialistas mostram estratégias práticas de acordo com cada perfil de investidor - ljubaphoto/iStock
Especialistas mostram estratégias práticas de acordo com cada perfil de investidor Imagem: ljubaphoto/iStock
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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, de São Paulo

10/02/2022 04h00

Deseja chegar a R$ 100 mil acumulados no curto prazo, mas não sabe como? O UOL conversou com três especialistas que trazem estratégias práticas para o sonho sair do papel e se tornar realidade —seja para quem tem perfil mais conservador, moderado ou arrojado na hora de assumir riscos.

Confira abaixo como juntar essa quantia em até dois anos, que é o período considerado como curto prazo de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Planejamento como aliado

Lai Santiago, educadora financeira da Open, diz que o investidor deve ter "os pés no chão na hora de se comprometer com os objetivos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo." O alerta da especialista tem a ver com duas questões: as características da economia brasileira (com altos e baixos) e questões comportamentais dos investidores.

"Existe uma busca constante por uma rentabilidade maior, um retorno milagroso. Em vez de se levar em consideração a capacidade de poupança e o tempo que vai ser dedicado a isso, muitos [investidores] são levados apenas pela busca de rentabilidade e acabam tomando decisões equivocadas, escolhendo investimentos com base no efeito manada", diz a especialista.

Por isso, segundo Lai, o planejamento deve ser uma âncora para quem tem planos de aumentar o patrimônio.

Não dá para conseguir resultado milagroso com pouquíssimo esforço. Quando falamos de acúmulo de patrimônio, o que faz diferença é o quanto antes começamos a guardar e quanto maior for o valor. O tempo é o fator exponencial da fórmula de juros compostos.
Lai Santiago, educadora financeira da Open

Como juntar R$ 100 mil de acordo com seu perfil

Abaixo, veja as sugestões da educadora financeira Lia Santiago para quem quer acumular R$ 100 mil no curto prazo, segundo o perfil.

Perfil conservador (com rentabilidade mensal estimada de 0,40%)

Composição da carteira

  • 60% em renda fixa pós-fixada
  • 40% em renda variável (fundos, ETFs, ações, dólar e ouro)

Prazo x aporte mensal

  • 1 ano com aporte de R$ 8.119,11/mês
  • 2 anos com aporte de R$ 3.962,34/mês

Perfil moderado (com rentabilidade mensal estimada de 0,45%)

Composição da carteira:

  • 50% em renda fixa pós-fixada
  • 50% em renda variável (fundos, ETFs, ações, dólar e ouro)

Prazo x aporte mensal

  • 1 ano com aporte de R$ 8.092,67/mês
  • 2 anos com aporte de R$ 3.937,36/mês

Perfil arrojado (com rentabilidade mensal estimada de 0,50%)

Composição da carteira:

  • 40% em renda fixa pós-fixada
  • 60% em renda variável (fundos, ETFs, ações, dólar e ouro)

Prazo x aporte mensal:

  • 1 ano com aporte de R$ 8.066,31/mês
  • 2 anos com aporte de R$ 3.912,50

Para quem busca maior segurança

Daniel Marucci, especialista em alocação da Acqua-Vero Investimentos, destaca que o perfil conservador —aquele que busca mais segurança e não quer se arriscar tanto ao investir— é conhecido por não gostar de grandes oscilações na carteira ao longo do tempo.

Por isso, os melhores investimentos tendem a ser aqueles atrelados à renda fixa, com alocações podem ser feitas diretamente nos papéis, como os CDBs, LCIs e LCAs, além de títulos públicos. Ou ainda por meio de fundos de investimento em renda fixa.

"Para um perfil conservador e com utilização do recurso em até dois anos, uma alocação preponderante na subclasse pós-fixada (cerca de 80%), tática em inflação (cerca de 15%) e oportuna em prefixados (em torno de 5%) é apropriada", diz o especialista.

Para ele, com essa estratégia é possível ter um retorno anual de 12,45% sobre o investimento feito. "Considerando um investidor que não tenha nenhum recurso guardado ou investido e faça aportes mensais, o valor deve ser de R$ 3.715,00 para que em 24 meses tenha R$ 100 mil", declara.

Onde não investir

Segundo Marucci, como 2022 é um ano eleitoral e o que tem se visto no mundo são políticas monetárias contracionistas. Logo, existe o risco da volatilidade (sobe e desce da Bolsa de Valores e, portanto, de ativos ligados à ela, como as ações).

Cenário semelhante é traçado para outras classes de ativos, como fundos multimercados e fundos imobiliários. Por isso, não são recomendados para quem quer chegar aos R$ 100 mil em dois anos.

Prazo curto pede cautela

Assim como Marucci, Theo Linero, planejador financeiro CFP, afirma que em 24 meses normalmente não é necessário fazer alguma correção de rota —ou seja, rever a carteira de investimentos— por conta de variáveis econômicas.

"Ajustes se fazem necessários principalmente para prazos mais longos, quando as mudanças nas taxas que usamos na simulação tendem a ser mais representativas", diz Theo.

Na simulação, o especialista recomenda investimentos de menor risco por causa do prazo curto, de até dois anos. "É um intervalo de tempo pequeno, que não permite perdas". Por isso, ele recomenda a mesma carteira de investimentos para os três perfis: conservador, moderado e arrojado.

"Para esta simulação, foi considerada uma carteira de renda fixa, que poderia ser composta por produtos pós e prefixados", afirma. Ele ressalta que, caso o investidor opte por produtos prefixados da renda fixa, a recomendação é de que sejam escolhidos investimentos com vencimento próximo ao objetivo de dois anos. "Neste caso, considerado o curto prazo, os aportes mensais ficariam na casa de R$ 3.900", declara.

O planejador financeiro considerou na simulação que o investidor terá o valor de R$ 100 mil líquido, descontados eventuais impostos dos investimentos realizados. A alíquota de 15% (percentual médio) foi utilizada, uma vez que é a menor alíquota cobrada atualmente nos produtos que possuem cobrança regressiva (com exceção de produtos de previdência).

Independentemente do prazo definido para o acúmulo de dinheiro, a educadora financeira Lai avalia que o maior risco é ter uma carteira de investimento desalinhada com o perfil de investidor. Por exemplo, ser conservador e montar uma carteira arrojada. "No primeiro abalo o resgate é feito sem pensar duas vezes, ou seja, o investidor vai confirmar a perda", diz.

Não desvie do objetivo

Outro erro de quem quer aumentar o patrimônio de forma planejada é desviar do objetivo, o que Lai chama de "já que".

"A pessoa avalia que não está tendo sucesso no investimento ou que não tem perfil para juntar dinheiro e começa a deslizar no planejamento financeiro, acionando o 'já que'. 'Já que fez o resgate de R$ 10, no mês seguinte não tem problema fazer de R$ 5'. Ou porque deixou de investir em um mês, acha que tudo bem se deixar de aplicar também no mês seguinte", declara a especialista.

Linero, como planejador financeiro, orienta na mesma direção: afirma que um plano serve para ser seguido, mesmo que o mercado dê sinais de mudança. Segundo ele, é preciso ficar atento ao que motiva a decisão de investir: se um respaldo técnico ou emocional.

"Muitas vezes, quando extrapolamos limites de risco que estaríamos verdadeiramente dispostos a aceitar, sentimos mais certos movimentos —como quedas bruscas—, e tendemos a querer sair daquele investimento, ainda que seja algo momentâneo e a expectativa de recuperação dentro do período previsto para ele", declara.

Entenda o que o motivou a investir em determinado produto e, quando perceber que está prestes a quebrar o plano, volte a ele e veja se os fundamentos que motivaram a investir naquele produto se mantêm ou não. É no plano que você terá as respostas para ficar ou sair de um investimento.
Theo Linero, planejador financeiro CFP pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar)

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.