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Ouro tem valor próximo a U$ 2.000 com a guerra na Ucrânia; vale investir?

Veja se é hora de investir diante da valorização do metal - Zlataky.cz/ Unsplash
Veja se é hora de investir diante da valorização do metal Imagem: Zlataky.cz/ Unsplash
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Paula Pacheco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

08/03/2022 04h00

Com a pandemia, o ouro chegou a uma cotação histórica em agosto de 2020, a US$ 2.021 (mais de R$ 10.254) a onça-troy —unidade de peso do sistema troy, usada na pesagem de metais preciosos, equivalente a aproximadamente 31,1 gramas. Assim, o metal teve uma valorização de 56% no ano. Depois, perdeu fôlego ao longo dos meses, até começar a ganhar mais força em 2022, impulsionado pela guerra entre Rússia e Ucrânia. Nesta segunda-feira (7), superou por alguns minutos a marca de US$ 2.000 (R$ 10,1 mil).

Valorizado como reserva de valor —ou seja, espécie de investimento à prova de grandes incertezas no mercado—, o ouro volta a ser visto como um ativo em potencial para fazer parte da carteira. Para entender o que está acontecendo com o metal e se vale a pena investir, o UOL ouviu um time de analistas. Leia logo abaixo.

O ouro é considerado um refúgio por ser um ativo que o preço não pode ser manipulado por um país ou um governo. Logo, é natural que haja uma procura maior pelo metal em momentos como esse, em que pessoas buscam blindar o patrimônio.
Édson Magalhães, gerente operacional da BP Trading

No dia da invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro, o valor por onça-troy alcançou US$ 1.926,30 (cerca de R$ 9788,69) pela Nymex, a Bolsa de Mercadorias de Nova York.

Uma semana depois, em 2 de março, registrou uma ligeira queda, com o contrato para vencimento em abril terminando o dia negociado a US$ 1.922,30 (R$ 9768,36) por onça-troy. Recuperou-se no dia seguinte, quando atingiu o valor de US$ 1.935,90 (R$ 9837.47).

Além de servir como opção para quem busca opções mais seguras para investir, especialmente em tempos de incerteza, agora há mais dois fatores que explicam a reação rápida da cotação do ouro. Um deles é o fato de a Rússia, protagonista do conflito bélico atual, ser a segunda maior produtora da matéria-prima no mundo, atrás apenas da China (veja lista abaixo).

Dez maiores produtores de ouro do mundo

País x toneladas produzidas por ano:

  1. China: 368,3 toneladas
  2. Rússia: 331,1 toneladas
  3. Austrália: 327,8 toneladas
  4. Estados Unidos: 190,2 toneladas
  5. Canadá: 170,6 toneladas
  6. Gana: 138,7 toneladas
  7. Brasil: 107,0 toneladas
  8. Uzbequistão: 101,6 toneladas
  9. México: 101,6 toneladas
  10. Indonésia: 100,9 toneladas

Fonte: Metals Focus; World Gold Council/2021.

Pesa ainda o momento econômico americano, já que o ouro, como explica Roberto Attuch Jr., fundador e CEO da Ohmresearch, é o ativo com maior correlação com as taxas de juros dos EUA. Quanto mais baixa for essa taxa, maior a valorização do metal.

O fato é que, com a guerra entre Rússia e Ucrânia, todas as commodities [matérias-primas] vão subir. Esta é a única certeza que se pode ter agora. Com isso, o ouro, que estava parado nos últimos anos, pode brilhar.
Roberto Attuch Jr., fundador e CEO da Ohmresearch

Inflação melhora perspectivas para o metal

A alta das commodities poderá trazer uma expectativa de aumento generalizado dos preços, pressionando a inflação para cima, o que tende a influenciar na decisão do banco central americano (Federal Reserve, o Fed) sobre os juros. As taxas podem subir menos do que o previsto.

O CEO da Ohmresearch acrescenta outro componente na provável trajetória de valorização do ouro. As pressões econômicas internacionais contra a Rússia, que têm atingido o bolso dos bilionários russos. Isso pode fazer com que busquem alternativas como as criptomoedas para burlar as restrições.

Isso pode resultar em um aumento da regulação de moedas digitais, como o bitcoin. Como resultado, as cotações desses investimentos, apontados como "o novo ouro" —isto é, uma alternativa para quem busca formas de ter uma reserva de valor— seriam atingidas.

Por que investir em ouro?

Quem planeja acrescer à carteira de investimentos o ouro, no entanto, deve manter a cautela, alerta o especialista da Ohmresearch, que compara o metal a títulos de longo prazo.

"É como um bond [título] de 30 anos que não paga juros. A variável que vai influenciar sua cotação é o juro real americano", diz ele. Por isso, sua recomendação, levando-se em consideração o perfil do investidor e seus objetivos, é que a commodity não ultrapasse os 5% de participação na carteira.

Magalhães, da BP Trading, acrescenta: "Nesses momentos de tensão e incerteza, as pessoas abdicam de rentabilidade e buscam ativos que proporcionem menor exposição ao risco. O ouro pode e deve ser considerado na composição de uma carteira que proporcione proteção contra inflação, juntamente com ativos de energia, agrícolas e metais industriais".

De acordo com o especialista da BP Trading, a recomendação é a compra de ouro sempre que a estratégia do investidor focar o longo prazo. O momento da compra, assim como em outro ativos, é quando a trajetória do seu valor for de baixa.

"A expressão mais conhecida por investidores do metal é 'buy in the dips", ou seja, comprar sempre que o preço cai, o que oferece condições de aumento de posição. Vale ressaltar que não é recomendável manter posições somente em um ativo", declara Magalhães.

Quem investe em renda variável e já conta com o ouro na carteira de ativos, afirma Rodrigo Knudsen, gerente de Portfólio da Vitreo, pode aumentar a participação do metal neste momento.

A orientação do especialista é que o investidor que tem, por exemplo, 40% do patrimônio investido em ações e 5% em ouro, avalie aumentar essa fatia para 10%.

Da mesma forma, quem tem 10% em papéis de empresas e 1% no metal pode aproveitar o momento para chegar a 2%. Knudsen, no entanto, não recomenda o metal para quem prefere fazer seus aportes em renda fixa. "Neste caso o ouro não faz sentido nenhum como investimento", afirma.

Opções para quem quer investir em ouro

1) Barras de ouro físicas

A compra de barras de ouros físicas é uma alternativa burocrática e pouco aconselhada pelos especialistas por causa da baixa liquidez (ou seja, a dificuldade de negociar o ativo) e as taxas cobradas, como a fixada pelas corretoras (que pode chegar a 0,15% por mês sobre o valor do ativo) pelo serviço de custódia.

Corretoras autorizadas pelo Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) são a porta de entrada para o investidor. A quantidade mínima negociada é de 1 grama.

A recomendação é adquirir apenas as barras vendidas lacradas pelas distribuidoras. Essa opção, no entanto, envolve o risco de liquidez, pois é mais fácil vender o ativo negociado no mercado financeiro do que o metal físico.

Além disso, tem a questão da segurança. As corretoras costumam cobrar de 0,07% a 0,15% por mês sobre o valor do ativo para o serviço de custódia do metal.

2) Fundos de investimento em ouro

Caso o investidor opte por fundos de investimento em ouro, a movimentação dos contratos lastreados no metal fica a cargo de gestores profissionais.

Outra alternativa são produtos atrelados a fundos de índice, como são chamados os ETFs (Exchange Traded Fund). É o caso do GOLD11.

3) Ações ou BDRs

O investidor tem a opção de comprar as ações de mineradoras que exploram a commodity ou ainda comprar BDRs (Brazilian Depositary Receipts, que funcionam como recebidos de ações) de empresas ligadas ao metal. Entre as alternativas está a Aura Minerals (AURA33). Listada na bolsa canadense, a companhia tem recibos listados na B3.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.