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Após disparada, ações do Twitter caem e já voltam ao preço pré-Elon Musk

Ações do Twitter voltam ao nível anterior à proposta de compra feita por Elon Musk. - Dado Ruvic/Reuters
Ações do Twitter voltam ao nível anterior à proposta de compra feita por Elon Musk. Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Lílian Cunha

Colaboração para o UOL, de São Paulo

18/05/2022 15h13Atualizada em 18/05/2022 16h59

Um mês e meio após o bilionário Elon Musk anunciar a aquisição inicial de 9,2% do Twitter (TWTR), em 4 de abril, as ações da rede social voltaram aos níveis anteriores ao bafafá criado pelo homem mais rico do mundo.

Hoje, na Nasdaq, a Bolsa eletrônica americana, os papéis do Twitter eram negociadas a US$ 37,17 às 13h40 de Brasília, baixa de 2,99%. Ao longo da investida de Musk para comprar a rede social, as ações chegaram a US$ 53, em 5 de abril.

Os recibos de ações do Twitter (TWTR34), os BDRs, negociados na bolsa brasileira, também acompanharam o movimento de queda. Custavam R$ 92 antes do "fenômeno Musk". Chegaram a R$ 130 em 25 de abril. Hoje, são negociados a R$ 92,38, com alta no mesmo horário, de 1,82%.

E porque está caindo?

Confira abaixo a análise de especialistas em espaço dedicado aos assinantes.

A queda ocorre porque, em 13 de maio, o empresário sul-africano disse que o negócio estava temporariamente suspenso devido a detalhes pendentes sobre o cálculo de "spams" e contas falsas na plataforma. Duas horas depois, porém, no mesmo dia, ele tuitou que continuava comprometido com a aquisição da rede social.

"Dificilmente ele vai assumir esse risco de perder credibilidade e prejudicar seus outros negócios, como a Tesla, de automóveis elétricos, e voltar atrás", diz Guilherme Zanin, analista da Avenue Capital. Mas o mercado vê o negócio como incerto e por isso as ações caem", afirma ele.

Outro fator é que nos últimos dois meses, com a covid-19 na China, a inflação e a guerra na Ucrânia, o mercado de capitais no mundo todo vem andando para trás. E isso afeta também as ações do Twitter.

Para pôr mais lenha na fogueira, Musk respondeu a um tuíte de Parag Agrawal, atual diretor executivo do Twitter, com um emoji de cocô. Parag tinha publicado: "Suspendemos mais de meio milhão de contas de spam todo dia, geralmente antes de você sequer vê-las no Twitter. Também bloqueamos milhões de contas toda semana que suspeitamos ser spam se não conseguem passar por verificação humana (captchas, verificação por telefone, etc.)".

Por que tanta polêmica?

Para Musk, a confusão toda e a queda das ações são boas. Apesar de ser bilionário, ele não tem todo o dinheiro que precisa para fechar o negócio e procura investidores parceiros. Ele teria cerca de US$ 20 bilhões dos US$ 44 bilhões acordados para a compra. Os parceiros pagariam, então, menos para participar da aquisição.

"Ele comentou que deve ter uns 20% de contas falsas e está usando isso para baixar o preço", diz Breno Bonani, analista-chefe da VGR Asset.

Para quem tem ações do Twitter, a queda é relativamente boa. Como Musk acertou a compra por US$ 54,20 por ação, os acionistas têm 50% de chance de ganhar com o negócio, caso ele seja concretizado. Se não for, aí as ações vão cair ainda mais.

Mas é uma boa comprar agora?

Zanin não recomenda. "Quando acontecem eventos como esse envolvendo o Musk, a gente não tem como prever o que vai acontecer e o risco é muito alto." Segundo ele, é melhor ficar de fora.

É a mesma opinião de Breno Bonani, da VGR Asset.

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