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Eleições estão chegando: devo investir em ações de estatais?

Eleições à vista, e você pergunta: é um bom momento para investir em ações de empresas estatais? - SOPA Images/LightRocket via Gett
Eleições à vista, e você pergunta: é um bom momento para investir em ações de empresas estatais? Imagem: SOPA Images/LightRocket via Gett
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Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/07/2022 04h00

Há diversas empresas estatais com ações na Bolsa, como Petrobras, Sabesp, Eletrobras, Banco do Brasil. Com as eleições presidenciais chegando, será que essas ações podem sofrer? Quais são os riscos para o investidor colocar dinheiro nessas empresas?

Analistas ouvidos por UOL recomendam certos cuidados, mas dizem que nem por isso as empresas públicas devem permanecer totalmente fora do radar. Empresas dos setores de água e energia, por exemplo, podem oferecer certa defesa para a carteira do investidor em um período de forte sobe e desce na economia, inflação em alta e possibilidade de recessão global.

É melhor arriscar ou olhar para setores tradicionais?

O analista da ,Empiricus, Matheus Spiess aposta em ações de bancos e empresas de serviços como água e energia.

Caso queira investir em banco, há a opção de ações do Banco do Brasil. O banco estatal possui 3.900 agências físicas e 79,3 milhões de clientes, com 24,2 milhões de consumidores ativos em canais digitais. Nos três meses finalizados em março passado, o BB registrou recuo de 24,4% no lucro líquido, para R$ 4,2 bilhões. Entretanto, a carteira de crédito ampliada da instituição teve crescimento de 16,4%, para R$ 883,5 bilhões.

A Eletrobras, que responde por 30% da geração de energia no país, com 105 usinas em funcionamento, e teve o seu processo de privatização concluído em junho, também é mencionada pelos especialistas.

Assim como a Sabesp, responsável pelo saneamento e distribuição da água em São Paulo —neste caso, há ceticismo do mercado sobre uma possível venda à iniciativa privada e novos projetos que possam acrescentar valor ao negócio.

O analista da Ouro Preto Investimentos, Bruno Komura, diz que a Copel (Companhia Paranaense de Energia) pode ser um bom negócio. Segundo ele, a política do atual governador do Paraná, Ratinho Júnior, do PSD, tem ajudado a empresa na sua relação com o mercado. Isso melhora a distribuição de lucro entre os acionistas.

No Paraná, a Copel fechou o primeiro trimestre com mais de 4 milhões de consumidores residenciais no primeiro trimestre deste ano, crescimento de 2,3% sobre o mesmo período do ano anterior, além de atender 71,2 mil empresas. Embora nos três meses encerrados em março o lucro tenha caído 11,8%, o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa subiu 14,4%, para R$ 1,49 bilhão, indicação de rentabilidade e lucro da empresa.

Petrobras pode ser bom negócio?

No caso da Petrobras, os analistas afirmam que pode ser um bom negócio comprar os papéis da empresa. Mas não sem antes algumas ressalvas.

Nos primeiros três meses do ano, as receitas da gigante de petróleo subiram 64,4%, enquanto a dívida líquida em dólar (ou seja, já descontadas as despesas), caiu 31,4%, para US$ 40 bilhões. A companhia tem sido beneficiada pela alta de 66,5% no preço do petróleo do tipo brent, negociado em Londres e referência no setor, entre o primeiro trimestre de 2021 e o mesmo período deste ano.

Mas e a política de preços de combustíveis?

Entretanto, os analistas se preocupam com as possíveis interferências políticas sobre a gestão da Petrobras após a disputa do pleito em outubro. Com o valor da gasolina pressionando a inflação —que subiu 0,67% e chegou a 11,89% nos 12 meses encerrados em junho e pesando sobre o bolso do consumidor, a companhia se vê no centro do debate eleitoral, com forte divergências sobre os preços em vigor entre os três candidatos favoritos ao Planalto: Lula (PT), Jair Bolsonaro (PL) e Ciro Gomes (PDT).

O analista da Empiricus diz ainda, que a Petrobras se encaixa em uma carteira com dez ações, em que três seriam estatais. E ressalta que sendo três do setor público, além de petróleo e gás, dividiria a seleção entre bancos e utilities (como água e energia).

Cenário não é dos mais favoráveis

Guerra na Ucrânia, disparada da inflação, a possibilidade de recessão nos Estados Unidos e calendário eleitoral à vista. Não são poucos os riscos para investidores da renda variável. Mas Bruno Komura, da Ouro Preto Investimentos, entende que a instabilidade na Bolsa brasileira tem mais a ver com o aumento dos riscos fiscais do que com as eleições.

O sobe e desce na Bolsa, inclusive de estatais, tende a diminuir conforme as eleições ficam mais próximas, já que os analistas entendem melhor quais são os riscos e consequências das eleições.

Preço das ações ainda vai mudar muito?

O sócio e head de análise da casa de análises Levante Ideias de Investimentos, Enrico Cozzolino, entende que o mercado já analisou o perigo eleitoral para as empresas - e colocou esse risco no preço das ações. "Por incrível que pareça, acho que as eleições vão ter pouco impacto. Muitas das estatais já estão embutindo o desconto do cenário eleitoral", diz.

Ele considera que, se não fossem estatais, o valor das companhias poderia ser maior, exatamente por conta desse perigo eleitoral. Para o ano que vem, um ambiente mais estável do ponto de vista político e econômico pode ser positivo para aumentar o valor das estatais.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.