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Inflação negativa: qual o melhor investimento? Renda fixa é opção?

Inflação em queda: onde investir neste cenário? - Getty Images
Inflação em queda: onde investir neste cenário? Imagem: Getty Images

Fernando Barbosa

Colaboração para o UOL, em São Paulo

23/09/2022 04h00

Após registrar alta de 10,06% em 2021 e chegar a 12,13% nos 12 meses encerrados em abril, a inflação começou a desacelerar no país desde então. Em agosto, o país registrou o seu segundo mês consecutivo de deflação - inflação negativa - ao recuar 0,36%, segundo o IBGE.

Esse encolhimento na inflação é incomum para a realidade dos brasileiros. Mas o que isso significa para os investimentos? Onde consigo ganhar mais?

Renda fixa prefixada é beneficiada: Em meio ao cenário de queda do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), o especialista de alocação da gestora Claritas, Rodrigo Cabraitz, afirma que os títulos de renda fixa com taxas definidas ganham força, como o Tesouro Prefixado, um título do Tesouro Direto que tem as taxas definidas no momento da compra.

Para o sócio e gestor de portfólio da gestora Alphatree Capital, Jonas Doi, os investimentos públicos prefixados com vencimento no prazo de dois anos devem ser favorecidos. No site do Tesouro Direto, é possível encontrar o Tesouro Prefixado com vencimento para janeiro de 2025 e rentabilidade anual em torno de 11,80% ao ano.

Por conta da diferença entre a inflação e a remuneração, esses ativos passam a oferecer uma rentabilidade real maior ao investidor - que é o quanto o investimento rende acima da inflação.

Neste sentido, outra possibilidade é o DI futuro. Basicamente, a taxa DI (Depósito Interbancário) é cobrada nas operações de empréstimos realizadas entre as instituições financeiras. No caso do DI futuro, é uma modalidade voltada para investidores que acreditam na alta ou queda da taxa básica de juros, a Selic, daqui a alguns meses ou anos.

"A análise de que o Banco Central já teria cumprido boa parte do aperto monetário e a gente já vê cortes no futuro, pensando no segundo semestre de 2023", afirma Cabraitz.

Títulos pós-fixados trazem proteção: O panorama favorável aos títulos prefixados não significa que a renda fixa atrelada ao IPCA deva ser descartada.

Atualmente, os títulos atrelados ao IPCA oferecem a taxa oficial da inflação mais uma remuneração fixa. No site do Tesouro Direto, o investidor pode encontrar o Tesouro com remuneração pelo IPCA mais cerca de 5,69% ao ano, com vencimento para agosto de 2026.

Por sua vez, os títulos com prazos mais longos também podem ser interessantes, a exemplo do IPCA 2035, 2040 e 2045. Todos possuem retornos do IPCA mais cerca de 5,80% ao ano. Para quem considera investidor no Tesouro Direto, os títulos têm a cobrança de Imposto de Renda que varia entre 22,5% a 15% ao ano, conforme o período em que o dinheiro permanecer investido.

E a renda variável? No curto prazo, a deflação também pode beneficiar empresas de alguns setores listadas na Bolsa, casos da construção civil e varejo.

Com a queda na inflação, a tendência é que o Banco Central corte a taxa básica de juros, a Selic. Com juros menores, o consumo é estimulado, o que favorece empresas de varejo, e mais pessoas compram apartamentos, já que o custo é menor.

No caso do comércio varejista, o especialista em investimentos da plataforma de orientação financeira N2, Luiz Ciardi, diz que a redução nos preços deve gerar um efeito cascata e resultar no recuo de produtos como eletrodomésticos e eletroeletrônicos.

Já na construção civil, o movimento tende a reduzir o custo da matéria-prima, e, por consequência, dos próprios imóveis. Em um cenário de dificuldade econômica, a leitura é que o dinheiro do consumidor volta a ganhar poder de compra e pode aquecer o mercado.

Mas Jonas Doi, da Alphatree Capital, afirma que a Selic a quase 14% (hoje a Selic está em 13,75% a.a.) é "água no chope da renda variável", já que a preferência tende a permanecer na renda fixa.

Cenário de mais deflação: Com as altas na taxa básica de juros pelo Banco Central e a redução dos impostos de energia elétrica e combustíveis pelo governo, os especialistas ouvidos pela reportagem acreditam que é possível a deflação se repetir em setembro. Assim, o IPCA poderia chegar a sua terceira retração mensal seguida.

De acordo com o relatório do Boletim Focus, pesquisa do BC junto a economistas de diversas instituições financeiras, o indicador que mede os preços em cenário nacional deve alcançar 6,40% em 2022 e chegar a 5,17% no próximo ano. Há um mês, as estimativas eram de 7,02% e 5,38%, para o ano atual e para 2023, respectivamente.

O que deve acontecer até o fim do ano? Por enquanto, as eleições presidenciais ainda não trouxeram volatilidade ao mercado, afirma o gestor da Empiricus Investimentos, Rodrigo Knudsen.

Mas isso não está descartado. "Temos riscos externos, como a guerra da Rússia e o problema da Europa com [os preços de] gás e petróleo. Nos Estados Unidos, existe a questão da inflação [os preços no país americano acumulavam alta de 8,5% nos 12 meses até julho]. Eles estão atrasados em baixar os juros. Além da China com dificuldades na economia interna", diz Knudsen.

Já Rodrigo Cabraitz, da Claritas, afirma que não é possível saber qual será a política fiscal do próximo governante, o que é fundamental para reduzir o tamanho da dívida pública. Este pode ser um outro fator de desequilíbrio no mercado, que traz o Tesouro indexado ao IPCA novamente para a mesa.

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