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ANÁLISE

Investimentos à prova de crise: como guardar dinheiro em momentos de aperto

Está sofrendo para investir com a crise financeira? Veja que investimento pode te ajudar e onde aplicar o seu dinheiro - Getty Images
Está sofrendo para investir com a crise financeira? Veja que investimento pode te ajudar e onde aplicar o seu dinheiro Imagem: Getty Images

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/09/2022 04h00

Como você pode guardar e investir dinheiro diante de um cenário de crise? Como criar e manter uma reserva de emergência? O que fazer se, quando meus investimentos caem, tenho vontade de vender tudo?

No Papo com Especialista, programa ao vivo do UOL, a planejadora financeira Vivian Rodrigues responde essas e outras perguntas.

Ela mostra como montar sua reserva de emergência para passar por períodos de instabilidade financeira, como usar a reserva de oportunidade e também no que investir para proteger seu dinheiro da inflação.

Leia abaixo a análise da planejadora financeira e assista ao programa completo do dia 18 de agosto, que é um tira-dúvidas sobre investimentos exclusivo para assinantes e transmitido semanalmente, às quintas-feiras, das 16h às 17h. Para também ter sua dúvida respondida no programa, envie sua questão para o Papo pelo email uoleconomiafinancas@uol.com.br.

Quanto guardar para a reserva de emergência?

Guardar um dinheiro para emergências - como desemprego, carro quebrado ou qualquer outro problema - é um dos primeiros passos para quem quer investir. Mas quanto é necessário reservar para isso? Sobre o tamanho da reserva de emergência (de três, seis ou 12 meses), Vivian diz que não há uma indicação única para todos os contextos.

Segundo ela, a reserva de emergência serve para suprir a sua renda em algum momento ou para cobrir algum gasto extra. Você deve avaliar o seu contexto e montar uma reserva de emergência com o tamanho ideal para você se sentir mais confortável e seguro.

Para Vivian, o valor referência deve ser o equivalente a seis meses dos seus gastos - mas pode ser até maior. "Você deve partir de seis meses dos seus gastos mensais e daí avaliar conforme o seu contexto, para fazer pequenos ajustes", declara.

Como repor a reserva de emergência?

Como imprevistos acontecem, em algum momento de aperto você vai precisar usar sua reserva de emergência. O que fazer depois para restaurar essa poupança: tirar dinheiro dos seus investimentos ou ir juntando aos poucos?

Para a planejadora financeira, não vale mexer nos investimentos para restaurar a reserva de emergência. "Se surgir alguma nova emergência, daí você vai lá e faz esse movimento. Do contrário, não vale, pois você pode ter prejuízo ao fazer uma movimentação antecipada", afirma.

O que é reserva de oportunidade?

Além da reserva de emergência, existe outra reserva importante para ter em seus investimentos. A reserva de oportunidade é uma espécie de "caixa" dentro dos seus investimentos. Vivian diz que a reserva de oportunidade pode fazer parte da sua carteira, para que você consiga comprar produtos quando eles estiverem baratos.

"Ela funciona como um pequeno pulmão para, quando melhorar o preço, você investir em produtos da renda fixa ou da renda variável, para assim balancear a sua carteira", diz.

Onde investir a sua reserva de oportunidade, enquanto você espera o melhor momento para aplicar em outra coisa? Em produtos que tenham liquidez, diz Vivian, como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária e fundos com taxa zero e que investem em Tesouro Selic.

Como investir para proteger seu dinheiro da inflação?

A inflação assusta todos, de consumidores a investidores. Segundo Vivian, para não perder o seu poder de compra, vale investir em títulos atrelados ao IPCA, que pagam a inflação do período mais uma taxa prefixada e acordada no momento da compra.

Ela diz, no entanto, que você não deve, necessariamente, pegar todo o seu dinheiro e investir apenas nesses títulos atrelados à inflação.

Quando você diversifica o seu dinheiro, você deve ter um pouco atrelado ao CDI, um pouco atrelado à inflação, um pouco de títulos prefixados, uma parte em fundos cambiais, outra em ETFs da Bolsa brasileira e da Bolsa americana, etc.

"Você pode pensar em um balanceamento de carteira. Daí você consegue ter um equilíbrio, uma diversificação inteligente, buscando títulos que vão render de forma diferente conforme o movimento da inflação brasileira", diz.

Bolsa barata: vale investir mesmo com instabilidade?

Para a planejadora financeira, não vale tentar buscar só o investimento que está mais barato ou o que está rendendo mais naquele momento, seja ele na renda fixa ou na renda variável.

"Pense sempre conforme o seu perfil [de investidor]. Qual o percentual que você quer deixar na renda variável, assumindo um pouco mais de risco? Qual o percentual que você quer deixar na renda fixa, com menos risco na maior parte dos casos? É a partir desse percentual que você vai balanceando a sua carteira", afirma.

Vivian diz que é normal que os momentos de instabilidade criem oportunidades de investimento. "Portanto, vale investir principalmente em momentos instáveis, mas sempre de acordo com o seu perfil de investidor, diversificando a sua carteira e entendendo os produtos nos quais você vai investir, e não só porque eles vão pagar mais."

É normal querer vender tudo quando os investimentos caem?

Vivian diz que, antes de montar sua carteira de investimentos, é importante entender o seu perfil de investidor.

"Ao ter a percepção do seu perfil, é interessante sempre estar um degrauzinho antes. Se você acha que é moderado, investe um pouco menos na renda variável do que você acha que poderia, até ficar confiante", diz.

Para ela, se você não se sente confortável com a instabilidade dos seus investimentos, talvez valha diminuir sua exposição a risco e ir ajustando aos poucos, dentro do seu limite.

Vale investir na renda variável nesse momento de juros altos?

Ela diz que é sempre em momentos de instabilidade, com queda da Bolsa e com o aumento das taxas da renda fixa, que se criam oportunidades de investimentos nos dois campos: na renda fixa e na renda variável.

"Mas faça os investimentos de acordo com o seu perfil. Veja qual o percentual da sua carteira em cada um desses guarda-chuvas [renda fixa e renda variável] fará você se sentir confortável. E comece sempre com bem menos na renda variável do que você acha que poderia", afirma.

Ao investir na renda variável, você deve estar ciente de que ela tem volatilidade - pode ganhar mais, mas também pode perder.

Por isso, é preciso olhar para um investimento conforme o prazo dele. Na renda variável, você deve olhar para os investimentos dentro de um prazo mais longo, sem se preocupar com as variações diárias (o sobe e desce da Bolsa), segundo ela.

Papo com Especialista é semanal

O programa Papo com Especialista é transmitido às quintas-feiras, semanalmente, das 16h às 17h, na página inicial do UOL, no UOL Economia e no UOL Investimentos, e é exclusivo para assinantes. Reveja programas anteriores aqui.

Você pode enviar perguntas ao Papo pelo email uoleconomiafinancas@uol.com.br —elas podem ser respondidas no programa.

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