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Como montar do zero uma carteira de ações para ter renda com dividendos

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Iniciar uma jornada de investimentos focada na geração de renda passiva pode parecer desafiador. No início, seus dividendos só serão capazes de pagar uma bala. Mas, conforme os investimentos aumentam e o tempo passa, os dividendos podem ser capazes de pagar algumas contas e até chegar ao ponto de bancar todas as suas despesas. É a tão sonhada liberdade financeira.

Mas quais são as recomendações para construir uma carteira de renda? O UOL Investimentos conversou com alguns analistas para entender como fazer isso.

Qual é o primeiro passo para investir em ações

Entenda onde está investindo. O primeiro passo é entender que, embora você esteja investindo em ações, o foco não é ganhar com a valorização dos papéis e, sim, com dividendos. Vicente Guimarães, CEO da VG Research, diz que a valorização dos papéis vai acontecer do mesmo jeito, quando a pessoa constitui uma carteira com boas empresas. "Valorização é uma consequência. O objetivo final da carteira de dividendos deve ser gerar renda passiva para a pessoa se aposentar", afirma.

Longo prazo é fundamental. A jornada para viver de renda é um processo de vários anos, e o foco do investidor deve sempre estar no longo prazo. Alguns analistas recomendam investir com um horizonte de no mínimo cinco anos. Para Guimarães, o ideal é de pelo menos dez ou 15 anos em diante. Ele diz que os ciclos econômicos da Bolsa de Valores duram entre cinco e dez anos. Desta forma, se um investidor comprou a ação no ciclo de baixa e não esperou chegar o ciclo de alta, provavelmente desanimou e perdeu dinheiro.

Em quantas ações você deve investir? Na hora de decidir quantas ações vão integrar sua carteira de dividendos, os analistas recomendam escolher um número de empresas que o investidor possa acompanhar — ou seja, ler relatórios, estudar sobre elas, acompanhar documentos no site de Relações com Investidores, resultados trimestrais, notícias, entre outros. Guimarães aconselha aos iniciantes ter uma carteira com entre cinco e dez ações, que já proporcionam uma boa diversificação. Para Cleide Rodrigues, analista chefe da Money Wise Research, o ideal seria o investidor ter entre oito e 15 ações no começo da jornada, para conseguir gerar renda de forma consistente.

Diversificar é bom, mas investir em ações demais pode ser um risco. O excesso de ações na carteira pode gerar problemas, como a dificuldade de acompanhar resultados trimestrais das companhias. Já o segundo conflito é que carteiras muito pulverizadas podem diluir os resultados individuais de cada empresa em vez de maximizar os ganhos no longo prazo.

Não concentre sua carteira em poucos setores ou ações. Quando o investidor fica muito concentrado em um setor, acaba mais exposto a riscos. Um exemplo é o setor bancário, diz Guimarães: nos últimos anos, o patamar de dividendos caiu, e quem estava muito concentrado nele não se deu muito bem. Uma regra recomendada pelo analista é não concentrar mais de 50% da sua carteira em um único setor e nem ter uma participação acima de 30% em uma ação.

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Olhe para além das ações. Guimarães indica ter pelo menos 20% do patrimônio em fundos imobiliários, que geram renda mensal, e no mínimo 30% de reserva de liquidez —recurso investido em uma renda fixa de liquidez diária como Tesouro Selic ou CDB de banco— que pode servir para comprar novas ações nos momentos de queda da Bolsa.

Faça rebalanceamento frequentemente. Para manter a distribuição da carteira de forma estável, Guimarães aconselha fazer rebalanceamento a cada dois ou três meses. Contudo, isso não significa vender toda a sua posição em uma ação e, sim, uma pequena parcela.

Quais os melhores setores para viver de renda?

Para quem busca renda passiva, é fundamental escolher setores perenes. Cleide diz que estes setores são resilientes aos altos e baixos da economia brasileira, proporcionando estabilidade e crescimento contínuo, independentemente das condições econômicas do país.

Estes são conhecidos pelo acrônimo Best, que representa bancos, elétricas, seguros, saneamento e telecomunicações. Estes setores oferecem serviços essenciais que as pessoas continuam procurando mesmo em períodos econômicos desfavoráveis, diz a analista. Estes setores também são os preferidos do bilionário Luiz Barsi Filho, tido como o maior investidor individual da Bolsa brasileira. O megainvestidor afirmou que chegou a receber R$ 1,1 milhão de dividendos por dia em 2022, fruto desta estratégia.

É possível intercalar com ações cíclicas. Embora os setores perenes tenham a tradição de remunerar bem os seus acionistas, companhias de setores cíclicos, como commodities, construção civil e indústria podem de tempos em tempos oferecer dividendos elevados, de acordo com os ciclos do setor. Estes ciclos costumam durar anos, e é crucial saber o momento certo de entrar e sair destas companhias.

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Um claro exemplo disso é a Petrobras (PETR4), que nos últimos dois anos entregou proventos de até 58% e se destacou entre as maiores pagadoras da Bolsa. Segundo a analista da MW Research, é possível misturar ambas as estratégias: ter 70% da carteira de renda em ativos consolidados e 30% em empresas cíclicas.

"Ao criar um mix equilibrado entre empresas estáveis e aquelas que se beneficiam de ciclos econômicos, você pode colher o melhor dos dois mundos: estabilidade e potencial de crescimento", afirma Cleide. No entanto, a estratégia não é recomendada para investidores iniciantes que investem por conta própria, sem acompanhamento de um especialista.

Compre sempre quando as ações estão caindo. "O momento ideal para comprar uma ação cíclica é quando ninguém quer fazer isso, na baixa. Assim o investidor terá grandes resultados", diz Guimarães.

Prefira companhias líderes de mercado. Gabriel Duarte, analista da Ticker Research, recomenda optar por investir em empresas cíclicas líderes de mercado. Ele destaca que, mesmo em momentos difíceis, esse tipo de empresas terá maior capacidade de gerar caixa e pagar dividendos, mesmo que em um patamar mínimo. Já nos ciclos bons, estas companhias pagam dividendos elevados, acelerando o processo de enriquecimento do investidor. Duarte também alerta sobre empresas com elevado endividamento, o que pode destruir a companhia nos momentos adversos.

Que setores evitar ao investir

Evite varejo, que tem margens mais apertadas. Segundo Cleide, é importante evitar setores com margens líquidas apertadas — onde resta pouco lucro líquido em relação ao valor total que entra na empresa —, porque são setores em que é mais difícil encontrar boas pagadoras de dividendos. Um exemplo é o setor de varejo, principalmente o de eletrodomésticos.

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Outro setor que é melhor evitar é o de tecnologia, onde as companhias reinvestem seus lucros para crescer. Além disso, no setor de tecnologia é mais fácil que um concorrente cresça e afete os resultados da empresa.

Segundo Cleide, empresas de menor porte no setor de petróleo também seguem uma lógica semelhante, usando seus lucros para financiar atividades de expansão e exploração. Aviação, frigoríficos e turismo também são setores evitados por grandes investidores como Luiz Barsi Filho. Estes segmentos já sofreram diversas crises ao longo da história, e muitas companhias não sobreviveram.

Como criar um efeito bola de neve

Reinvista os dividendos recebidos. Nos primeiros anos na jornada de renda passiva, o investidor passa pela fase de acumulação, segundo os analistas. "A lógica é simples, mas extremamente eficaz: quem tem mais ações recebe mais dividendos", diz Cleide. Ao reinvestir, o investidor está aumentando a participação nas ações, gerando mais dividendos para a próxima distribuição. É o "efeito bola de neve".

No começo os dividendos podem cobrir apenas pequenas despesas, mas o segredo é continuar reinvestindo. "À medida que a bola de neve cresce, chegará o momento em que os dividendos poderão cobrir todas as suas contas. Essa é a verdadeira liberdade financeira proporcionada pelas ações", afirma.

Reinvista até que o seu aporte seja irrelevante. Esta é a dica de Duarte, da Ticker. "Imagine que o seu aporte mensal é de R$ 5.000 e o seu dividendo mensal já alcançou os R$ 10 mil. Nesse caso, o seu aporte já não é mais tão relevante perto do dividendo que você recebe", diz ele.

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Outro sinal importante é quando os dividendos recebidos conseguem pagar todas suas despesas. Guimarães diz que, se o investidor chegar nesse ponto e ainda reinvestir o dinheiro por alguns anos, terá um crescimento exponencial da sua renda passiva. "Quando a pessoa chega ao auge do dividendo, está pagando as contas dela; se continuar reinvestindo, em dois ou três anos terá dobrado ou triplicado os proventos dela", diz.

Tenha metas bem estabelecidas

Estabeleça metas de renda ou percentuais investidos. Guimarães recomenda ter metas de renda passiva, tais como, receber R$ 1.000 em dividendos por ano, R$ 10 mil, R$ 50 mil.

Mas o mais importante é fazer bons negócios, comprando ações de qualidade, baratas e que paguem dividendos. "Enquanto a ação estiver barata, você vai comprando esta; quando ficar cara, começa a comprar outra ação da carteira", diz.

Compre barato e estabeleça preço teto. Para quem busca dividendos, a regra é sempre comprar as ações o mais barato possível para conseguir uma maior quantidade de papéis e ter um retorno maior em proventos, o tal dividend yield. Os analistas aconselham estabelecer um preço teto —preço máximo a pagar por uma ação com o objetivo de garantir um dividend yield de 6% ao ano. Essa é uma estratégia disseminada por Décio Bazin, autor do livro "Faça fortuna com ações antes que seja tarde", que compara a rentabilidade das ações com a remuneração oferecida pelos títulos de renda fixa de longo prazo, que entregam inflação mais o prêmio de 6%.

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