Quanto mais os mercados vão cair? Investidores ainda não veem o fundo do poço

John Gittelsohn

  • Issei Kato/Reuters

(Bloomberg) - Os gerentes de investimento estão alertando que os mercados provavelmente podem cair mais com a desaceleração do crescimento da China, a queda dos preços do petróleo e a falta de ferramentas dos bancos centrais para estimular a economia.

O Standard & Poor's 500 Index vai cair mais 10%, para 1.650, e o petróleo poderia chegar a cair para US$ 20 o barril, com os investidores fugindo em busca de segurança, de acordo com Scott Minerd, diretor chefe de investimentos da Guggenheim Partners. Jeffrey Rottinghaus, cujo fundo mútuo T. Rowe Price superou 99% dos rivais no ano passado, disse que os preços das ações poderiam cair mais 10% porque a economia dos EUA está entrando em uma recessão moderada.

"Espero um declínio prolongado no S&P 500", disse Jeffrey Gundlach, um dos fundadores da DoubleLine Capital, disse em uma resposta por email a perguntas. "Os investidores devem vender o que tinham recuperado e isso poderia acontecer a qualquer momento".

O S&P 500 chegou a cair 3,7% na quarta-feira, a maior queda desde agosto, antes de se recuperar parcialmente e fechar em 1.859,33, uma queda de 1,2%. Todos os 30 membros do Dow Jones Industrial Average estavam abaixo dos preços no início do ano, com o índice em queda de 1,6% no dia e de 9,5% desde 31 de dezembro. O petróleo caiu 6,7%, para US$ 26,55, uma queda de 28% acumulada no ano.

"A exposição excessiva ao risco está se somando à pressão de venda", disse Gundlach. "A queda de hoje parecia ser um tipo de liquidação de margem".

Rottinghaus, gerente do T. Rowe Price U.S. Large-Cap Core Fund de US$ 203 milhões, disse que "produtos industriais e commodities estão em recessão há pelo menos seis meses" nos EUA. "O que estamos tentando descobrir é quanto isso vai se imiscuir para o lado do consumidor na economia", disse ele em uma entrevista.

À espera de um catalisador

Russ Koesterich, estrategista-chefe de investimentos globais da BlackRock, disse que é preciso um catalisador fundamental para sinalizar o fundo do mercado, seja vindo dos lucros corporativos, dos dados econômicos ou de uma recuperação na China.

O gerente de fundo hedge Ray Dalio disse que os mercados globais enfrentam riscos de queda, pois as economias se aproximam do fim de um ciclo de dívida de longo prazo.

A próxima medida do Federal Reserve será em direção à flexibilização quantitativa, ao invés do ajuste monetário, disse o fundador da Bridgewater Associates, em entrevista à CNBC no Fórum Econômico Mundial em Davos. Isso não vai ser fácil, porque as taxas já estão muito baixas, disse ele.

Riscos de queda

"Quando você chega a zero, não dá para diminuir mais as taxas de juros", disse Dalio, de acordo com uma transcrição da entrevista. "Esse final do ciclo de dívida de longo prazo é a questão que mostra que os riscos são assimétricos para a queda, porque os riscos estão comparativamente elevados e não há capacidade de aliviar".

A queda nas ações mundiais está sendo alimentada por investidores que buscam reduzir a alavancagem e o banco central está sem opções para revigorar a economia, de acordo com Bill Gross, da Janus Capital Group.

Embora as economias no exterior estejam oscilando, os EUA continuam sendo uma ilha de estabilidade, de acordo com gestores de recursos como Omar Aguilar, diretor de investimentos para ações da Charles Schwab.

Economia estável

"Esta é uma crise financeira, não uma crise econômica", disse Aguilar, durante uma teleconferência. "A economia dos EUA está estável".

Os dados sobre o mercado imobiliário, o desemprego e os gastos do governo continuam dando apoio ao crescimento do PIB dos EUA, disse Aguilar. Os mercados de petróleo vão subir ainda neste ano, quando a oferta cair em resposta aos baixos preços atuais, de acordo com Mihir Worah, um dos gerentes do Pimco Total Return Fund, de US$ 89,9 bilhões.

"Ainda esperamos que os mercados de petróleo se equilibrem no segundo semestre e que os preços do petróleo aumentem em relação aos níveis atuais como resultado", disse Worah, em mensagem enviada por e-mail. "Embora cientes dos riscos, ainda esperamos um crescimento do PIB dos EUA em torno de 2 por cento".

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