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Morgan Stanley e Citigroup crescem no mercado de COEs no Brasil

Cristiane Lucchesi, Vinícius Andrade e Felipe Marques

25/09/2018 07h00

(Bloomberg) -- O Morgan Stanley e o Citigroup estão entre os bancos que ganham mercado no lançamento de COEs, ou certificados de operações estruturadas, no Brasil, à medida que os investidores buscam alternativas de aplicações em meio a recorde de baixa nos juros.

O Morgan Stanley tem vendido de 20 a 25 COEs por mês, disse Eduardo Mendez, co-responsável pela área de renda variável da América Latina, em entrevista. Isso se compara a 2 ou 3 COEs vendidos em fevereiro do ano passado, quando o banco começou a oferecer o produto, segundo Mendez, que disse que a maior parte da demanda vem de investidores de varejo.

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O Citigroup, que como o Morgan Stanley não possui um negócio de varejo ou gestão de ativos no Brasil, acaba de vender para um fundo mútuo um COE de R$ 400 milhões, disse Roberto Serwaczak, responsável pela área de renda variável para América Latina.

"Nós sempre tivemos fé neste produto", disse Tiago Pessoa, co-responsável pela área de ações da América Latina no Morgan Stanley. "Nós investimos muito e ajudamos os reguladores a criarem mecanismos de controle para dar segurança aos investidores. Então, quando a demanda veio, nós estávamos preparados para isso."

Estoque em alta

O estoque de COEs, um título de dívida que contém um derivativo embutido, subiu 61% desde setembro do ano passado, para R$ 16,1 bilhões, de acordo com a B3, que registra os produtos no Brasil.

Alguns dos COEs têm potencial de grandes retornos. Um COE do Morgan Stanley está vinculado a ações da Petrobras, BRF, Itaú Unibanco Holding e Banco do Brasil. Se as ações das quatro empresas permanecerem estáveis ou subirem ao longo de um período de seis meses, os investidores poderão receber até 7,1%. Caso contrário, os investidores permanecem aplicados por períodos de tempo adicionais, com retorno final possível de até 43% em três anos. Se as ações de pelo menos uma das empresas cair, os investidores receberão somente o principal investido.

O Morgan Stanley não lida diretamente com investidores individuais no Brasil. Seus produtos estão sendo distribuídos por plataformas de varejo. A maior delas é a XP Investimentos.

"A grande maioria dos nossos COEs - eu diria 99% - têm o principal protegido contra perdas", disse Pessoa. "Os investidores brasileiros ainda têm a mentalidade de renda fixa e querem mais retorno, mas sem o risco de perder o valor investido."

Os COEs podem oferecer exposição a ações, índices de ações, taxas de câmbio ou até mesmo fundos administrados fora do Brasil. Mendez disse acreditar que o mercado também irá evoluir para incluir exposição a fundos locais.

Oportunidades

Serwaczak, do Citigroup, disse ver "muitas oportunidades no negócio de investimento estruturado no Brasil". O banco está emprestando e usando ações como garantia em transações nas quais é possível fixar um piso e um teto para o preço da ação.

"As transações estruturadas ainda não são vendidas diariamente pelo Citigroup, mas estão ganhando popularidade a cada dia", disse Serwaczak.

Os bancos norte-americanos estão tentando diversificar suas receitas de corretagem na América Latina, à medida que as ações emitidas por empresas da região caíram 15% até agora este ano, para US$ 13,8 bilhões, em relação ao mesmo período de 2017. O volume diário de trading de ações no Brasil aumentou 29% para R$ 11,3 bilhões até agora este ano em comparação com todo o ano de 2017, segundo a B3.

O Morgan Stanley disse que as notas estruturadas representam menos de 10% da receita da corretora do banco, mas está apostando que o mercado vai crescer.

"Acreditamos que esses produtos serão muito significativos ao longo do tempo", disse Mendez.

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