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Finanças pessoais

Vale apostar na alta do dólar? COE, investimento da moda, é uma das opções

Téo Takar

Do UOL, em São Paulo

06/09/2018 04h00

O Certificado de Operações Estruturadas, ou simplesmente COE, tornou-se o investimento da moda em corretoras e grandes bancos. Em tempos de disparada do dólar, diversas instituições estão oferecendo aos clientes um tipo de COE que promete remunerar o investimento com a mesma valorização da moeda americana ou até um pouco mais. Se o cenário mudar e o dólar cair, você não perde nada, argumentam bancos e corretoras.

Mas, será que não perde mesmo? É seguro investir em COE? Você sabe como funciona esse investimento? O COE de dólar vale a pena? Veja as respostas para essas e outras dúvidas mais abaixo.

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O que é o COE?

Como o nome diz, o COE é um produto estruturado que combina investimentos de renda fixa com renda variável. Essa combinação é feita de tal forma que o investidor pode apostar em ativos arriscados, como o dólar, índices de ações nacionais ou internacionais, e ter uma ideia prévia de quanto poderá ganhar ou perder após um determinado período de tempo.

Disparada do dólar é chamariz

Nas últimas semanas, o COE que aposta na alta do dólar tem sido a principal oferta dos bancos e corretoras aos seus clientes. A moeda americana acumulou valorização de 8,46% em agosto, maior alta mensal em quase três anos.

O produto visa exatamente aproveitar essa disparada e, ao mesmo tempo, minimizar o risco de perda caso o dólar mude de tendência e passe a cair.

“Esse COE permite uma diversificação de investimento e, ao mesmo tempo, oferece proteção contra a variação cambial. É mais seguro do que tentar especular com a alta do dólar, comprando a moeda diretamente ou investindo em fundo cambial”, afirmou Martin Iglesias, especialista em investimentos do Itaú.

Um dos COEs oferecidos pelo Itaú aos seus correntistas tem prazo de oito meses e aplicação mínima de R$ 5.000. O produto prevê que, nesse período, se o dólar subir até 10%, o cliente recebe exatamente a variação acumulada. Se a moeda subir mais do que 10%, o ganho é limitado a 10%. Mas se o dólar cair, o cliente recebe de volta exatamente o que aplicou.

Rendimento maior que o do dólar

A Órama encerrou nesta segunda-feira (3) a captação de um COE com prazo de três anos que oferece ganhos alavancados, ou seja, acima da variação do dólar no período. Por exemplo, se a moeda subir 10%, o rendimento do produto será 1,4 vez maior, ou seja, de 14%.

O teto do produto para a alta do dólar é de 50%. Ou seja, para chegar ao limite do COE, a moeda teria que bater nos R$ 6 daqui a três anos. Nesse caso, o COE renderia 70%. Se o dólar cair, o cliente recebe de volta só o que aplicou no fim dos três anos.

Incertezas domésticas e externas favorecem alta

As incertezas geradas pelas eleições presidenciais no Brasil e a instabilidade econômica em países emergentes como Turquia e Argentina têm colaborado para a tendência de desvalorização do real frente ao dólar, dizem os especialistas.

“Há também a possibilidade de aumento de juros dos Estados Unidos, o que ocasionaria a saída de investimentos de mercados emergentes, como o Brasil”, disse Thiago Vilella, diretor da Órama. “Diante deste período de considerável volatilidade, é possível que o dólar suba muito.”

Maior risco é o cenário mudar completamente

Alguns COEs, como o da Órama, apresentam um período de investimento longo, de alguns anos. As chances de uma mudança no cenário cambial durante esse tempo são grandes.

Apesar da alta recente do dólar, os analistas consultados semanalmente pelo Banco Central para a pesquisa Focus acreditam que a moeda chegará ao final de 2018 valendo R$ 3,75. Portanto, bem abaixo do atual patamar.

Villela, da Órama, admite a possibilidade de a moeda recuar, caso o novo presidente da República assuma o compromisso de realizar as reformas estruturais, como a da Previdência.

“Se o dólar baixar, no caso da eleição de um governo reformista, por exemplo, o investidor não perde nada", disse Villela. Tanto o COE da Órama como o do Itaú são do tipo com capital protegido.

Capital protegido garante retorno do valor investido

O COE pode ser de dois tipos: de capital em risco ou com capital protegido. No primeiro tipo, há risco de o investidor perder parte ou todo o dinheiro investido, caso a estratégia de investimento não dê certo e o ativo que foi objeto da aposta (dólar, ações) do COE caia durante o período previsto para a aplicação.

No produto com capital protegido, o investidor recebe de volta exatamente o que aplicou, mesmo que o objeto da aposta do COE fique negativo no período.

Para saber qual é o tipo do COE que pretende investir, consulte o DIE (Documento de Informações Essenciais). Todas as instituições são obrigadas a divulgar esse documento, que traz as características do produto.

Há perda do custo de oportunidade

Diferentemente do que dizem bancos e corretoras, mesmo quando o COE possui garantia de capital protegido, isso não significa exatamente que a perda do investimento será zero.

“Você recebe de volta o que investiu. Mas há uma perda, que não é tão visível. É o custo de oportunidade do dinheiro. Ou seja, quanto você ganharia se tivesse investido em um produto conservador, que pague a variação do CDI”, disse Bernardo Pascowitch, fundador do buscador de investimentos Yubb. A taxa do CDI corresponde hoje a 6,39% ao ano.

Indicado para diversificação

O COE é recomendado para investidores que já tenham alguma experiência e desejam diversificar sua carteira de investimentos, sem se expor a grandes riscos. “O COE não é indicado para iniciantes porque ele tem uma certa complexidade e risco”, disse Martin Iglesias, do Itaú Unibanco.

“É um produto voltado para quem já entende como funcionam as aplicações de renda fixa como Tesouro Direto e CDBs, e está em busca de diversificação, mas ainda tem receio de ir para a renda variável, onde o risco é maior”, afirmou.

Não conta com proteção do FGC

O COE não conta com a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), como acontece com investimentos em poupança, CDBs, LCIs ou LCAs.

“Por isso, além de olhar as características do produto, é importante ver quem é o emissor do COE, se é uma instituição sólida, para não correr risco de calote”, disse Pascowitch, do Yubb.

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