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Finanças pessoais

Autor de "Pai Rico Pai Pobre" previu há 14 anos que 2016 seria o pior ano dos mercados

29/03/2016 19h36

SÃO PAULO - Quatorze anos atrás, o autor de uma série de populares livros de finanças pessoais previu que 2016 traria a pior queda do mercado na história, prejudicando os sonhos financeiros de milhões dos chamados "baby boomers" (nascidos após a Segunda Guerra Mundial). 

Robert Kiyosaki, autor do livro "Pai Rico, Pai Pobre", fez a previsão sobre 2016 no livro "Profecias do Pai Rico", lançado em 2002. Ele diz que a crise está em curso, e não há muito que os investidores possam fazer além de comprar ouro ou prata esperando que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) adie sua alta de juros.

Kiyosaki está convencido que a crise que ele previu está acontecendo. "Estamos seguindo o programado", disse ele em uma entrevista ao site de notícias sobre o mercado financeiro "MarketWatch". 

Em 2002, ele escreveu que o mercado de ações sofreria uma queda em 2016 com a primeira onda de "baby boomers" atingindo os 70 anos e passando a pedirem as aposentadorias garantidas por lei. Ele diz que "a demografia é o destino".

De acordo com dados de censo dos EUA, mais de 76 milhões de indivíduos nasceram entre 1946 e 1964. Em 2014, pesquisadores do Population Reference Bureau determinaram que 65 milhões deles ainda estavam vivos. Incluindo os imigrantes destes últimos anos, a expectativa é que os "baby boomers" americanos cheguem a superar os 76 milhões.

Um colapso do mercado poderia colocar em risco os planos de aposentadoria desses "boomers". E, embora o número absoluto de envelhecimento dos "boomers" possa contribuir para a pressão de venda no mercado de ações, Kiyosaki afirma que o maior problema hoje é que é difícil para os investidores descobrirem onde colocar o dinheiro.

"A receita de juros ou fluxo de caixa sobre a poupança é virtualmente inexistente, e operações para ganhos de capital no mercado de ações são frustrados porque os preços das ações estão em níveis recordes", disse ele.

Seja qual for a carga que milhões de "boomers" poderiam colocar no mercado, ele disse, a situação está sendo agravada pelos acontecimentos no exterior, em que um grande país está desempenhando um papel chave. 

"A China tem sido em uma bolha por 20 e poucos anos", disse Kiyosaki. "Ela tem apoiado a economia dos EUA falsamente. Quando ela [China] parar a importação, o mundo vai travar com eles".

Kiyosaki disse que dois fatores surgiram desde que ele escreveu "Profecias do Pai Rico": a probabilidade de choque na China e a "loucura" do Quantitative Easing feito pelo Federal Reserve até 2014.

Ele se mostrou bastante preocupado também com a quantidade de dinheiro que a China vem jogando em seus bancos para manter os empréstimos, enquanto a qualidade da dívida das instituições financeiras tem sido tema de discussões entre especialistas.

Kiyosaki disse ao MarketWatch que a combinação de dados demográficos e fraqueza econômica global torna a próxima queda inevitável. Porém, para ele o Fed poderia evitar este problema se realizar uma nova rodada de flexibilização, ou seja, um novo QE, o que poderia estimular a economia.

"A grande questão é [se] fazemos um 'QE4'", disse Kiyosaki. "Se fizermos isso, o mercado de ações virá para cima, mas isto não é uma ciência exata. Se pararmos de imprimir dinheiro, acontece um crash; se imprimir dinheiro, ele vai para cima. Mas, no final, tudo vai descer", concluiu.

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