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BC prevê queda de 3,3% no PIB e inflação de 6,9% em 2016

Do UOL, em São Paulo

O Banco Central calcula que a economia brasileira irá encolher 3,3% e a inflação chegará a 6,9% neste ano, de acordo com o relatório trimestral de inflação, divulgado nesta terça-feira (28). A projeção anterior, divulgada no relatório de março, falava em encolhimento de 3,5% da economia e inflação de 6,6%.

Com a expectativa de que a inflação continue elevada, o BC afirma que não há espaço para começar a cortar a taxa de juros. 

Se a previsão se confirmar, a inflação de 2016 vai estourar o teto da meta. Em 2016, o objetivo do governo é manter a inflação em 4,5% ao ano, mas com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo (na prática, variando entre 2,5% e 6,5%). Para 2017, a tolerância é de 1,5 ponto, com o teto da meta a 6%.

Quando a alta de preços supera o limite máximo, o presidente do Banco Central precisa escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda explicando os motivos.

Para o ano que vem, a projeção do BC é de que a inflação chegue a 4,7%. A expectativa anterior era de 4,9%. O BC mostrou ainda que vê a inflação a 4,2% no segundo trimestre de 2018.

Ainda segundo estimativa do BC, o dólar deve fechar este ano em R$ 3,45, projeção menor que a de março, de R$ 3,70. A previsão para a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 14,25%. 

Necessidade de ajustes

No relatório, o Banco Central destaca os efeitos negativos da inflação alta, como o impacto no orçamento e no consumo de famílias, empresas e governos, a diminuição da confiança de empresários e a redução do poder de compra dos salários, da geração de empregos e da renda.

Segundo o órgão, houve avanços no combate à inflação, mas "sua continuidade depende de ajustes --principalmente fiscais-- na economia brasileira". O BC também chamou a atenção para os problemas climáticos que afetaram a produção mundial de alimentos, em especial o de grãos, e os efeitos sobre os preços no país.

Compromissos da nova gestão

O documento é o primeiro sob a gestão do atual presidente do BC, Ilan Goldfajn, empossado no início do mês. O relatório reafirmou o compromisso do Copom (Comitê de Política Monetária) com a inflação no centro da meta em 2017. Goldfajn já havia assumido esse compromisso quando sabatinado pelo Senado, mas sem estabelecer prazos. 

Para 2016, o BC se compromete a tentar deixar a inflação abaixo do limite máximo da meta.

O mercado aguardava o relatório de inflação em busca de pistas mais concretas da política monetária adotada por Goldfajn, principalmente quanto ao início do ciclo de redução taxa básica de juros, a Selic, que segue em 14,25% desde julho do ano passado.

Porém, ao dizer que "o cenário central não permite trabalhar com a hipótese de flexibilização das condições monetárias", o documento indica que não haverá corte nos juros em breve.

Reino Unido e União Europeia

Após o resultado do plebiscito no Reino Unido pedindo a saída da União Europeia, o BC disse que o evento, somado a fatores como eleições nos Estados Unidos, "aumentou as incertezas em relação ao cenário econômico e financeiro global". 

Para o banco, a saída do Reino Unido leva instabilidade aos mercados financeiros.

Relatório orienta decisões do BC

O Relatório de Inflação é publicado trimestralmente pelo Banco Central. Ele reúne indicadores da economia nacional e global, além de projeções para os próximos meses feitas pelo próprio BC e por analistas de mercado.

O objetivo do documento é identificar a tendência da inflação, para embasar as decisões do BC a respeito dos juros. A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC, se reúne para definir a taxa básica de juros (Selic), que serve de referência para outras taxas. 

Em geral, juros altos são usados para controlar a inflação, porque deixam o crédito mais caro e levam as pessoas a consumir menos, forçando os preços a caírem. Por outro lado, juros altos dificultam o crescimento, principalmente num momento de crise e desemprego, como o que o Brasil enfrenta.

Projeções do mercado e do governo

Analistas de mercado consultados pelo BC em sua pesquisa semanal, o Boletim Focus, afirmam que o país deve fechar este ano com a economia encolhendo 3,44% e inflação de 6,6%.

O governo do presidente interino Michel Temer, por sua vez, estima que iremos fechar 2016 com retração de 3,8% e inflação a 7%.

(Com Reuters)

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