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Operação Carne Fraca

PF fez só 1 laudo na Carne Fraca e defende operação com base em escutas

Aiuri Rebello

Do UOL, em São Paulo

A Polícia Federal produziu apenas um laudo técnico em um dos 21 frigoríficos investigados para embasar a Operação Carne Fraca, e usou informações de outro laudo de 2015, que faz parte de um processo administrativo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Ao todo, 37 pessoas chegaram a ser presas na operação. 

De acordo com o delegado Roberto Biasoli, responsável pelas investigações, "não foram realizados outros laudos pela Polícia Federal com relação às demais empresas envolvidas na investigação (...) pela dificuldade de se identificar quais produtos estavam envolvidos em fraude ou onde pudessem ser encontrados, sem que se quebrasse o sigilo necessário à investigação". As informações foram fornecidas pelo delegado à Justiça Federal no Paraná na tarde desta quarta-feira (22).

De acordo com a PF, a investigação que culminou na operação Carne Fraca já acontecia havia dois anos. Na terça-feira (21), o juiz Marcos Josegrei, da 14ª Vara Federal de Curitiba, determinou que todas as perícias da investigação fossem apresentadas depois que o Ministério da Agricultura pediu mais detalhes sobre as provas e indícios da operação.

O laudo realizado pela PF foi em 2016 em produtos da Peccin Agroindustrial, uma dos frigoríficos investigados. De acordo com a PF, a empresa é acusada de utilizar de carne estragada em salsichas e linguiças, utilização de cms (espécie de mistura de carnes para embutidos) acima do permitido, uso de aditivos acima do limite ou de aditivos proibidos na planta de Jaraguá do Sul (SC).

Em nota, publicada em seu site, a Peccin Agroindustrial disse ter "amplo interesse em contribuir com as investigações" e que está "inteiramente à disposição das autoridades policiais para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários". A nota diz, ainda, que a empresa está "confiante" de que os "órgãos competentes saberão discernir a efetiva veracidade dos fatos".

O outro documento técnico utilizado, produzido durante a apuração no Mapa, é sobre o frigorífico Souza Ramos. A PF afirma que o documento mostra que o frigorífico Souza Ramos teria fornecido às escolas estaduais do Paraná, após vencer licitação para fornecimento de merenda escolar, salsichas de frango em como se fossem peru. O Mapa começou a investigar o caso depois de uma denúncia.

Operação foi alvo de críticas

Ainda na terça-feira a Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) divulgou nota afirmando que as conclusões da Operação Carne Fraca referentes aos danos à saúde pública não têm embasamento científico. Segundo a entidade, os peritos federais foram acionados pela Polícia Federal apenas uma vez durante as investigações e que o laudo resultante desse trabalho não comprovou tais danos.

Membros do governo e representantes do setor produtivo criticaram a atuação da Polícia Federal no caso Carne Fraca. O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou que a "narrativa" da PF ao divulgar as ações da Carne Fraca está cheia de "fantasias" e "idiotices". Nesta quarta-feira, o ministro disse que os prejuízos para o setor são estratosféricos.

A Fenapef (Federação Nacional dos Policiais Federais) defendeu a atuação dos agentes federais, mas criticou a forma como as investigações foram divulgadas.

Na ocasião, a equipe da PF que atua no caso já havia defendido a operação e dito que ainda havia muito material sob sigilo. Apesar das críticas sobre a falta de laudos técnicos, o delegado defendeu a operação com base em outras provas da investigação, como escutas, depoimentos e quebras de sigilo bancário.

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Diversos países já anunciaram restrições temporárias à carne brasileira desde que a Operação Carne Fraca foi deflagrada. 

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