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Guedes: Reforma e BC independente levariam país a crescer até 3,5% em 2019

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

06/11/2018 15h49Atualizada em 06/11/2018 19h37

A aprovação da reforma da Previdência e a formalização, em lei, da independência do Banco Central (BC) ainda neste ano levariam a economia brasileira a crescer até 3,5% em 2019, afirmou nesta terça-feira (6) o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes.

“Seria excelente para o país se nós conseguíssemos aprovar uma reforma da Previdência e a independência do Banco Central. Seria ótimo. Já entraríamos com a perspectiva de a economia crescer de 3% a 3,5%, e teríamos tempo para trabalhar as reformas estruturantes”, declarou ao chegar ao Ministério da Fazenda para uma reunião com o ministro Eduardo Guardia.

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Ele afirmou que o encontro seria o primeiro após as eleições para ter acesso a parte das informações para trabalhar durante a transição de governo.

“A prioridade é controlar os gastos públicos, fazer uma reforma do Estado, e a ideia de uma reforma da Previdência continua nos atraindo. É importante”, disse.

Guedes afirmou que a aprovação dessas propostas em 2018 coroaria o trabalho do governo de Michel Temer, como uma gestão de transição.

Seria um bom final de governo e aceleraria o processo de mudança. Ao invés de passar o próximo ano com uma espada na cabeça para aprovar reformas com celeridade, isso limpa o horizonte para entramos com reformas estruturantes com mais calma”, declarou.

Bolsonaro pode apresentar nova proposta

Guedes ainda afirmou que, se o Congresso Nacional não votar a reforma da Previdência em 2018, o governo de Bolsonaro apresentará uma nova proposta no ano que vem.

"A ideia da reforma da Previdência continua nos atraindo. Mas uma coisa é o diagnóstico de que ela precisa ser feita, e outra é a situação política. Seria excelente aprovar a reforma da Previdência ainda este ano", disse. 

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Ele disse que o governo Bolsonaro só apoiará a reforma do governo Temer se ela tiver condições reais de ser aprovada. Segundo Guedes, Bolsonaro não irá arcar com o ônus de uma possível derrota com o atual Congresso.

“Na minha cabeça, hoje, tem Previdência, Previdência e Previdência. Classe política, nos ajude a aprovar a reforma. A bola está com o Congresso: prensa neles!", disse.

O economista declarou que Temer e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disseram a ele que tentarão aprovar o texto ainda este ano.

"Nossa proposta de reforma para a Previdência é mais profunda e abre espaço para a criação de empregos. Mas, se o Congresso aprovar a proposta atual, já desarmaremos algumas bombas para a população mais velha e teremos mais espaço e tempo para começarmos a trabalhar a transição da força de trabalho para um novo modelo”, disse.

Para aprovar as reformas, afirmou Guedes, o novo governo não negociará votos individualmente no Congresso. Ele afirmou que esse tipo de negociação é que dá margem para o "toma lá dá cá" de governos anteriores.

"Vamos negociar com as bancadas no Congresso para que sejam votações orgânicas", afirmou.

Ele disse que o principal eixo de governabilidade do governo Bolsonaro será o pacto federativo. "Depois de vários governos de centro-esquerda, o Brasil começa uma transição para centro-direita, o que é saudável. A alternância de poder é importante", disse.

O futuro ministro declarou que as instituições brasileiras seguem funcionando e que os três poderes da República são independentes. "A liberdade de mídia também é muito importante. Somos uma democracia emergente bem-sucedida", afirmou.

Guedes negou renegociar dívida brasileira

Guedes disse que não vai renegociar a dívida brasileira e que o próximo governo trabalhará para fazer reformas, vender ativos e reduzir o endividamento do Brasil.

As afirmações do futuro ministro da Economia contradizem as de Bolsonaro. Em entrevista na noite de segunda-feira (5), o presidente eleito afirmou que a dívida interna do Brasil não é impagável, mas precisaria ser renegociada.

“Está fora de questão renegociar dívida, está fora de questão. O que existe é preocupação com a dívida. Por isso, faremos reformas e faremos o que empresas fazem, vender ativos. Não é razoável o Brasil gastar US$ 100 bilhões por ano para pagar juros da dívida”, afirmou.

Guedes ainda declarou que pretende acelerar as privatizações para liberar recursos e ajudar não só no ajuste fiscal, mas também no alívio a algumas áreas que hoje reclamam da falta de verbas. "Em vez de pagar juros da dívida, vamos dar dinheiro para saúde e educação", disse.

Para Guedes, o grande problema do país nos últimos 30 anos foi o descontrole com os gastos públicos.

Ele também negou que será um superministro com a fusão dos ministérios da Fazenda, do Planejamento e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. “As fusões serão feitas entre ministérios para evitar sobreposição de políticas”, afirmou. 

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