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Inflação fica negativa em 0,21%, menor taxa para novembro desde 1994

Do UOL, em São Paulo

07/12/2018 09h03Atualizada em 07/12/2018 13h04

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial no país, ficou negativo em 0,21% em novembro, após alta de 0,45% em outubro. Este resultado foi o menor desde junho de 2017, quando o IPCA ficou em -0,23%. Para um mês de novembro, foi a menor taxa desde a implantação do Plano Real, em 1994. 

No acumulado de 12 meses, o IPCA teve alta de 4,05%. O resultado está dentro do limite da meta do governo, de manter a inflação em 4,5% no ano, com uma tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, ou seja, pode variar entre 3% e 6%.

No ano, o indicador acumula alta de 3,59%. As informações foram divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (7).

Combustíveis caem

Segundo a pesquisa, o grupo dos transportes teve queda de 0,74% e puxou a deflação em novembro. Os combustíveis ficaram 2,42% mais baratos, em média. Veja as variações:

  • gasolina: -3,07%
  • óleo diesel: -0,58%
  • etanol: -0,52%
  • gás veicular: +5,45%

Conta de luz também caiu

A energia elétrica também teve variação negativa (-4,04%) em novembro, segundo o IBGE. "Em novembro, passou a vigorar a bandeira amarela, com a cobrança adicional de R$ 0,01 para cada kWh consumido. Em outubro, a cobrança adicional era de R$ 0,05 por kWh consumido", destacou o instituto. 

Alimentação mais cara

Os preços de alimentos e bebidas, por outro lado, tiveram inflação de 0,39%, em média, no mês passado. Veja os destaques de alta:

  • cebola: +24,45%
  • tomate: +22,25%
  • batata-inglesa: +14,69%
  • hortaliças: +4,43%.

Já o leite longa vida apresentou queda de 7,52%. 

Inflação abaixo da meta em 2017

A inflação fechou 2017 em 2,95% e ficou abaixo do limite mínimo da meta do governo pela primeira vez na história. Foi a menor inflação anual desde 1998 (1,65%).

No início deste ano, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, enviou carta ao então ministro Henrique Meirelles dizendo que a meta não havia sido cumprida no ano passado devido à queda nos preços dos alimentos, após safras recordes. 

A carta é uma exigência em caso de descumprimento da meta de inflação. 

Expectativa em 2018

A expectativa de analistas consultados pelo Banco Central é que a inflação termine 2018 em 3,89%. 

Com o crescimento de 1% no PIB (Produto Interno Bruto) em 2017, o país começa a sair do buraco, após a economia encolher 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016. Mas a recuperação é lenta e, segundo especialistas ouvidos pelo UOL, a economia vai demorar pelo menos dois anos para chegar ao nível de antes da crise.

No terceiro trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 0,8% em relação ao trimestre anterior e 1,3% na comparação anual.

Juros x inflação

Para tentar controlar a inflação, o Banco Central pode usar a taxa de juros. De modo geral, quando a inflação está alta, o BC sobe os juros para reduzir o consumo e forçar os preços a cair. Quando a inflação está baixa, o BC derruba os juros para estimular o consumo.

Em outubro, o Comitê de Política Monetária do BC decidiu manter a taxa de juros em 6,5% ao ano, menor nível da história (o Copom foi criado em 1996).

(Com Reuters)

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