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Marcas apostam em ações para reduzir o consumo de plástico, inimigo da vez

Corona ergueu um muro de lixo de 15 metros de comprimento na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro - Divulgação/Raul Aragão
Corona ergueu um muro de lixo de 15 metros de comprimento na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro Imagem: Divulgação/Raul Aragão

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/06/2019 10h15

Os oceanos recebem cerca de 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, de acordo com relatório do grupo Ocean Conservancy, em parceria com a consultoria McKinsey. O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês). Por isso, o plástico (em especial, os canudos) virou uma espécie de inimigo número 1 das marcas de consumo.

Nesta semana, entraram em vigor duas leis que tentam impedir a distribuição de produtos plásticos. Na capital paulista, os canudinhos plásticos passaram a ser proibidos. No Rio de Janeiro, supermercados não poderão mais usar sacolas plásticas.

Algumas empresas têm realizado ações de conscientização e de marketing para chamar a atenção para o problema e tentar diminuir a utilização de plásticos no dia a dia dos consumidores. Veja alguns casos abaixo.

Mutirão de limpeza em praias

A Corona é uma delas. A marca de cerveja da AB InBev trouxe ao Brasil, neste ano, seu projeto global de combate aos plásticos nos oceanos, criado em 2017.

Em parceria com o movimento norte-americano Parley for the Oceans, a "CoronaxParley" promove a limpeza de praias pelo Brasil. O "mutirão da limpeza" já passou por locais como Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ) e Fernando de Noronha (PE. Serão 20 eventos até o final do ano.

Troca de garrafas vazias por cerveja

Ações de conscientização também estão na programação. Em março, a praia do Arpoador, no Rio de Janeiro, amanheceu parcialmente bloqueada por um "muro de lixo", com 15 metros de comprimento. O lixo havia sido retirado, justamente, das areias e do mar da região.

"As ações vão além de limpar a praia. Um dos papéis mais importantes das empresas é chamar a atenção para a causa", afirmou Bruna Buás, diretora de Marketing de Corona.

No começo deste mês, a marca instalou quatro máquinas de troca na capital fluminense. A cada três garrafas plásticas inseridas na máquina, o consumidor ganha um tíquete que dá direito a uma cerveja em alguns bares e supermercados da cidade. A ação vai até este domingo (30).

Ondas do mar viram música

Nesta semana, a Corona lançou a campanha "Listen to the Ocean". A marca convidou o compositor norte-americano Donavon Frankenreiter para, ao lado da brasileira Céu, criar uma música a partir do movimento do mar.

Um software alimentado com imagens aéreas de praias pelo mundo transformou o balanço das ondas em uma partitura musical. Veja como ficou:

Cada mensagem compartilhada pelos consumidores nas redes sociais com a hashtag #listentotheocean, até 8 de julho, valerá dez metros quadrados de limpeza de praias pelo país.

Tênis feito de plástico tirado do mar

O movimento Parley for the Oceans também é parceiro da Adidas. Em 2015, a marca esportiva começou a fabricar tênis com plástico retirado dos oceanos. No Brasil, são cinco modelos masculinos e seis femininos. Cada par usa, em sua confecção, o equivalente a 11 garrafas plásticas.

O Adidas Ultraboost Parley, produzido a partir do plástico retirado dos oceanos - Divulgação
O Adidas Ultraboost Parley, produzido a partir do plástico retirado dos oceanos
Imagem: Divulgação

Em 2017, foram produzidos 1 milhão de calçados e em 2018, 5 milhões. Neste ano, a meta é produzir 11 milhões de pares. A Adidas se comprometeu a usar 100% de poliéster reciclável até 2024.

"Estamos desafiando nosso mercado e todos que nos rodeiam a pensar em decisões que tomam e em como impactam o futuro, não apenas de nossa indústria, mas de nosso planeta", declarou Alberto Manganelli, gerente geral de Running da companhia.

A Adidas também mantém a ação "Run For The Oceans", e promete doar um dólar a cada quilômetro corrido por pessoas de todo o mundo, entre 8 e 16 de junho, usando o aplicativo Runtastic.

Em 2018, mais de 900 mil pessoas participaram da iniciativa e foi arrecadado US$ 1 milhão para o "Parley Ocean School", projeto que atende mais de 100 mil jovens de áreas costeiras para realizar ações em prol dos oceanos.

Achocolatado sem canudo ou com canudo de papel

Outras multinacionais também entraram de vez na luta pela diminuição do uso de plásticos. Em janeiro deste ano, a Nestlé afirmou que pretende eliminar todos os plásticos não recicláveis ou de difícil reciclagem de seus produtos até 2025.

Caixa será vendida com canudos de papel biodegradável ou sem canudos - Divulgação
Caixa será vendida com canudos de papel biodegradável ou sem canudos
Imagem: Divulgação

No mês seguinte, lançou no Brasil pacotes de nove unidades de "Nescau Prontinho", bebida à base de leite e achocolatado, em duas versões: com canudos de papel biodegradável ou sem canudos.

A ideia é que os consumidores se acostumem com a utilização dos tubos de papel --ou, ainda, que criem novas maneiras de consumir o produto. Os investimentos em pesquisas de novas embalagens chegam a R$ 10 milhões.

A multinacional suíça também anunciou uma parceria com o Projeto Tamar. A marca trabalha em conjunto com a instituição para criar campanhas de conscientização e preservação do meio ambiente.

Embalagens de resina reciclada

A Unilever estabeleceu a meta de ter, até 2025, ao menos 25% de resina reciclada nas embalagens plásticas. Segundo a empresa, a resina possui propriedades técnicas (como impermeabilidade, maleabilidade, durabilidade e custo-benefício), que tornam a sua aplicação indispensável em quase todos os objetos.

"Alcançamos 2,5 bilhões de consumidores por dia, em 190 países. Sabemos da nossa responsabilidade e, não à toa, há anos a gestão de resíduos é uma frente prioritária para nós", disse Antonio Calcagnotto, head de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da Unilever Brasil.

Marcas da empresa, como Omo, Love Beauty and Planet, Seda, Tresemmé e Dove, têm iniciativas próprias de reciclagem.

Troca por prêmios

Omo, por exemplo, possui uma parceria com a startup Molécoola. Os consumidores que entregam suas embalagens em pontos de coleta específicos ganham pontos, que podem ser trocados por produtos ou créditos de serviço disponíveis no próprio local.

A Molécoola é um programa que dá descontos no Uber, créditos no Bilhete Único paulistano e produtos como latas de Guaraná Antarctica e embalagens de Suco do Bem, entre outros prêmios. Possui cinco pontos de troca em São Paulo e um na cidade de São José dos Campos (SP).

Nos EUA, água em lata

A Aquafina, água mais comercializada nos EUA, será vendida em garrafas de alumínio  - Reprodução
A Aquafina, água mais comercializada nos EUA, será vendida em garrafas de alumínio
Imagem: Reprodução

Para diminuir o número de garrafas plásticas no mundo, a Pepsico anunciou nesta quinta-feira (27) que começará a vender sua água Aquafina em latas de alumínio. A empresa também pretende oferecer a água enlatada em algumas lojas de varejo.

As vendas começarão somente em 2020 e serão feitas em restaurantes, estádios esportivos e eventos. A Aquafina é a marca de água mais vendida nos Estados Unidos, seguida pela Dasani, da Coca-Cola.

A PepsiCo também promete fazer a transição de sua marca de água engarrafada mais cara, a LIFEWTR, para embalagens com plástico 100% reciclado até o fim de 2020 nos EUA. As mudanças devem eliminar mais de 8.000 toneladas de plástico virgem, de acordo com a empresa.

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