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Empresa do "rei do bitcoin" suspende sites de negociação de criptomoedas

Sede do Grupo Bitcoin Banco, em Curitiba - Divulgação
Sede do Grupo Bitcoin Banco, em Curitiba Imagem: Divulgação

Lucas Gabriel Marins

Colaboração para o UOL, em Curitiba

02/09/2019 15h09Atualizada em 02/09/2019 17h41

O Grupo Bitcoin Banco suspendeu as operações dos sites NegocieCoins e TemBTC, nos quais investidores negociavam criptomoedas. A empresa afirmou que, após reformulação, elas retornarão no domingo (8), e os investidores voltarão a receber pagamentos diários, paralisados desde maio. O dono da companhia é o empresário Claudio Oliveira, conhecido como "rei do bitcoin".

A corretora não confirmou se todos os clientes poderão fazer saques já na próxima semana. Informou apenas que "mais detalhes sobre a normalização do fluxo de pagamentos serão divulgados após a conclusão" das mudanças.

Disse ainda que realizou uma auditoria e implementou mudanças para "intensificar a segurança das operações e oferecer uma plataforma mais profissional para a atividade dos traders [investidores]".

O Grupo Bitcoin Banco responde a centenas de processos judiciais por causa de uma dívida milionária com clientes. A empresa alega ter sido vítima de ação criminosa que teria resultado em perdas de R$ 50 milhões e no bloqueio dos pagamentos.

Claudio Oliveira (à esq.), dono do grupo Bitcoin Banco, sua mulher, Lucinara, e o jornalista Amaury Jr. - Reprodução/Facebook
Claudio Oliveira (à esq.), dono do grupo Bitcoin Banco, sua mulher, Lucinara, e o jornalista Amaury Jr.
Imagem: Reprodução/Facebook

Clientes criticam suspensão: "enrolação"

Nas redes sociais da empresa e em grupos de aplicativos de mensagens, clientes com dinheiro a receber criticaram a medida. Muitos classificaram a suspensão das plataformas como "desculpa", "enrolação" e "mais uma manobra para conseguir tempo". Alguns relataram já ter feito acordos anteriores com o banco, que não teriam sido cumpridos.

Investidores que viajaram 2.000 quilômetros no mês passado para tentar reaver parte do que foi investido no banco disseram à reportagem que conseguiram recuperar uma parte do dinheiro. "Fizemos um acordo. Recebemos uma parte, e o restante foi parcelado. Ficamos contentes", disse José Rodrigues, 54.

Crise no grupo começou em maio

A crise do Grupo Bitcoin Banco começou em maio, quando clientes não conseguiram mais fazer saques nas plataformas de negociação de criptomoedas da empresa. No mês passado, a Polícia Militar do Paraná cumpriu mandado de busca e apreensão na sede do banco, expedido pela 17ª Vara Cível da capital paranaense.

No mesmo mês, o proprietário do grupo, Claudio Oliveira, conhecido como "rei do bitcoin", teve os bens bloqueados pela Justiça do Paraná. O passaporte do empresário também foi retido.

Para pagar parte da dívida com clientes, o grupo ofereceu motos, relógios de luxo e outros acessórios na Get4Bit, plataforma da empresa na qual é possível trocar criptomoedas por produtos. Mas, segundo clientes, parte dos itens comprados não foi entregue.

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Errata: o texto foi atualizado
A primeira versão do texto trazia, no 7º parágrafo, a palavra "mandato" em vez de "mandado". O texto foi corrigido.

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