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O que há para comemorar e o que frustrou expectativas na economia em 2019

PIB cresce em 2019 pelo terceiro ano seguido, mas passo continua lento, como em 2018 - Getty Images/iStockphoto
PIB cresce em 2019 pelo terceiro ano seguido, mas passo continua lento, como em 2018 Imagem: Getty Images/iStockphoto

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

04/03/2020 09h20

Resumo da notícia

  • PIB cresce em 2019 pelo terceiro ano seguido, mas passo continua lento, como em 2018
  • Crise Argentina e ritmo do governo para aprovar reformas travam investimentos, dizem economistas
  • Emprego melhorou, mas puxado pela abertura de vagas sem carteira assinada
  • Juros baixos e inflação controlada aquecem consumo, mas não giram a indústria, que ficou menor

O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu em 2019 pelo terceiro ano consecutivo. Mas, como ocorreu também em 2017 e 2018, o ritmo da economia ficou abaixo do esperado. O Brasil deveria encerrar o ano passado com um incremento de pelo menos 2,5% em sua riqueza, conforme as estimativas dos agentes de mercado no início de 2019. Mas o desempenho final não chegou à metade dessas projeções, ficando em 1,1%

Segundo economistas, o desempenho frustrante foi provocado por fatores externos, com destaque para a crise na Argentina e para a guerra comercial entre Estados Unidos e China, assim como por questões internas, entre elas os choques entre o presidente Jair Bolsonaro e o Congresso. Esses atritos atrapalharam o ritmo da aprovação das reformas, consideradas pela própria equipe econômica como fundamentais para o país retomar o passo mais acelerado do desenvolvimento.

No começo do ano, havia a expectativa que o novo governo levaria adiante as mudanças para tornar o Brasil mais eficiente, dizem economistas. A aposta era a de que as reformas da Previdência, administrativa e tributária aumentariam a confiança de investidores locais e estrangeiros no país. Como o governo teve que cortar gastos para não quebrar, a entrada do dinheiro privado seria a única fonte para irrigar a economia brasileira.

"O novo governo herdou uma agenda positiva de Michel Temer. Havia a expectativa da retomada das reformas estruturantes, que atrairiam os investimentos. Mas, ao longo do ano, a gente percebeu que o governo enfrentou dificuldades, especialmente na condução da política, apesar da reforma da previdência", disse o economista Luciano Nakabashi, professor e doutor da USP (Universidade de São Paulo) na FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto).

Na tentativa de dar partida no motor da economia, a equipe econômica apostou na redução do custo do dinheiro para estimular investimentos e consumo. A taxa básica de juros, a Selic, caiu para o menor patamar da história, encerrando 2019 de forma mais favorável aos consumidores que em 2018. E, diferentemente do que havia ocorrido entre 2011 e 2013, a redução dos juros não gerou inflação.

Para economistas, essa combinação de juros baixos e inflação controlada é um dos pontos mais positivos na economia brasileira em 2019, um claro avanço na comparação com 2018. "A queda dos juros cria um ambiente positivo para um crescimento mais sustentável de médio e longo prazo", disse o economista-chefe do Daycoval Asset Management, Rafael Cardoso.

O terceiro ano de PIB positivo também ajudou a iniciar a recuperação do emprego no Brasil. A taxa de pessoas desocupadas caiu em relação a 2018, interrompendo o ciclo ruim do mercado de trabalho. Cerca de 1 milhão de novas vagas foram criadas, o que foi positivo.

Mas a maior parte das novas vagas foi de postos sem carteira assinada. E a renda média fechou 2019 praticamente estagnada em relação a 2018, com uma variação de apenas 0,3%, ou seja, menos que o PIB. "O emprego reagiu, mas foi uma geração do emprego de baixa qualidade", afirmou Nakabashi, da USP.

A leve melhora no mercado de trabalho gerou, de qualquer forma, uma reação no consumo das famílias no ano. Os juros baixos permitiram alguma redução das taxas para quem compra parcelado. E a inflação controlada ajudou o comércio a estender os prazos de pagamento. "O consumo das famílias foi razoável graças ao crédito, que melhorou", disse o economista Marcelo Kfoury, professor da FGV-Eesp (Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas).

"Em 2019, o crescimento acabou sendo puxado pelo consumo, já que o governo teve que conter gastos", disse o professor da USP. Os economistas destacaram, entretanto, que parte desse incremento do comércio em 2019 foi suportada por efeitos passageiros, como a liberação de parcelas do FGTS e as promoções da Black Friday.

Se os juros baixos ajudaram a dar um empurrãozinho no consumo das famílias, na indústria o menor custo do dinheiro ainda não se transformou em aumento de investimentos. A produção industrial recuou em 2019, com uma queda mais forte no segmento de bens de capital, o de máquinas e equipamentos.

Economistas apontam que o desempenho mais fraco da indústria foi em parte culpa da crise econômica na Argentina, principal destino das exportações de produtos brasileiros industrializados, como veículos. "Entre os principais indicadores do PIB em 2019, a principal frustração veio da Indústria, especialmente afetada por exportações menores para argentina", disse o professor da FGV, Kfoury.

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