PUBLICIDADE
IPCA
0,25 Fev.2020
Topo

Com aumento de compras online, entrega chega a demorar mais de 8 dias no RJ

App tem entrega só para 7/4 - Reprodução
App tem entrega só para 7/4 Imagem: Reprodução

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

25/03/2020 16h06

As medidas de restrição à circulação de pessoas nas ruas devido à covid-19 têm gerado uma corrida virtual aos supermercados, com muitos consumidores optando pelas compras via internet ou aplicativo. Com essa grande procura, os prazos de entrega saltaram. No Rio de Janeiro, é possível agendar o recebimento das compras somente para daqui, no mínimo, a oito dias, a partir de 2 de abril.

O UOL fez uma simulação de entrega, nesta quarta-feira (25), pelo aplicativo Rappi, que oferece entregas em domicílio de produtos de mercados, restaurantes e farmácias. A ferramenta oferece quatro opções de supermercados —entre elas, dois gigantes do setor: Mundial e Prezunic. No primeiro, só há entrega agendada para a partir do dia 7 de abril e no segundo, para o dia 4.

Em outras duas opções de mercados disponíveis, que praticam preços menos populares, os prazos não são tão diferentes. No supermercado Zona Sul, uma opção menos popular, a data mais próxima para entrega é dia 2. Já o Hortifruti tinha disponibilidade para dia 4 de abril via aplicativo.

A simulação feita pelo UOL no aplicativo mostrou que o prazo de entrega varia conforme a região da cidade. Entregas para as zonas sul e oeste da capital fluminense são as mais demoradas. As datas disponíveis para agendamento também mudam ao longo do dia.

Mercado sugere compra pelo site só para mais vulneráveis

Mensagem no site do Carrefour - Reprodução
Mensagem no site do Carrefour
Imagem: Reprodução

Quem recorre direto aos sites dos supermercados também pode ter uma surpresa. Na página do Carrefour, ao clicar em compra online, uma mensagem de conscientização é exibida ao cliente. O estabelecimento faz um apelo para que o serviço seja usado apenas pelos mais vulneráveis.

"Devido à alta demanda e o momento que nossa sociedade atravessa, estamos neste momento priorizando o nosso site aos clientes que mais necessitam (idosos, pessoas em quarentena, pessoas com mobilidade reduzida e deficientes físicos). Caso não pertença a nenhum grupo citado acima, pedimos gentilmente que procure a Loja Carrefour mais próxima", diz o texto.

Em SP, prazos são menores

Em São Paulo, a entrega é mais rápida. Com uma oferta maior de estabelecimentos no mesmo app —15 no total—, a reportagem do UOL conseguiu encontrar entregas no Carrefour agendadas para dia 28, no Giga Atacado para o dia 29 e no supermercado Mambo para o dia 31 de março.

Em uma consulta sobre os prazos no site do supermercado St. Maché, um aviso: entregas em algumas regiões de São Paulo estão esgotadas. "Estamos redobrando nossos esforços para atender os clientes que já agendaram seus pedidos, assim como aumentando nossas equipes para disponibilizar novas opções de compras para todos", avisa o estabelecimento.

Duas taxas nas compras online

Para ter acesso aos serviços de compras online, tanto por aplicativo como pelo site, são cobradas duas taxas: uma de entrega e outra de seleção dos produtos.

Os valores variam conforme a política de cada mercado.

Consumidores vão às ruas

Devido aos problemas nas compras pela internet, muitos consumidores têm preferido se deslocar pessoalmente até o supermercado.

"Eu desisti de fazer compras pela internet. O prazo não me atende. Aí acabo indo uma vez por semana no mercado, pois as comidas estão durando menos aqui em casa. Estou passando o dia todo em casa e acabo fazendo mais refeições do que antes, quando comia na rua", disse a economista Maria Luiza, 34.

A dona de casa Helena Maria, 64, precisaria das entregas em um tempo menor por causa da mãe de 88 anos, que está em casa de quarentena.

"Os prazos são muito longos. Não tenho como esperar. Acabo indo mais vezes no mercado, para a minha família e também para a casa dos meus pais. Preciso deixar as compras lá. Se os prazos fossem mais curtos, era só direcionar a entrega, e as funcionárias se encarregam de buscá-las, mas não está sendo possível. Estou tendo que andar na rua mais do que eu gostaria", disse.

Economia