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Maia e Guedes se reúnem no Congresso três dias após jantar de reconciliação

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ministro da Economia, Paulo Guedes, em foto de julho - ADRIANO MACHADO
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e ministro da Economia, Paulo Guedes, em foto de julho Imagem: ADRIANO MACHADO

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

08/10/2020 18h28

Em busca de mostrar uma pacificação, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reencontraram hoje no Congresso Nacional. Eles participaram de evento promovido pela Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa que amplia a proposta sugerida pelo governo federal.

O reencontro acontece três dias após o "jantar da paz" na casa do ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas, organizado justamente para tentar reaproximar os dois e, especialmente, destravar o andamento de pautas de interesse do governo no Parlamento, como o novo programa social que deve substituir o Bolsa Família.

Maia e Guedes vinham travando brigas públicas, com consequências negativas para o governo. A expectativa agora é que as divergências se amenizem. Ainda assim, as pautas prioritárias passíveis de serem aprovadas ainda em 2020 na Câmara seguem indefinidas.

Desmembrar ministério é 'conversa fiada', diz Guedes

O ato de reaproximação também acontece em meio à possibilidade de desmembramento do Ministério da Economia. O centrão trabalha para a recriação dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e das Cidades.

Além disso, o bloco quer indicar um substituto para o Ministério da Ciência e Tecnologia, hoje ocupado por Marcos Pontes. A medida, entretanto, enfrenta resistência de Paulo Guedes, que não quer abrir mão de comandar a política industrial do país.

Interlocutores do ministro avaliam que a medida traria prejuízos para a política econômica do governo de abertura comercial e de aumento da competitividade.

Na chegada ao Congresso, questionado sobre um possível desmembramento da pasta, Guedes disse que isso é "conversa fiada". Também diante dos rumores, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) usou as redes sociais para afirmar que as negociações para a recriação de ministérios são fake news.

Chá de cadeira

Inicialmente, o evento estava marcado para as 14h, mas foi adiado duas vezes até ficar para as 18h, começando por volta das 18h40. Guedes chegou ao Congresso às 17h30. Maia chegou ao Parlamento somente uma hora depois e pediu desculpas pela demora.

Segundo a assessoria de Maia, Guedes sabia que o evento havia sido postergado para as 18h, mas preferiu chegar antes para conversar com parlamentares. No ato, Guedes buscou mostrar estar com a relação pacificada com o presidente da Câmara.

"Estamos juntos pelas reformas. O Brasil está acima de quaisquer diferenças que possamos ter, que são pequenas. Têm sido muito pequenas nossas diferenças", disse.

Questionado se Guedes estaria perdendo seus poderes de "superministro" esvaziado, como costumava ser chamado pelo presidente Jair Bolsonaro, Maia disse não haver ministro da Economia fraco "em momento nenhum".

"Não tem ministro da Economia fraco em momento nenhum, muito menos o ministro Paulo Guedes, que tem uma estrutura articulada de várias secretarias", falou.

Segundo Maia, pelo que ouve de Bolsonaro, Guedes tem todo o apoio do Planalto. Ele acrescentou que a divisão de ministério não é de sua alçada e a discussão não ajuda "nesse momento difícil que passamos de urgência de votação de reformas", com destaque para a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) emergencial.