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Carreira e salário são maiores frustrações de quem se demite, diz pesquisa

O funcionário insatisfeito não está bem ajustado à cultura da empresa - Getty Images
O funcionário insatisfeito não está bem ajustado à cultura da empresa Imagem: Getty Images

Denyse Godoy

do UOL, em São Paulo

16/04/2021 04h00

A falta de apoio no desenvolvimento da carreira e um reconhecimento (em dinheiro ou não) visto como injusto são as principais frustrações dos profissionais que deixam ou querem deixar logo seu emprego. Essa é uma conclusão da última edição da pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), que serve de base para o Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar, uma parceria da Fundação Instituto de Administração com o UOL para reconhecer as organizações que têm as melhores práticas em gestão de pessoas.

Aos funcionários que responderam o questionário da pesquisa na edição do ano passado, realizada no segundo semestre, foi perguntado se tinham intenção de permanecer na atual empresa ou sair. As sete respostas possíveis seguiam uma gradação que ia de "estou procurando outro emprego neste momento" a "pretendo me aposentar nesta empresa". No grupo das 100 empresas mais bem colocadas no ranking da pesquisa, essa resposta foi cruzada com as demais questões da pesquisa - sobre oportunidades de carreira, ambiente corporativo, qualidade de vida, diversidade, recompensa, entre outros temas.

O resultado mostrou que a maior diferença entre a percepção dos trabalhadores que querem ficar mais tempo na companhia e os que já estão vislumbrando sua saída se deu nos tópicos relacionados aos critérios para promoção e reconhecimento e valorização do trabalho. Ou seja, o profissional que pretende continuar na empresa avalia muito melhor as perspectivas de crescimento na carreira e a remuneração proporcionada pelo empregador do que quem quer se demitir. Entre as 100 melhores, 39,3% dos colaboradores disseram que gostariam de se aposentar naquela organização; 12%, que querem ficar mais de dez anos na empresa; 13,2%, que pretendem ficar de cinco a dez anos; 9,5%, de três a cinco anos; 9,3%, entre um e três anos; 2,6%, por menos de um ano; e 1,4% estão procurando um novo emprego. Não houve reposta em 12,7% dos questionários.

"Não quer dizer que o plano de carreira e a remuneração oferecida pela organização são ruins, afinal, só foram consideradas nesse recorte da pesquisa as respostas dos funcionários das mais bem classificadas. O colaborador que já tem um pé para fora da porta não está ajustado à cultura, então acha que não é nessa organização que vai ser reconhecido e poderá crescer", dia Lina Nakata, professora da FIA. "Esses pontos o desanimam."

Esses achados podem levar as empresas a refletir sobre as suas políticas. Para uma organização, é vantajoso manter os funcionários por mais tempo porque trocar traz custos com o processo de busca e contratação. Além disso, todo novo colaborador tem uma curva de aprendizagem. Leva um certo tempo até que entenda bem o que a empresa faz, qual é a sua missão, como funcionam os produtos. A alta rotatividade é um sinal de que a organização não é eficiente.

No entanto, muitas companhias deixam de enxergar o valor dos profissionais mais experientes nos seus quadros. Antigamente, a relação entre anos de dedicação a uma companhia e salário era bem maior do que agora. Hoje, o colaborador pode receber aumentos no decorrer da carreira por outros motivos que não o tempo de casa, e a longevidade no trabalho é subvalorizada. (Esse tempo varia de acordo com os ciclos de projeto da empresa, pode ser cinco anos numa companhia de tecnologia ou dez anos numa indústria pesada, por exemplo).

"O profissional tem uma bagagem, um histórico que muitas vezes não é remunerado adequadamente e a companhia só percebe quando o funcionário sai. Aí tenta segurar, mas não é uma boa ideia. A relação já está prejudicada", diz Nakata. "É importante para as empresas detectar os sinais de que um funcionário pode sair, como quando quer negociar um aumento."

Por outro lado, segundo a professora, os trabalhadores têm a percepção equivocada de que vai ganhar mais se ficar trocando de emprego. Na verdade, as pesquisas indicam que o profissional que permanece por mais tempo em um emprego tem remuneração maior. Os mais jovens costumam valorizar o networking das experiências diferentes, mas também não colocam na conta a curva de aprendizagem e os riscos dessa estratégia.

O Prêmio Lugares Incríveis Para Trabalhar é uma iniciativa do UOL e da FIA para reconhecer as empresas que têm as melhores práticas em gestão de pessoas. Os vencedores são definidos a partir da pesquisa FIA Employee Experience (FEEx), que mede a qualidade do ambiente de trabalho, a solidez da cultura organizacional, o estilo de atuação da liderança e a satisfação com os serviços de RH. As inscrições para a edição 2021 estão abertas e vão até 15 de junho.

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