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Ministro ignora apagão no AP e diz que luz ficou 'pouco' mais cara em 2021

"Importante é que o país superou essa crise energética", disse Bento Albuquerque, sem citar o Amapá - Reprodução/Facebook
"Importante é que o país superou essa crise energética", disse Bento Albuquerque, sem citar o Amapá Imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

20/01/2022 19h42Atualizada em 20/01/2022 21h52

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, ignorou hoje os dois apagões ocorridos no Amapá no ano passado ao comemorar a gestão do governo federal na crise hídrica em 2021. Ele também reconheceu que as contas de luz ficaram "um pouco" mais caras em 2021, mas disse que o país está caminhando para recuperar os reservatórios de hidrelétricas.

"E é por isso que aumentou 22% a tarifa [das contas de luz] no ano passado, por conta dessa geração termelétrica excepcional que tivemos que realizar, como também a importação de energia. Mas o importante é que o país superou essa crise energética, nós não tivemos racionamento, não tivemos apagão", afirmou Albuquerque durante live com o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nossa conta de luz ficou um pouco mais cara, mas também superamos isso. O país continua crescendo, gerando emprego e gerando renda.
Bento Albuquerque, ministro

Não citados pelo ministro, os apagões no Amapá aconteceram em abril e em agosto de 2021. No primeiro, o fornecimento de energia foi interrompido às 18h30 (horário de Brasília), atingindo a capital Macapá e mais 14 municípios, e começou a ser restabelecido às 20h. Já o segundo aconteceu pela manhã, deixando 13 das 16 cidades do estado sem luz.

Além disso, 13 municípios amapaenses também enfrentaram um apagão em novembro de 2020. Na ocasião, a luz só começou a voltar cinco dias após o blecaute, mas em esquema de rodízio. O apagão afetou o abastecimento de água, a compra e armazenamento de alimentos e serviços de telefonia e internet — tudo isso pouco antes do início da segunda onda de casos de covid-19 no Brasil.

A energia só foi completamente restabelecida 22 dias depois, em 24 de novembro de 2020.

O apagão de 2020 também não foi citado pelo ministro Bento Albuquerque.

Tarifa extra continua

A bandeira tarifária de escassez hídrica — que acrescenta R$ 14,20 às contas de luz a cada 100 kWh consumidos — deve seguir em vigor até o fim de abril, mesmo após as fortes chuvas registradas nas últimas semanas e o consequente aumento no nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, segundo informou o Ministério de Minas e Energia na semana passada.

A tarifa extra foi criada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em agosto do ano passado com o objetivo de cobrir o custo do uso de usinas termelétricas. Mais caras, essas usinas foram acionadas no segundo semestre de 2021 para garantir o fornecimento de energia no momento mais crítico da seca, quando os reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste atingiram níveis preocupantes.

Em nota ao UOL, a pasta explicou que a bandeira de escassez hídrica "visa cobrir os custos extraordinários já realizados em 2021, que foram arcados com recursos próprios das distribuidoras [de energia] e ainda não repassados aos consumidores".

Hoje, durante a live, o presidente Jair Bolsonaro disse não ter responsabilidade sobre a adoção da tarifa extra.

"Não é você [Bento Albuquerque] que decide, nem eu. Quando se abre uma bandeira na conta de energia elétrica, é para você poder pagar a fonte de energia que é mais cara do que a hidrelétrica. A gente não sabe quando, mas vai acabar", afirmou. "É a Aneel que decide colocar a bandeira amarela ou vermelha exatamente nesse momento. Não é maldade da agência, nem nossa."