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Defendeu privatização da Petrobras e criticou governo: veja frases de Pires

"Solução definitiva [para a alta dos preços] só virá com a privatização da Petrobras", disse Adriano Pires em 2021 - Pedro França/Agência Senado
"Solução definitiva [para a alta dos preços] só virá com a privatização da Petrobras", disse Adriano Pires em 2021 Imagem: Pedro França/Agência Senado

Anaís Motta

Do UOL, em São Paulo

29/03/2022 12h13Atualizada em 29/03/2022 17h29

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) para chefiar a Petrobras, o economista Adriano Pires já fez críticas ao governo federal —que ele chamou de "refém dos caminhoneiros" quando Bolsonaro tentou baixar o preço dos combustíveis—, e defendeu a privatização da empresa como "solução definitiva" para conter a alta. Pires também apoiou a venda da holding estatal de energia Eletrobras e sugeriu que o mais recente aumento da gasolina, diesel e gás de cozinha, anunciado no dia 10, era inevitável.

Veja algumas das declarações feitas por Pires à imprensa:

'Refém dos caminhoneiros'

Ao UOL, em abril de 2019, Pires criticou a postura do governo após Bolsonaro pedir pessoalmente à direção da Petrobras que cancelasse um reajuste no preço do diesel.

É impressionante, um governo que se diz tão forte, tão liberal, ficar refém dos caminhoneiros. Foi mais um retrocesso e é muito ruim para o país, porque deixa de atrair investimento; ruim para a Petrobras, porque perde dinheiro, e ruim para o governo, porque perde credibilidade.

Imposto sobre combustíveis

Ao UOL, em fevereiro de 2020, Pires considerou uma "provocação certa com tática errada" o anúncio feito por Bolsonaro de que o governo zeraria os impostos federais que incidem sobre os combustíveis se os governadores também zerassem o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

O presidente havia prometido cortar o PIS/Cofins e Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

Provocação certa [contra os governadores], com uma tática errada. (...) O governo não está em condições de abrir mão dessa receita, mas é importante que estimule os estados a mudarem a sua metodologia de preços.

Crise hídrica de 2020

Ao UOL, em dezembro de 2020, Pires afirmou que o governo deveria manter as usinas termelétricas ligadas antes de faltar energia. Ele criticou a falta de planejamento do governo federal para lidar com a crise hídrica que afetou o sistema energético.

Essas usinas [termelétricas] deveriam ficar ligadas o tempo todo, não só quando os reservatórios já estão quase vazios. (...) Não existe energia mais cara do que aquela que você não tem, que é o apagão. Não se consegue aumentar a geração de energia da noite para o dia. Construir uma termelétrica nova leva dois anos, no mínimo.

Privatização da Eletrobras...

Em texto de opinião publicado em "O Estado de S. Paulo", em janeiro de 2021, Pires afirmou que a privatização da Eletrobras era "uma necessidade".

A privatização [da Eletrobras] não é uma escolha política ou ideológica, mas sim uma necessidade que tem de ser resolvida de forma pragmática, sem buscar no passado soluções que já não se encaixam na realidade do mundo em que vivemos. Nós, brasileiros, não merecemos ficar sempre olhando para trás, vendo o mundo pelo espelho retrovisor, enquanto nossos parceiros enfrentam de forma decidida seus desafios visando a merecer o futuro.

...e também da Petrobras

Em coluna ao site Poder360, em outubro de 2021, ao apresentar possíveis soluções para conter a escalada dos preços dos combustíveis, propôs privatizar a empresa que poderá presidir.

A solução definitiva só virá com a privatização da Petrobras. Enquanto a empresa for de economia mista, tendo o Estado como controlador, os seus benefícios corporativos e as práticas monopolistas serão mantidos — a favor da corporação e, muitas das vezes, contra os interesses do Brasil.

Intervencionismo = 'desastre'

À Veja, em março de 2022, Pires declarou que a intervenção do governo na Petrobras seria um desastre.

Eu espero e torço para que o governo Bolsonaro resista à tentação de intervir na Petrobras, porque esse seria o pior caminho. (...) Se o caminho for o da intervenção, vai ser um desastre para o país. O congelamento dos preços é a pior política possível. Sempre que se faz políticas de congelamento o resultado imediato é gerar um desabastecimento, e o desabastecimento de combustíveis no Brasil seria uma tragédia.

Controle dos preços

Ao jornal "O Estado de S. Paulo", em março de 2022, Pires afirmou ser difícil "segurar preço" da Petrobras, em meio à pressão do governo federal para que a empresa controlasse a alta dos combustíveis.

Eu acho muito difícil encontrar alguém que vá para a Petrobras para segurar preço. (...) Do presidente [Michel] Temer para cá, a empresa passou a ter uma política de tendência de mercado internacional. (...) Se alguém for para a Petrobras e segurar preço de combustível, estará colocando o seu CPF na mesa.

Alta era inevitável?

À CNN Brasil, em março de 2022, ao repercutir o reajuste dos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha, Pires defendeu que o reajuste era necessário frente à defasagem dos valores.

A Petrobras não tinha como não aumentar, porque a defasagem de preços estava muito grande entre o mercado interno e o externo. O país importa 30% do que é consumido de derivados de petróleo. Se a defasagem é muito grande, ninguém importa (...) Pior que o preço alto é desabastecimento.