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Dólar salta e chega a encostar em R$ 5; Bolsa opera em queda de quase 2%

Do UOL, em São Paulo

26/04/2022 09h25Atualizada em 26/04/2022 13h15

O dólar comercial chegava a subir mais de 2% nesta terça-feira (26) e encostar em R$ 5, e a Bolsa tombava. Por volta das 13h15 (de Brasília), a moeda norte-americana subia 1,97%, vendida a R$ 4,972, e o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, caía 1,66%, a 108.850,65 pontos.

O mercado aqui segue tendência mundial, afetado por temores de mais aumento dos juros nos Estados Unidos e por uma provável desaceleração econômica na China.

Na Bolsa, as ações de bancos puxaram o índice para baixo, após reação negativa aos resultados de Santander Brasil, que abriu a temporada de balanços para os grandes bancos locais. O lucro líquido do Santander foi de R$ 4,005 bilhões no primeiro trimestre, uma alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2021 e de 3,2% na comparação com o quarto trimestre.

Empresas de energia elétrica estavam entre os destaques positivos na ponta oposta.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para quem vai viajar e precisa comprar moeda em corretoras de câmbio, o valor é bem mais alto.

Aumento dos juros nos EUA

A forte desvalorização do real nos últimos dias tem sido associada principalmente ao ambiente externo. A perspectiva de que o banco central dos Estados Unidos intensificará a alta dos juros ao longo de suas próximas reuniões impulsionou o dólar.

Juros mais altos na maior economia do mundo elevam os retornos da renda fixa norte-americana, muito mais segura que investimentos de países de mercados emergentes. Consequentemente, investidores tendem a colocar lá recursos hoje aplicados em países como o Brasil. Como menos dólar aqui, a moeda sobe.

O dólar subia em relação a moedas de outros emergentes, como peso mexicano, peso chileno e rand sul-africano, mas também em relação a moedas de países ricos.

Desaceleração da China

Participantes do mercado também apontavam receios crescentes de desaceleração econômica na China como fator de pressão negativa para ativos arriscados.

A cidade mais populosa do país, Xangai, está presa num lockdown rígido há um mês, e há receios de que a capital Pequim seja a próxima a enfrentar restrições de combate à covid-19.

Qualquer sinal de novo bloqueio da atividade na China tende a afetar seus parceiros comerciais. A América Latina —região rica em matérias-primas — é vista como especialmente sensível ao desempenho da segunda maior economia do mundo.

Embora o avanço do dólar no mercado local não seja isolado, o real liderava as perdas globais nesta sessão, repetindo tendência vista na sexta-feira passada.

Política local piora queda do dólar, dizem analistas

Alguns especialistas associaram o desempenho pior a fatores especulativos ou a ajustes depois da forte queda do dólar vista desde o início deste ano. Outros afirmaram que o pano de fundo político doméstico tenso exacerbou os efeitos negativos vindos do exterior.

Nesse contexto, não se descarta o retorno do real a patamares acima de R$ 5, enquanto a pauta política deve ganhar cada vez mais destaque ao longo dos próximos meses com a aproximação das eleições.

Em nota, analistas da Genial Investimentos disseram que o noticiário local ajudou a interromper a valorização dos ativos brasileiros, citando especificamente o perdão dado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) ao deputado Daniel Silveira, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federa) por crimes de coação no curso do processo e atentado ao Estado Democrático de Direito.

É "uma decisão que alguns consideraram uma afronta ao STF", disse a Genial. "Estamos em um impasse e muito próximos a uma crise institucional."

Este conteúdo foi gerado pelo sistema de produção automatizada de notícias do UOL e revisado pela redação antes de ser publicado.

Com Reuters

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