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PIBinho, gastos e juros: os desafios que Haddad herdará de Guedes em 2023

Ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad foi escolhido por Lula (PT) para ser ministro da Fazenda - Wilton Junior/Estadão Conteúdo
Ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad foi escolhido por Lula (PT) para ser ministro da Fazenda Imagem: Wilton Junior/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

11/12/2022 04h00

Ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad foi anunciado na sexta-feira (9) como ministro da Fazenda do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Haddad deve enfrentar um cenário desfavorável, já que as perspectivas para 2023 apontam para um crescimento menor e inflação alta, e ainda há preocupações quanto a um possível descontrole das contas públicas, segundo especialistas ouvidos pelo UOL.

O sucessor do ministro Paulo Guedes (Economia) não agrada à parte do empresariado e do mercado, mas é um dos nomes de confiança de Lula. Essa resistência foi reduzida à medida que agentes econômicos viram sinalizações positivas de Haddad.

O QUE HADDAD DEVE ESPERAR

  • Expectativa de "PIBinho"

Depois de registrar alta de 5% em 2021, recuperando-se das perdas do ano anterior (-3,3%), o PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil deve crescer menos (3,05%) em 2022 e ficar praticamente estagnado (0,75%) em 2023, segundo o último Boletim Focus, que traz expectativas do mercado para a economia brasileira.

Um dos grandes desafios vai ser justamente o crescimento do PIB. Fora que o cenário internacional é muito incerto.
Carla Beni Menezes de Aguiar, professora dos MBAs da FGV-SP

  • Contas públicas bagunçadas

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Transição, aprovada na quarta (7) pelo Senado, abre um espaço de R$ 145 bilhões dentro do teto de gastos para bancar o Auxílio Brasil (futuro Bolsa Família). Com a ausência de uma regra fiscal que limite essas despesas para os próximos anos, esse aumento significativo pode ser um problema para as contas públicas, dizem economistas.

O Orçamento foi muito dominado por questões eleitorais. Não é questão de 'olha, a gente teve uma imprevisibilidade, uma urgência'. É uma questão de alocação [de recursos], falta de planejamento.
Juliana Damasceno, economista sênior da Tendências Consultoria

  • Inflação acima da meta

A inflação acumulada em 2022 deve ser menor do que a registrada em 2021. No ano passado, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou em 10,06%, enquanto o acumulado dos últimos 12 meses está em 5,90%.

A projeção do último Focus é de que a inflação suba 5,92% neste ano – patamar acima da meta definida pelo governo, de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo (isto é, podendo variar entre 2% e 5%).

Temos uma inflação em declínio, o que é importante, mas uma taxa real de juros muito elevada. A política monetária tem limites, não tem como ficar fazendo esse aperto [monetário] por muito tempo.
César Bergo, economista e professor da UnB

  • Juros altos

Ao longo do governo de Jair Bolsonaro (PL), a taxa Selic foi de 6,5% ao ano em janeiro de 2019 para 13,75% agora, o que coloca o Brasil como o país com o maior juro real do mundo (calculado pela diferença entre a Selic e a inflação), à frente de países como México, Rússia e Argentina.

Na quarta (7), após sua última reunião no ano, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central reforçou a preocupação quanto à trajetória da inflação, que "continua elevada".

A possibilidade de aumento de gastos de forma permanente leva à perspectiva de mais inflação, o que traria um impacto sobre os juros, que teriam que ser elevados. Isso resultaria em menor dinamismo da atividade econômica.
Felipe Sichel, economista-chefe do Banco Modal